VERSO PARA MEMORIZAR: “Paulo, não temas! É preciso que compareças perante César” (At 27:24).
LEITURAS DA SEMANA: At
27; 28; Rm 1:18-20
Há muito tempo Paulo desejava visitar Roma, mas
sua prisão em Jerusalém mudou tudo. Ao ceder à pressão legalista dos líderes da
igreja de Jerusalém, ele acabou ficando sob custódia romana por quase cinco
anos, incluindo o tempo gasto na viagem de navio para a Itália. Essa mudança
representou um forte revés para seus planos missionários.
Apesar disso, o próprio Jesus prometeu que o
apóstolo ainda testemunharia Dele em Roma (At 23:11). Mesmo quando
falhamos com o Senhor, Ele ainda pode nos dar outra chance, embora nem sempre
nos poupe das consequências de nossas ações. Paulo não apenas foi levado a Roma
como prisioneiro, mas também não há evidência bíblica de que ele tenha ido à
Espanha, como esperava fazer (Rm 15:24). Depois de ser libertado do que é
conhecido como “o primeiro encarceramento romano”, Paulo foi novamente detido,
dessa vez para sofrer o martírio (2Tm 4:6-8) sob a ordem de Nero, em
67 d.C.
Paulo foi a Roma. E, enquanto aguardava em
prisão domiciliar para ser julgado perante o imperador, apesar de suas algemas
(Ef 6:20; Fp 1:13), ele pregava sem impedimento a quem quer que fosse
até ele (At 28:30, 31), inclusive para figuras importantes da casa de
César (Fp 4:22).
Domingo, 23 de Setembro
Ano
Bíblico: Mq 1–4
Navegando
para Roma
Após ficar preso em Cesareia por cerca de dois
anos (At 24:27), Paulo foi enviado a Roma. A julgar pela primeira
pessoa do plural e a riqueza de detalhes usados para descrever a longa e
turbulenta viagem marítima para a Itália (At 27:1–28:16), Lucas
acompanhava o apóstolo, assim como outro cristão chamado Aristarco
(At 27:2). Outro personagem importante na história foi o centurião romano,
Júlio, responsável também por outros prisioneiros (At 27:1).
Eles partiram no final do verão. O Dia do
Jejum (At 27:9) se refere ao Dia da Expiação, na segunda metade de
outubro. Por causa das condições climáticas do inverno, normalmente se evitava
viajar pelo Mediterrâneo entre novembro e março. Dessa vez, no entanto, eles
enfrentaram dificuldades desde o início, e somente depois de muita demora
chegaram à pequena baía de Bons Portos, na ilha de Creta (At 27:8).
1. Leia Atos 27:9-12. Enquanto estavam em Bons
Portos, como Paulo interveio na história e como sua intervenção foi recebida?
As advertências de Paulo foram ignoradas, e eles
decidiram navegar mais 65 quilômetros para o oeste, até o porto de Fenice
onde poderiam passar o inverno com segurança. Infelizmente, com uma súbita
mudança climática, eles pegaram uma tempestade tão violenta que a tripulação
não teve outra opção senão deixar o navio ser conduzido pelo vento na direção
sudoeste, para longe da terra. Logo eles começaram a lançar a carga ao mar e
até mesmo alguns equipamentos do navio em uma frenética tentativa de aliviar o
peso, visto que ele já começava a ser inundado pelas águas. A situação era
dramática. Depois de vários dias sem a luz do sol, pouca visibilidade, chuva pesada
e ventos fortes, sem saber onde estavam e em completo esgotamento, eles
finalmente perderam “toda a esperança de salvamento” (At 27:20, NVI).
2. De acordo com Atos 27:21-26, qual foi a
segunda intervenção de Paulo na história? Assinale a alternativa correta:
A. ( ) Ele fez uma oração, e a tempestade
cessou.
B. ( ) Ele declarou que Deus havia lhe dito que ninguém ali morreria.
B. ( ) Ele declarou que Deus havia lhe dito que ninguém ali morreria.
Em palavras proféticas, Paulo relatou à
tripulação uma mensagem que tinha acabado de receber de Deus. Não havia motivo
para se desesperarem nem perderem a esperança. Ainda haveria perigo e perda,
mas todos sobreviveriam.
Por que um servo do Senhor como Paulo teve que
sofrer? O que aprendemos com isso?
