Lição 8 18 a 25 de
novembro
Sábado à tarde Ano Bíblico: Rm 8–10
VERSO PARA
MEMORIZAR: “Agora, porém,
libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos de modo
que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra” (Rm 7:6).
LEITURAS DA
SEMANA: Rm 7
Poucos capítulos
da Bíblia têm criado mais polêmica do que Romanos 7. No que diz respeito às
questões envolvidas, o Comentário Bíblico Adventista do Sétimo diz:
“O significado [de Romanos 7:14-25] tem sido um dos problemas mais discutidos
em toda a epístola. As principais questões se concentram em definir se a
descrição dessa intensa luta moral seria autobiográfica e, em caso afirmativo,
se a passagem se refere à experiência de Paulo antes ou depois de sua
conversão. A partir do mais simples significado de suas palavras, parece
evidente que Paulo fala de sua luta com o pecado (compare Rm 7:7-11; Caminho
a Cristo, p. 19; Testemunhos Para a Igreja, v. 3, p. 475).
Também é verdade que ele descreve um conflito experimentado por toda pessoa que
se confronta com as reivindicações espirituais da santa lei de Deus e é
despertada por elas” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 6,
p. 608).
Os estudiosos da
Bíblia diferem ao definir se Romanos 7 retrata a experiência de Paulo antes ou
após sua conversão. Seja qual for a posição tomada, o importante é que a
justiça de Jesus nos cobre e nela permanecemos perfeitos perante Deus, que
promete nos santificar, dar-nos vitória sobre o pecado e nos moldar “à imagem
de Seu Filho” (Rm 8:29). Esses são os pontos cruciais para conhecermos e
vivenciarmos enquanto buscamos espalhar “o evangelho eterno” a “cada nação, e
tribo, e língua, e povo” (Ap 14:6).
Domingo, 19 de novembro Ano Bíblico: Rm 11–13
Morto para a lei
1. Leia Romanos 7:1-6. Qual ilustração Paulo usou
para mostrar aos seus leitores a relação deles com a lei? O que ele defendeu
com essa ilustração? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
A.( ) A lei conjugal. A lei moral não tem mais validade
hoje.
B.( ) A lei cerimonial. Ainda estamos sujeitos à lei
cerimonial.
A ilustração de
Paulo em Romanos 7:1-6 é um pouco complexa, mas uma análise cuidadosa da
passagem nos ajudará a seguir seu raciocínio.
No contexto
geral da carta, Paulo estava tratando do sistema de culto estabelecido no
Sinai; foi isso que ele quis dizer muitas vezes com a palavra lei.
Os judeus tiveram dificuldade em compreender que esse sistema, dado a eles por
Deus, devia terminar com a vinda do Messias. Paulo estava lidando com cristãos
judeus que ainda não estavam prontos para abandonar o que tinha sido uma parte
tão importante de sua vida.
Em essência, a
ilustração de Paulo é a seguinte: uma mulher é casada com um homem. A lei a
liga ao marido enquanto ele viver. Durante sua vida, ela não pode ter relações
com outros homens. Mas quando ele morre, ela fica livre da lei que a ligou ao
marido (Rm 7:3).
2. De acordo com Romanos 7:4, 5, como Paulo aplicou
a ilustração da lei do casamento ao sistema do judaísmo?
Assim como a
morte do marido livra a mulher da lei de seu marido, também a morte da velha
vida na carne, por meio de Jesus Cristo, libertou os judeus da lei que eles
deviam guardar até que o Messias cumprisse seus tipos.
Os judeus então
estavam livres para “se casar novamente”. Eles foram convidados a se “casar”
com o Messias ressuscitado e, assim, dar frutos para Deus. Essa ilustração foi
mais um instrumento usado por Paulo para convencer os judeus de que eles agora
estavam livres para abandonar o antigo sistema.
Novamente,
considerando todas as outras coisas que Paulo e a Bíblia declaram sobre a
obediência aos Dez Mandamentos, não faz sentido afirmar aqui que Paulo estava
dizendo a esses cristãos judeus que os Dez Mandamentos não eram mais
obrigatórios. Aqueles que usam esses versos para tentar defender esse argumento
– de que a lei moral foi abolida – não desejam na verdade defender isso; o que
eles realmente querem dizer é que só o sábado foi extinto, não o restante da
lei. Interpretar que Romanos 7:4, 5 ensina que o quarto mandamento foi abolido,
rejeitado ou substituído pelo domingo é dar-lhe um significado jamais concebido
pelo apóstolo.
Segunda-feira, 20 de novembro Ano Bíblico: Rm 14–16
Pecado e lei
Se Paulo estava
falando sobre todo o sistema legal do Sinai, o que dizer de Romanos 7:7, no
qual ele mencionou especificamente um dos Dez Mandamentos? Isso não refuta a
posição tomada ontem, de que Paulo não estava falando sobre a abolição dos Dez
Mandamentos?
A resposta é não.
Devemos ter em mente, novamente, que a palavra leipara Paulo
significava todo o sistema introduzido no Sinai, que incluía a lei moral, mas
não se limitava a ela. Portanto, a fim de defender seu argumento, Paulo poderia
citá-la, assim como qualquer outra seção de todo sistema judaico. No entanto,
quando o sistema expirou com a morte de Cristo, isso não incluiu a lei moral,
que já existia mesmo antes do Sinai e continua existindo depois do Calvário.
3. Leia Romanos 7:8-11. O que Paulo disse sobre a
relação entre a lei e o pecado? Assinale a alternativa correta:
A.( ) Sem lei, não há pecado, pois a lei mostra o
pecado.
B.( ) O pecado e a lei não possuem nenhuma relação.
Deus Se revelou
aos judeus, mostrando-lhes detalhadamente o que era certo e errado em questões
morais, civis, cerimoniais e de saúde. Ele também explicou as penalidades para
a violação das várias leis. A transgressão da vontade revelada de Deus é
definida como pecado.
Portanto,
conforme explicou Paulo, ele não saberia que cobiçar é pecado se a “lei” não o
tivesse informado desse fato. O pecado é a violação da vontade revelada de Deus
e quando Sua vontade é desconhecida, não há nenhuma consciência do pecado. Mas
quando essa vontade revelada é anunciada a uma pessoa, ela passa a reconhecer que
é pecadora e está sob condenação e morte. Nesse sentido, a pessoa morre.
Nessa linha de
argumentação e ao longo dessa seção, Paulo estava tentando construir uma ponte
para levar os judeus, que reverenciavam a “lei”, a ver Cristo como seu
cumprimento. Ele estava mostrando que a lei era necessária, mas que sua função
era limitada. O propósito da lei era revelar a necessidade de salvação; ela
nunca foi planejada para ser o meio de obter essa salvação.
“O apóstolo
Paulo […] apresenta uma importante verdade a respeito da obra a ser efetuada na
conversão. Ele diz: ‘Outrora, sem a lei, eu vivia’ (ele não sentia nenhuma
condenação); ‘mas, sobrevindo o preceito’ (quando a lei de Deus exortou a sua
consciência), ‘reviveu o pecado, e eu morri’. Então ele se viu como pecador,
condenado pela lei divina. Observem que foi Paulo, e não a lei, quem morreu” (Comentários de Ellen G. White, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia,
v. 6, p. 1197, 1198).
Questionario
Em que sentido
você “morreu” perante a lei? O que Jesus fez por você, ao dar-lhe nova vida
nEle?
Terça-feira, 21
de novembro Ano Bíblico:
1Co 1–4
A lei é santa
4. Leia
Romanos 7:12. Como entendemos esse verso no contexto do que Paulo estava
discutindo? Assinale a alternativa correta:
A.(
) A lei é santa, justa e boa, pois revela o caráter de Deus e nossa
necessidade de Jesus.
B.(
) A lei é transitória. No Céu não haverá lei.
Visto que os judeus reverenciavam a lei, Paulo a exaltou de todas as
maneiras possíveis. A lei é boa pelo que ela faz, mas não pode realizar aquilo
que nunca foi seu propósito: salvar-nos do pecado. Para isso precisamos de
Jesus, pois a lei (seja todo o sistema judaico ou a lei moral em particular)
não pode trazer salvação. Somente Cristo e Sua justiça, que recebemos pela fé, podem
salvar.
5. Leia
Romanos 7:13. O que Paulo culpou por sua condição de “morte” e o que ele
isentou? Essa distinção é importante? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para
falso:
A.(
) A lei foi culpada e o pecado foi isento.
B.(
) O pecado foi culpado e a lei foi isenta.
Em Romanos 7:13, Paulo apresentou a “lei” no melhor sentido possível.
Ele culpou o pecado, não a lei, por sua condição pecaminosa; isto é, o pecado
desperta “toda sorte de concupiscência [desejo, cobiça]” (Rm 7:8). A lei é boa,
pois é o padrão divino de conduta. Porém, Paulo estava condenado diante dela.
6. De
acordo com Romanos 7:14, 15, por que o pecado teve tanto êxito em mostrar que
Paulo era um terrível pecador?
Carnal significa “relacionado à
carne”. Portanto, Paulo precisava de Jesus Cristo. Somente Ele poderia livrá-lo
da condenação (Rm 8:1) e da escravidão do pecado.
Paulo se descreveu como “vendido à escravidão do pecado”. Não conseguia
fazer o que gostaria de fazer.
Por meio dessa ilustração, Paulo estava tentando mostrar aos judeus a
necessidade que tinham do Messias. Ele já havia indicado que a vitória só era
possível debaixo da graça (Rm 6:14). Esse pensamento é ressaltado em Romanos 7.
Viver sob a “lei” significa ser escravo do pecado, um mestre impiedoso.
Questionario
Você já brincou
com o pecado, pensando que poderia controlá-lo, mas foi escravizado por esse
senhor mau? Bem-vindo à realidade! Por que você deve se entregar a Jesus e
morrer para si mesmo?
Quarta-feira, 22 de novembro Ano Bíblico: 1Co 5–7
O homem de Romanos 7
7. “Ora,
se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz
isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim” (Rm 7:16, 17). Qual luta é
apresentada nesse texto?
Usando a lei como um espelho, o Espírito Santo convence a pessoa de que
ela está desagradando a Deus por não cumprir os requisitos da lei. Mediante os
esforços para satisfazer essas exigências, o pecador mostra que aceita o fato
de que a lei é boa.