Segunda-feira, 24 de Setembro
Ano Bíblico: Mq 5–7
O
naufrágio
Em sua segunda intervenção na
história, Paulo assegurou a todos os que estavam a bordo –
276 pessoas no total (At 27:37) – que, apesar de que nem tudo sairia
bem, não haveria mortes; somente o navio afundaria (At 27:22). Quatorze
dias depois, as palavras do apóstolo se cumpriram. Ainda sob a terrível
tempestade e com o navio completamente à deriva, os marinheiros sentiram que
estavam próximos da terra firme, possivelmente porque podiam ouvir o barulho da
rebentação das ondas (At 27:27). Depois de sondarem a profundidade por
diversas vezes, e temendo que o navio se chocasse contra as rochas ao longo da
costa, eles lançaram quatro âncoras da popa para reduzir a velocidade do navio;
enquanto isso, pediam desesperadamente aos seus deuses que o dia logo
amanhecesse (At 27:28, 29).
3. Leia Atos 27:30-44. Quais
lições podemos aprender com essa história?
No início da viagem, o
centurião tratou Paulo de modo favorável, mas ele não tinha motivos para
confiar no julgamento náutico do apóstolo. Após duas semanas, no entanto,
as coisas mudaram. Paulo já havia ganhado o respeito do centurião, com sua
intervenção profética sobre o naufrágio (At 27:21-26) que se aproximava de
seu cumprimento.
Paulo exortou todos a bordo a
se alimentarem, caso contrário não teriam forças para nadar e chegar à terra
firme. A Providência divina não nos isenta de fazer o que normalmente
seria nosso dever. “Ao longo dessa narrativa, mantém-se um equilíbrio entre a
garantia de Deus quanto à segurança daqueles homens e os esforços deles para
assegurar que isso acontecesse” (David J. Williams, Acts. Grand
Rapids, MI: Baker Books, 1990, p. 438).
Com a aproximação da manhã, os
marinheiros avistaram a terra – uma baía onde decidiram encalhar o navio.
No entanto, o navio nunca chegou à praia. Em vez disso, atingiu um banco de
areia e acabou se rompendo pela força das ondas. O plano dos soldados de
matar os prisioneiros para evitar que fugissem foi interrompido pelo centurião,
principalmente por causa de Paulo. No fim, ninguém perdeu a vida, exatamente
como Deus havia prometido.
Desejando manter Paulo vivo, o
centurião proibiu os soldados de matar os prisioneiros. O que isso revela
sobre o testemunho e o caráter de Paulo?
Terça-feira, 25 de Setembro
Ano Bíblico: Naum
Em Malta
Somente quando chegaram à
costa, os sobreviventes descobriram que estavam em Malta, uma pequena ilha no
centro do Mediterrâneo, ao sul da Sicília. Nas duas semanas em que estiveram à
deriva no mar, rendidos à força do vento, eles navegaram por cerca de
800 quilômetros desde Bons Portos, em Creta. Agora teriam que esperar os
três meses de inverno antes de continuar a viagem (At 28:11).
4. De acordo com Atos
28:1-10, o que aconteceu com Paulo na ilha de Malta e como Deus conseguiu
usá-lo? Assinale a alternativa correta:
A. ( ) Ele foi picado por
uma cobra, porém saiu ileso. Deus o usou para curar o pai de Públio e os demais
habitantes da ilha de Malta.
B. ( ) Ele foi preso, porém pôde testemunhar do amor de Deus.
B. ( ) Ele foi preso, porém pôde testemunhar do amor de Deus.
O povo de Malta foi
hospitaleiro. Diante da chegada de Paulo e seu grupo fizeram uma fogueira para
aquecê-los, já que todos estavam molhados e com frio. A temperatura em
Malta nessa época do ano não ultrapassaria os 10 °C.
O incidente da cobra atraiu a
atenção do povo para Paulo. A princípio, os pagãos entenderam o fato de que ele
havia sido picado por uma cobra como um ato de retribuição divina. Eles
pensavam que Paulo era um criminoso que havia conseguido escapar da morte por
afogamento, mas que ainda assim havia sido apanhado pelos deuses, ou talvez
pela deusa grega Dik?, a personificação da justiça e da vingança.
Visto que Paulo não morreu, ele foi aclamado como deus, conforme havia
acontecido em Listra vários anos antes (At 14:8-18). Embora Lucas não se
demore na descrição do episódio, é seguro presumir que Paulo aproveitou a
situação para testemunhar do Deus a quem servia.
Públio era o procurador romano
de Malta ou apenas um dignitário local, mas ele acolheu Paulo e seus
companheiros por três dias, até que encontrassem um lugar para ficar. A cura do
pai desse homem deu a Paulo a oportunidade de se dedicar a um ministério de
cura entre os malteses.
No relato de Lucas, não há
menção de um único converso ou uma única congregação deixada pelo apóstolo
quando partiu de Malta. Essa omissão pode ser inteiramente ocasional, mas
ilustra o fato de que nossa missão no mundo vai além de batismos ou plantio de
igrejas; ela também envolve o cuidado desinteressado para com as pessoas e suas
necessidades. Esse é o aspecto prático do evangelho (At 20:35; compare com
Tt 3:14).