8. Quais
argumentos Paulo repetiu a fim de enfatizá-los? Rm 7:18-20
Para impressionar alguém quanto à sua necessidade de Cristo, o Espírito
Santo muitas vezes o conduz através de um tipo de experiência da “antiga
aliança”. Ellen G. White descreveu a experiência de Israel: “O povo não
compreendia a pecaminosidade de seus corações, e que sem Cristo lhes era
impossível guardar a lei de Deus; e prontamente entraram em aliança com Deus.
Entendendo que eram capazes de estabelecer sua própria justiça, declararam:
‘Tudo o que o Senhor tem falado faremos, e obedeceremos’ (Êx 24:7) […]. Apenas
algumas semanas se passaram antes que violassem sua aliança com Deus e se
curvassem para adorar uma imagem esculpida. Não poderiam esperar o favor de
Deus mediante uma aliança que tinham quebrado; e agora, vendo sua índole
pecaminosa e a necessidade de perdão, foram levados a sentir que necessitavam
do Salvador revelado na aliança abraâmica” (Ellen G. White, Patriarcas
e Profetas, p. 371, 372).
Infelizmente, por não renovarem sua devoção a Cristo diariamente,
muitos cristãos estão, de fato, servindo ao pecado, por mais que detestem
admiti-lo. Eles racionalizam e argumentam que, na realidade, estão passando
pela experiência normal da santificação e que simplesmente ainda têm um longo
caminho a percorrer. Assim, em vez de levarem a Cristo pecados conhecidos e
pedir a vitória sobre eles, essas pessoas se escondem atrás de Romanos 7, que
lhes diz, pensam elas, que é impossível fazer o que é certo. Na verdade, esse
capítulo revela que é impossível fazer o certo quando uma pessoa é escrava do
pecado, mas a vitória é possível em Jesus Cristo.
Questionario
Você tem vencido
o pecado e o próprio eu, conforme a promessa de Cristo? Se não, por quê? Quais
escolhas erradas você tem feito?
Quinta-feira, 23 de novembro Ano Bíblico: 1Co 8–10
Salvo da morte
9. Leia
Romanos 7:21-23. Você tem experimentado essa mesma luta em sua vida?
Nessa passagem, Paulo equiparou a lei em seus membros (seu corpo) à lei
do pecado. Ele disse que serviu, “segundo a carne”, à “lei do pecado” (Rm
7:25). Porém, servir ao pecado e obedecer à sua lei significa morte (veja Rm
7:10, 11, 13). Portanto, enquanto seu corpo funcionava em obediência ao pecado,
ele podia ser descrito adequadamente como “o corpo desta morte”.
A lei da mente é a lei de Deus, a revelação da Sua vontade. Sob a
convicção do Espírito Santo, Paulo consentiu com essa lei. Sua mente decidiu
guardá-la, mas quando ele tentou fazer isso, não conseguiu porque seu corpo
desejava pecar. Quem já não sentiu essa mesma luta? Em sua mente, você sabe o
que deseja fazer, mas seu corpo clama por algo diferente.
10. De acordo com Romanos 7:24, 25, como podemos ser resgatados dessa
situação difícil em que nos encontramos? Assinale a alternativa correta:
A.(
) Mediante nossas boas obras.
B.(
) Por meio de Jesus Cristo.
Alguns têm se perguntado por que, depois de alcançar o glorioso clímax
na expressão “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor”, Paulo se referiu
mais uma vez às lutas espirituais das quais, aparentemente, ele tinha sido
libertado. Alguns entendem a expressão de ação de graças como uma exclamação
entre parêntesis. Eles acreditam que essa exclamação segue naturalmente o
clamor: “Quem me livrará”? Sustentam que, antes de prosseguir com uma discussão
prolongada sobre a gloriosa libertação (Rm 8), Paulo resumiu o que ele havia
dito nos versículos anteriores e reconheceu, mais uma vez, o conflito contra as
forças do pecado.
Outros têm sugerido que, com a expressão “eu, de mim mesmo” Paulo quis
dizer “entregue a mim mesmo, deixando Cristo fora da questão”. Seja qual for o
entendimento de Romanos 7:24, 25, um ponto deve permanecer claro: sozinhos, sem
Cristo, somos impotentes contra o pecado. Com Cristo, temos nova vida nEle, e
embora o eu sempre apareça, as promessas de vitória são nossas se escolhermos
reivindicá-las. Assim como ninguém pode respirar, tossir ou espirrar por você,
ninguém pode escolher se render a Cristo por você. Só você pode fazer essa
escolha. Não há outra maneira de obter as vitórias prometidas a nós em Jesus.
Sexta-feira, 24
de novembro Ano Bíblico: 1Co 11–13
Estudo adicional
“Não há segurança nem repouso
nem justificação na transgressão da lei. O homem não pode esperar colocar-se
inocente diante de Deus e em paz com Ele, mediante os méritos de Cristo, se ao
mesmo tempo continua em pecado” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas,
v. 1, p. 213).
“Paulo desejava que seus irmãos vissem que a grande glória de um
Salvador que perdoa o pecado era o que dava significado a todo o sistema
judaico. Desejava que vissem também que, quando Cristo veio ao mundo e morreu
como sacrifício pelo homem, o tipo encontrou o antítipo.
“Depois que Cristo morreu na cruz como oferta pelo pecado, a lei
cerimonial não podia mais ter vigência. Todavia, achava-se ligada à lei moral e
era gloriosa. O todo trazia o sinete da divindade, e exprimia a santidade,
justiça e retidão de Deus. E se era glorioso o ministério da dispensação que
devia terminar, quanto mais não deveria ser gloriosa a realidade, quando Cristo
fosse revelado, concedendo a todos os que criam Seu Espírito vitalizante e
santificador?” (Comentários de Ellen G. White, Comentário Bíblico
Adventista do Sétimo Dia, v. 6, p. 1220).
Pergunta para discussão
1. “Romanos
7:25 […] é a passagem mais clara de todas, e dela aprendemos que um mesmo homem
(crente) serve, ao mesmo tempo, à lei de Deus e à lei do pecado. Ele é,
‘ao mesmo tempo, justificado e ainda continua sendo pecador’ (em latim, simul
iustus et peccat); pois não diz: ‘Minha mente é escrava da lei de Deus’;
nem diz: ‘Minha carne é escrava da lei do pecado’; mas sim: “Eu, de mim mesmo’.
Ou seja, o homem completo, uma única e a mesma pessoa, está nessa escravidão
dupla. […] Ele agradece a Deus por ser escravo da Sua lei e pede misericórdia
por servir à lei do pecado. Mas ninguém pode dizer que uma pessoa carnal (não
convertida) é escrava da lei de Deus. O apóstolo quis dizer: Veja, é
exatamente como eu disse antes: os santos (crentes) são, ao mesmo tempo,
pecadores e justos. […]. Eles são como doentes tratados por um médico. Esperam
melhorar e estão começando a se recuperar. Estão prestes a reaver a saúde.
Esses pacientes sofreriam o maior prejuízo se afirmassem arrogantemente que
estão bem, pois sofreriam uma recaída pior (do que sua doença inicial)”
(Martinho Lutero, Commentary on Romans[Comentário Sobre Romanos],
p. 114, 115). Você concorda com o que Lutero escreveu? Comente com a classe.
Respostas e atividades da semana: 1. F; F. 2. Divida a
classe em duplas. Peça aos alunos que estudem o texto e, juntos, formulem a
melhor resposta. No final da atividade, pergunte se alguma dupla gostaria de
compartilhar sua resposta. 3. A. 4. A. 5. F;
V. 6. Escolha um aluno para responder a essa questão. Peça que
compartilhe sua resposta com a classe. 7. Incentive os alunos
a tomar nota de suas lutas. Solicite que eles levem as lutas descritas nas
anotações a Deus em oração. 8. Enumere os argumentos de Paulo
em uma folha de papel. Pergunte aos alunos quais desses argumentos eles
consideram difíceis de entender. Como eles podem simplificá-los? 9. Resposta
pessoal. 10. B.
Resumo da Lição 8
Quem é o homem de Romanos
7?
TEXTO-CHAVE: Romanos 7:4-6
O ALUNO DEVERÁ
Saber: Que Paulo nos convida a deixar a velha identidade, descrita pelos
termos lei–pecado–morte, e assumirmos a nova identidade de pessoas unidas a
Cristo.
Sentir: Celebrar a realidade da nossa união matrimonial com Cristo e o
conhecimento de que o Espírito será plenamente ativo nessa união.
Fazer: Dar frutos para Deus de um modo que jamais foi possível fora da união
com Cristo.
ESBOÇO
I. Saber: Jesus não aceita que fiquemos divididos entre Ele e a lei
A. Se a lei é santa, justa, boa e espiritual, por que Paulo continua
incentivando seus leitores a se identificarem mais uma vez com Cristo e não com
a lei?
B. Por
que não podemos estar casados com os dois: Cristo e a lei? O que Paulo temia,
caso tentássemos viver entre os dois?
II. Sentir: morte e novo casamento
A. O
que significa “morrer” para algo a fim de “viver” para outra coisa ou outra
Pessoa?
B. Por
que o casamento é uma metáfora adequada para descrever a união com Cristo?
III. Fazer: Obediência pelo Espírito
A. Qual é a diferença entre servir no novo modo do Espírito e servir
segundo a velha forma da Lei escrita (Rm 7:6)?
B. Em
relação à questão anterior, a natureza dessa obediência é a
mesma, é diferente ou é um pouco de cada?
RESUMO: O capítulo 7 de Romanos amplia os contrastes de Romanos 6, mas explica
de modo mais completo como a luta entre as duas experiências – lei/pecado/morte
versus Cristo/Espírito/obediência/vida – se desenrola em nossa vida.
Ciclo do aprendizado
Motivação
Focalizando as Escrituras: Romanos 7:1-14
Conceito-chave para o crescimento espiritual: Por melhor que seja a
lei, ela falha em produzir a obediência e a vida que se espera do povo de Deus.