É impressionante que esses
habitantes da ilha pouco instruídos tivessem um senso de justiça divina. Em
última análise, de onde vinha essa consciência? (Veja Rm 1:18-20).
Quarta-feira, 26 de setembro
Ano Bíblico: Habacuque
Paulo
finalmente chega a Roma
Depois de três meses em Malta,
Paulo e seus companheiros finalmente puderam continuar a viagem
(At 28:11). Eles chegaram a Putéoli (At 28:13), atualmente conhecida
como Pozzuoli, na baía de Nápoles, de onde seguiriam por terra para Roma (veja
At 28:11-16).
A notícia da aproximação de
Paulo chegou rapidamente a Roma, e um grupo de cristãos decidiu viajar vários
quilômetros ao sul para recebê-lo. Embora ele nunca tivesse estado em Roma, o
apóstolo tinha muitos amigos na cidade: colaboradores, conversos, parentes e
muitos outros que lhe eram extremamente queridos (Rm 16:3-16). O encontro
na Via Ápia deve ter sido particularmente comovente, acima de tudo por causa do
naufrágio e do fato de que Paulo era agora um prisioneiro. Como resultado de
tal demonstração de amor e cuidado por parte de seus queridos amigos, o
apóstolo agradeceu a Deus e se sentiu profundamente animado, visto que estava prestes
a enfrentar o julgamento perante o imperador.
Em seu relatório oficial, Festo
deve ter escrito que, de acordo com a lei romana, Paulo não era culpado de
nenhum crime importante (At 25:26, 27; 26:31, 32). Isso
provavelmente explica por que o apóstolo foi autorizado a alugar uma casa
(At 28:30), em vez de ser enviado para uma prisão comum ou campo militar.
Entretanto, de acordo com o costume romano, ele foi mantido acorrentado a um
soldado. O fato de que Paulo custeou as próprias despesas implica que, de
alguma forma, ele pôde trabalhar (At 18:3).
5. De acordo com Atos 28:17-22,
o que Paulo fez assim que se estabeleceu?
A. ( ) Começou a escrever suas
últimas epístolas.
B. ( ) Convocou os líderes judeus para declarar sua inocência.
B. ( ) Convocou os líderes judeus para declarar sua inocência.
Embora Paulo não pudesse ir à
sinagoga, a sinagoga podia vir até ele. Portanto, logo após sua chegada, e
seguindo a política de ir primeiramente aos judeus (Rm 1:16), ele convocou
os líderes judaicos locais para declarar sua inocência e explicar, como o
fizera anteriormente, que ele não havia sido preso por nenhuma outra razão
senão pela esperança de Israel (At 23:6; 24:15; 26:6-8). Sua intenção não
era tanto se defender, mas criar uma atmosfera de confiança que lhe permitisse
pregar o evangelho, mostrando como a ressurreição de Jesus era o cumprimento da
antiga esperança de Israel. Surpresos por não terem recebido nenhuma
informação de Jerusalém sobre Paulo, os judeus decidiram ouvi-lo.
Leia Atos 28:22. O que o texto
revela sobre a hostilidade contra os cristãos ainda naquele momento? Como
podemos permanecer fiéis mesmo quando outros falam contra a nossa fé?
Quinta-feira, 27 de setembro
Ano
Bíblico: Sofonias
A
vitória do evangelho
Em um dia determinado, os
judeus vieram em grande número para ouvir a apresentação de Paulo sobre o
evangelho (At 28:23).
6. Leia Atos 28:24-31. Qual foi
o objetivo de Paulo ao citar Isaías nesse contexto?
A citação de Isaías 6:9 e 10
descreve o que acontece quando as pessoas se recusam a aceitar a mensagem divina.
Embora alguns judeus tivessem crido, outros não o fizeram; e, por causa da
confusão que se formou, o apóstolo não teve escolha senão, mais uma vez,
voltar-se para os gentios (At 13:46, 47; At 18:6).
Paulo teve que esperar dois
anos para ser julgado pelo imperador. Enquanto isso, embora restrito à sua
prisão domiciliar, ele pôde compartilhar o evangelho sem restrição com aqueles
que vinham até ele. A última cena de Atos enfatiza a vitória
do evangelho, pois nenhuma força judaica nem romana conseguiu interromper
seu progresso.
Não está claro por que Lucas
conclui seu livro nesse ponto, pois há evidências de que, por causa da
fragilidade do caso contra Paulo, ele foi posto em liberdade, realizou outra
viagem missionária e foi novamente levado para Roma e executado
(2Tm 4:6-8). Tendo em vista o propósito literário de Lucas, talvez o fato
de que o evangelho havia sido pregado até mesmo na distante cidade de Roma
indicava que ele já havia alcançado os “confins da Terra” (At 1:8).