Em certo sentido, ela parece agravar o problema do pecado. Paulo cuidadosamente
começou a substituir a lei como fonte primária de identidade, ao mesmo tempo em
que a confirma e a defende. Porém, em vez da lei, conecta seus leitores à nova
identidade em Cristo. Os resultados são Espírito, vida e, ironicamente,
verdadeira obediência à lei.
Para o professor: Como igreja, repetimos muitas das afirmações paulinas acerca da
lei, mas, às vezes, temos dificuldade para explicar suas avaliações negativas
sobre a lei. Preste muita atenção na maneira pela qual Paulo descreveu o
fenômeno da lei em Romanos 7 e oriente os alunos para que permitam que o
apóstolo explique a si mesmo.
Discussão inicial: Se você é adventista do sétimo dia, as críticas de
outros cristãos podem ser firmes e furiosas. Eles dizem: “Você ainda vive
debaixo da antiga aliança”; “Somos salvos pela graça, não pela lei”; “Os
mandamentos foram cravados na cruz”; “Você é legalista”; “Paulo diz isso e
aquilo”, e assim por diante. Qual é a nossa resposta?
Quando os outros usam os comentários negativos de Paulo acerca da lei
contra nós, somos tentados a bombardear as pessoas com versos que apoiam a lei
nos textos de Paulo, João e Tiago, e nas declarações de Jesus. No entanto, essa
estratégia apenas coloca partes da Bíblia contra a própria Bíblia. O que pode
deixar uma impressão mais duradoura em nossos ouvintes é aproveitar os mesmos
textos que as pessoas estão usando contra nós e explicar dentro do seu contexto
o que eles realmente significam. Essa abordagem é especialmente crucial para
lidar com Romanos 6 e 7.
Perguntas para discussão
1. Ao
tratar de controvérsias a respeito da lei, por que é mais eficaz permanecer com
os argumentos de Paulo, em vez de usar versos de outros livros?
2. Embora
Romanos 7 esteja envolvido em controvérsia atualmente, será que houve polêmica
quando a epístola foi lida aos romanos pela primeira vez? Explique.
Compreensão
Para o professor: Romanos 7 é uma expansão de Romanos 6. Por isso,
procure ideias paralelas que Paulo repetiu e ampliou. Dê uma olhada em Romanos
8, porque várias linhas de pensamento de Paulo aparecem juntas ali, e você
precisa ter certeza de que suas conclusões estejam de acordo com Romanos 8.
Comentário bíblico
I. Um funeral e um novo casamento
(Recapitule com a classe Romanos 7:1-4.)
Paulo une duas metáforas – morte e casamento – para explicar uma
profunda transição que ocorreu em resultado da chegada da era messiânica. A
ilustração mostra dois maridos e uma esposa, mas a interpretação é
conceitualmente complicada porque aquele que morre (“Vós morrestes”) é a mesma
pessoa que se casa novamente (“Para pertencerdes a outro”). Esse significado
contém a ideia de que o pronome “vós” representa a esposa casada com um marido.
O outro esposo é o que “ressuscitou dos mortos” (Rm 6:9), ou seja, Jesus.
Juntando tudo, Paulo diz que você morreu para que você possa
se casar novamente. Nesse contexto, aquele que morreu é o mesmo que “morreu
para o pecado”, pois o “velho homem foi crucificado” para que o “corpo do
pecado” fosse destruído (Rm 6:2, 6). No entanto, da mesma forma que morremos
com Cristo em Sua crucifixão, também vivemos por meio de Sua
ressurreição (Rm 6:4). Assim, já foi mencionado que a mesma pessoa pode morrer
e também viver novamente. Portanto, ser uma esposa morta que torna a viver não
é tão estranho.
Alguns erroneamente concluíram que a lei é um dos maridos mortos. No
entanto, é para a lei que o indivíduo morre. A lei
não morre, mas morre o nosso relacionamento com ela. Na ilustração, a lei é o
vínculo que mantinha a mulher ligada ao primeiro marido. A morte foi o meio
pelo qual esse laço foi quebrado para que houvesse o novo casamento com Cristo.
Essa é uma diferença sutil e crucial.
O que significam todas essas nuances sutis, e qual é a mensagem
principal de Paulo? Em primeiro lugar, note a quem ele se dirigiu: “Falo aos
que conhecem a lei” (Rm 7:1). Esses são judeus e/ou prosélitos judeus. A
identidade deles, tanto étnica quanto religiosa, estava completamente ligada à
lei de um modo que a maioria de nós, gentios do século 21, teria dificuldade
para entender. No entanto, nesse Homem de Nazaré, Deus apresentou a maior
revelação de Sua justiça salvífica, e embora testemunhada pela lei, essa
revelação é “independente da Lei” (Rm 3:21, NVI).
Em certo sentido, a luta de Paulo era que o “bom estava se tornando
inimigo do melhor”, por assim dizer. Provou-se difícil fazer a transição da
observância da lei como fonte da identidade nacional (com os seus rituais
no templo, os tipos e os sinais da aliança [como a circuncisão, etc.] para uma
nova identidade que girava em torno de um Messias morto e ressurreto. Mas Paulo
sabia que o povo de Deus está agora na era messiânica, do Novo Testamento, e a
história de Israel passou para o último capítulo. Ele queria encorajá-los a
acompanhar os dinâmicos movimentos proféticos de Deus.
Pense nisto: Conservar em mente a história de Israel pode nos ajudar a compreender
alguns dos argumentos de Paulo? Pensando nos ensinos de Cristo acerca da lei,
que tipo de vida pode o cristão esperar quando se “casa” com Ele?
II. O pecado explora a lei
(Recapitule com a classe Rm 7:5-14.)
Outro motivo, pouco enfatizado, que Paulo apresenta aos leitores para a
necessidade de morrer “para a lei” (Rm 7:4) é o tema que está sendo
desenvolvido, de que o pecado tira vantagem da lei para seus próprios objetivos.
Observe a progressão dos versos nesse sentido: “Sobreveio a lei para que
avultasse a ofensa”; “as paixões pecaminosas postas em realce pela lei operavam
em nossos membros, a fim de frutificarem para a morte”; “o pecado, tomando
ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda sorte de concupiscência”; “o
mandamento que me fora para vida, verifiquei que este mesmo se me tornou para
morte”; “porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento,
me enganou e me matou” (Rm 5:20; 7:5, 8, 10, 11). Como algo tão bom e santo
como a lei (Rm 7:12) poderia parecer cúmplice do pecado e da morte?
A resposta está na pressuposição que Paulo apresenta claramente em pelo
menos três versos: (1) “Quando vivíamos segundo a carne, as paixões
pecaminosas postas em realce pela lei operavam em nossos membros, a fim de
frutificarem para a morte” (Rm 7:5, itálicos acrescentados); (2) “Bem sabemos
que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à
escravidão do pecado” (Rm 7:14, itálicos acrescentados); (3) “O que fora
impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus
(Rm 8:3, itálicos acrescentados). Quando a carne – ou a natureza carnal que é
radicalmente oposta à lei (Rm 8:7, 8) – é confrontada com a lei, o resultado é
o pecado e a morte, e pode parecer que a lei esteja causando os dois. No
entanto, essa conclusão não é verdadeira, e Paulo enfaticamente negou que a lei
seja culpada. Paulo declarou: “É a lei pecado? De modo nenhum!” “Acaso o bom se
me tornou em morte? De modo nenhum!” (Rm 7:7, 13). Toda a culpa deve estar à
porta do pecado; embora a lei tenha um papel na dinâmica entre o pecado e a
morte, ela é inocente.
Paulo previu que essas conexões inesperadas entre pecado e lei
escandalizariam alguns. Por causa disso, Romanos 7 permanece como a mais forte
apologia (defesa) da lei em todos os escritos de Paulo.
Pense nisto: Em suas palavras, explique a dinâmica da lei, pecado, morte e carne que
atua em Romanos 7. Por que Paulo precisou defender a lei com tanto vigor à luz
dos seus próprios argumentos?
Aplicação
Para o professor: Se há um forte grupo legalista em sua igreja, é
essencial que a identidade das pessoas passe a ser fundamentada no
relacionamento com Cristo, e não nas regras. Por outro lado, para o período
antinomiano em que estamos inseridos, a defesa que Paulo fez da lei é bem
apropriada. Conheça seu público e ministre de acordo com a necessidade dele.
Perguntas para reflexão
1. Quais
conexões você vê entre os dois maridos do início do capítulo e a luta interior
descrita no final do capítulo?
2. O
que Romanos 7 tem a dizer para a pessoa que se sente dominada pelo pecado?
Criatividade e atividades práticas
Para o professor: Nem sempre é fácil compreender os escritos de
Paulo. No entanto, muitas vezes ele gostava de dizer a mesma coisa de
diferentes maneiras. Se não entendermos de uma forma, há esperança de
percebermos o ensino em outras partes de seus textos. Mostre um exemplo dessa
repetição e reafirmação nos escritos paulinos e motive os alunos a perseverar
com Paulo.
Atividades
1. Pense
em Romanos 7 como um comentário sobre o capítulo 6, ou vice-versa, e veja
quantos versos você encontra de um capítulo que influenciam versos do outro
capítulo.
2. Leia
Romanos 1–8 de uma só vez com alguns amigos. Compartilhem as ideias que surgirem
ao observar o quadro mais amplo, em vez de uma leitura de versos isolados.
Planejando atividades: O que sua classe pode fazer na próxima semana
como resposta ao estudo da lição?
Carta Missionaria
Futebol e evangelismo
Os meninos do bairro que jogam futebol no time de um treinador
adventista do sétimo dia, no Tajiquistão, têm mais preocupações do que os
cartões amarelo e vermelho. Eles também tentam evitar o cartão especial azul. O
treinador, Bakhriddin [pronuncia-se
Baquiridin], mostra o cartão azul quando escuta um jogador falar palavrões. Se um jogador recebe dois cartões azuis, ele está fora do jogo.
Baquiridin], mostra o cartão azul quando escuta um jogador falar palavrões. Se um jogador recebe dois cartões azuis, ele está fora do jogo.
Os pais gostam da disciplina que Bakhriddin exige de seus jogadores.
Eles notam que seus filhos ajudam mais em casa por causa da disciplina que aprendem
no campo de futebol. Os meninos falam cada vez menos palavrões e não
desperdiçam mais tanto tempo em jogos de computador.