“A paciência e o bom ânimo de Paulo durante sua longa e injusta prisão, bem como sua coragem e fé, eram um constante sermão. Seu espírito, tão diferente do espírito do mundo, dava testemunho de que um poder mais alto que o da Terra habitava com ele. E, por seu exemplo, os cristãos foram impelidos a defender com mais energia a causa do evangelho no trabalho público do qual Paulo havia sido afastado. Dessa maneira, as algemas do apóstolo tiveram tal influência que, quando seu poder e utilidade pareciam aniquilados e, ao que tudo indicava, bem pouco poderia fazer, ele alcançou para Cristo frutos em campos dos quais parecia inteiramente excluído” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 464).
Do ponto de vista da missão da
igreja, no entanto, pode-se dizer que o livro de Atos (ou a história da propagação
do evangelho) ainda não foi concluído, e é aqui que cada um de nós entra em
cena. Muitos outros capítulos emocionantes e dramáticos já foram escritos ao
longo dos séculos, às vezes com o próprio sangue das fiéis testemunhas de Deus.
Agora é nossa vez de acrescentar mais um capítulo – talvez o último – e
concluir a missão que Jesus deixou aos discípulos, e “então, virá o fim”
(Mt 24:14).
Sexta-feira, 28 de setembro
Bíblico:
Ageu
Estudo
adicional
“Cristo confiou à igreja uma sagrada responsabilidade. Cada membro deve ser um conduto através do qual Deus possa comunicar ao mundo os tesouros de Sua graça, as insondáveis riquezas de Cristo. Não há nada que o Salvador deseje mais do que agentes que representem Seu Espírito e Seu caráter ao mundo. Não existe nada que o mundo necessite mais do que a manifestação do amor do Salvador através da humanidade. Todo o Céu está à espera de homens e mulheres por cujo intermédio Deus possa revelar o poder do cristianismo” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 600).
“Deus tem esperado por muito tempo que o espírito de serviço se apodere de toda a igreja, de maneira que cada um trabalhe para Ele segundo sua habilidade. Quando, em cumprimento da comissão evangélica, os membros da igreja de Deus fizerem a obra que lhes é indicada nos necessitados campos nacionais e estrangeiros, todo o mundo será logo advertido, e o Senhor Jesus retornará à Terra com poder e grande glória” (Ibid., p. 111).
Perguntas para discussão
1. Como os outros foram
influenciados pela fé revelada por Paulo na viagem a Roma?
2. Paulo nunca desistiu de sua
fé nem de sua missão. Em Roma, apesar de sua liberdade limitada, ele continuou
pregando. O que podemos fazer quando somos tentados a desistir de pregar o
evangelho a alguém?
3. Leia Romanos
1:14, 15. Por que Paulo sentia a obrigação de pregar o evangelho? Nossa
obrigação é menor que a dele? Considere esta afirmação: “Salvar pessoas deve
ser a obra vitalícia de todo aquele que professa seguir a Cristo. Somos
devedores ao mundo pela graça que nos foi dada por Deus” (Ellen G. White, Testemunhos
Para a Igreja, v. 4, p. 53).
4. O texto de Isaías
6:9 e 10 pode ser aplicado a nós? Recebemos a verdade, mas se
endurecermos o coração a ela, ou mesmo a aspectos que entrem em conflito com
nossos desejos, que perigo enfrentaremos?
5. Imagine que você fosse o
soldado acorrentado a Paulo. O que acha que ele viu no homem a quem estava
tão intimamente ligado?
Respostas e atividades da
semana: 1. Paulo aconselhou o centurião a invernar em Bons
Portos, já que partir dali seria perigoso. Porém, seu conselho não foi seguido,
visto que todos desejavam partir o quanto antes. 2. B. 3. O prisioneiro
Paulo ajudou a liderar o navio em meio à crise; enquanto o navio fosse útil, os
marinheiros eram indispensáveis; o apóstolo se preocupou com a saúde e
capacidade de cada viajante para enfrentar as dificuldades; Paulo conquistou a
confiança do centurião e salvou a vida dele. Peça que os alunos compartilhem
outras respostas. 4. A. 5. B. 6. Advertir
os judeus de que eles estavam cumprindo a profecia de Isaías, pois ouviram e
viram o evangelho, mas endureceram o coração e rejeitaram a conversão. Como
podemos hoje ter uma atitude de incredulidade quanto às verdades reveladas a
nós? O que podemos fazer para fugir da incredulidade?

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