Um novo modelo de evangelismo
O time de futebol é parte dos esforços da igreja adventista para
alcançar os vizinhos no Tajiquistão, um país sem litoral na Ásia Central e que
é predominantemente muçulmano. Existem ali somente 204 irmãos adventistas. Mais
de 1.000 membros da Igreja deixaram o Tajiquistão na última década devido à
instabilidade. Os líderes da Igreja dizem que é difícil compartilhar Jesus com
a população porque o evangelismo público é proibido.
No entanto, os líderes da Igreja estão esperançosos porque 18 pessoas
foram batizadas em 2016, como resultado das orações e de programas de
evangelismo. Eles trabalham para desenvolver mais programas de evangelismo,
como o time de futebol. Planejam estabelecer uma escola de inglês, realizar
feiras de saúde e exposições sobre família, além de apoiar um pequeno, mas
popular, clube de ciclismo. Esses programas criam oportunidades para
desenvolver amizades com vizinhos e contribuem para o desenvolvimento da
sociedade.
Parte da oferta deste trimestre será destinada a realizar programas de
evangelismo como o time de futebol no Tajiquistão.
Missão inesperada
O time de futebol joga em um campo próximo à única igreja adventista na
capital do Tajiquistão, Dushanbe. O time foi formado em 2015, quando as
crianças da vizinhança viram um membro da igreja adventista jogando no campo e
pediram que ele fosse o seu técnico. Imediatamente, Bakhriddin abraçou a ideia
de trabalhar com as crianças e criar laços de amizade que pudessem se estender
aos seus pais. Esse projeto não requeria muitos gastos – somente três bolas de
futebol, um apito e um cronômetro. Bakhriddin recebeu o certificado da Confederação
Asiática de Futebol, o órgão dirigente do esporte na Ásia, para ser treinador
de futebol infantil.
Atualmente, Bakhriddin dirige dois ou três jogos por semana. De cada
sessão de treinamento de 90 minutos, 15 minutos são reservados para aulas sobre
princípios morais. Os meninos, com idades entre 11 e 13 anos, têm que parar de
usar drogas e outras substâncias nocivas quando passam a se envolver com o
esporte.
Como resultado desse trabalho, durante um jogo de futebol, nenhum
cartão azul como punição para os palavrões foi mostrado. Os rapazes correram
atrás da bola com determinação mesmo sob leve chuva. Eles sorriam sempre que o
treinador se dirigia a eles. Meia dúzia de rapazes assistiu ao jogo, desejando
fazer parte do time. O treinador disse que os espectadores teriam a
oportunidade de se juntar à equipe.
Depois do futebol, os pais convidam o técnico para visitar suas casas
para beber chá e conversar.
“Os pais estão felizes, pois as crianças estão comprometidas com o
esporte”, disse o técnico. “Eles falam: ‘Estamos felizes que o senhor organizou
esse time para colocar nossos filhos no bom caminho.’”
Por favor, orem pelo time de futebol, não para que ganhe os jogos, mas
para que conquiste mais pessoas para Jesus. E ajudem o evangelismo no
Tajiquistão e ao redor do mundo com as suas ofertas missionárias para a Escola
Sabatina.
Mensagem missionária
• O Tajiquistão se considera um Estado secular. A Constituição provê
liberdade religiosa, mas 98% da população são muçulmanos.
• Os primeiros adventistas, Ivan e Vasily Kosmjinin, viajaram para o
Tajiquistão em 1929.
• Existem apenas 204 adventistas no Tajiquistão, um adventista para
cada grupo de 39.215 habitantes. Eles buscam novas ideias para alcançar as
pessoas em seu país de maneira prática, e Deus está abrindo portas.
Comentário da Lição da Escola Sabatina – 4º
trimestre de 2017
Tema geral: Salvação somente pela fé: o livro de
Romanos
Lição 8: 18 a 25 de novembro
Quem é o homem de Romanos 7?
Autor: Pr. Clacir Virmes Junior, professor de Teologia na FADBA –
Cachoeira, Bahia.
Revisora: Rosemara Santos
Introdução
Romanos 7 é o coração da grande seção da Epístola aos Romanos que
inicia no capítulo 6 e vai até o capítulo 8. A controvérsia sobre a identidade
do homem descrito ali basicamente se divide em quatro posicionamentos. O homem
de Romanos 7 é: a) O próprio Paulo antes da conversão; b) O próprio Paulo
depois da conversão; c) Qualquer cristão antes da conversão ou d) Qualquer
cristão após a conversão. As variadas interpretações, na maioria das vezes,
estão condicionadas a diferentes entendimentos sobre o papel da santificação na
vida do cristão. Outra maneira de enxergar o capítulo é ver nele a discussão de
Paulo sobre o papel da lei na vida do cristão.
Morto para a lei
Paulo traça uma analogia entre a vida do crente e a instituição do
casamento. Os pontos de contato entre a vida cristã e o casamento se alternam
ao longo da discussão apostólica. Num primeiro momento, o crente é identificado
com a esposa cujo marido faleceu e, assim, está livre para contrair novas
núpcias. Em seguida, em Romanos 7:4, Paulo diz que foram os cristãos que
morreram para a velha vida, vivendo agora não para o pecado, mas para Deus.
Por mais complexo que isso possa parecer, a grande conclusão do
apóstolo está em Romanos 7:6. Paulo diz que estamos libertos da lei uma vez que
morremos para aquilo a que estávamos sujeitos. Como veremos no verso 7, Paulo
não estava descartando a lei. Sua ênfase é que, uma vez que a lei mostra o
pecado e me condena, se eu morri para a velha vida, a lei já não exerce sua
função condenatória sobre mim. Vivo em novidade de vida, livre das amarras
cerimoniais da lei e apto a cumprir os preceitos étnicos da lei por amor.
Pecado e lei
O apóstolo inicia declarando taxativamente que, apesar de mostrar o
pecado, a lei em si mesma não é o pecado. O propósito da lei é detectar o que
está errado em nossa vida. Note que o mandamento citado por Paulo é o último do
decálogo (Êx 20:3-17). Se você analisar os outros nove mandamentos, todos eles
implicam numa ação externa; o décimo mandamento lida com os pensamentos e
intenções. Assim, a lei detecta o que há de errado comigo não só exteriormente,
mas internamente também.
Outro aspecto que deve ser lembrado é a ampliação feita por Jesus, no
Sermão do Monte, quanto ao sentido mais profundo da lei. Ali, Cristo mostra que
o pecado tem uma raiz mais profunda do que simplesmente o ato exterior. Por
exemplo, o mandamento “não adulterarás” não acontece só quando há uma relação
sexual ilícita. O adultério já acontece na mente, quando ocorre a intenção
impura do coração. O ato físico é mera expressão do pecado que antes havia
brotado no interior. Portanto, não é só a cobiça que está ligada aos
pensamentos e intenções, mas todos os pecados.
Romanos 7:11 muitas vezes deixa os leitores de Paulo com a impressão de
que ele culpa a lei de enganar o crente. Contudo, o que acontece é que o pecado
é que engana através do mandamento: “o pecado [...], pelo mesmo mandamento, me
enganou [...]”. O apóstolo parece ter em mente aqui a história da Queda. Em
grego, a expressão paulina ecoa Gênesis 3:13. Além disso, o verbo exapata? (“enganar”)
é usado constantemente na literatura paulina com referência ao primeiro pecado
(2Co 11:3; 1Tm 2:14). Na ocasião, a serpente usou o mandamento de Deus (Gn
2:17) para enganar Eva. O pecado em nossa natureza caída faz a mesma coisa, usa
aquilo que é bom, a lei, para nos fazer transgredir. No contexto da Epístola
aos Romanos, isso parece estar ligado à tentativa de ser salvo pela prática da
lei. Nesse sentido, o pecado usa a lei santa para enganar a pessoa quando ela
pensa que observar os mandamentos é o que a salva.
A lei é santa
Em Romanos 7:12, Paulo chega à conclusão de que, em nossa relação com a
lei, o problema está conosco e não com ela. A lei e seus mandamentos são
santos, justos e bons. A questão é que ao nos depararmos com a lei, ela mostra
a malignidade do pecado em nós. Assim, ela cumpre sua função de nos
levar a Cristo.
O “portanto” que inicia Romanos 7:12 é importante. O apóstolo havia
acabado de mostrar como a lei amplia a percepção do pecado. Sua conclusão é que
apenas algo santo, justo e bom poderia fazer isso. Note a lógica apostólica: se
a lei fosse pecado (um pensamento com o qual Paulo já lidou anteriormente na
carta), como ela poderia mostrar a malignidade do pecado? O real caráter da
pecaminosidade humana só pode ser revelado quando contrastado com algo que lhe
é extremamente oposto. É por isso que, tendo demonstrado que a lei realça o
pecado, o apóstolo pode concluir que ela é exatamente o contrário do pecado.
O homem de Romanos 7
Paulo continua desenvolvendo seu argumento sobre o conflito entre nossa
natureza corrompida pelo pecado e a santa lei do Senhor. O apóstolo declara, no
verso 16, em outras palavras, que não é natural fazer a vontade de Deus. Isso é
contrário à nossa constituição natural. Já no verso 17, levando em conta que o
cristão entende o papel da lei em sua vida, Paulo afirma que seus deslizes se
devem, não à sua vontade consciente, mas à natureza pecaminosa que ainda não
foi erradicada, dado que, de vez em quando, ela irrompe, mesmo que não
queiramos.
Os versos 18-20 são a descrição apostólica dessa luta. É importante
ressaltar aqui que, pelo contexto, Paulo está discutindo o conflito que se
estabelece na vida daquele que entendeu e abraçou a vontade de Deus. Além
disso, o apóstolo está escrevendo para cristãos, pessoas que tinham um
relacionamento com Cristo. Assim, mesmo os justificados pela fé, que estão
crescendo em santidade, terão que lidar constantemente com sua natureza
pecaminosa até o dia em que sejam revestidos com a incorruptibilidade (1Co
15:53-57).
Um ponto importante que precisa ser ressaltado nesse contexto é uma expressão
que ocorre nos versos 17 e 20. Paulo usa a expressão “o pecado que habita em
mim”. A palavra que foi traduzida pela expressão “que habita” é o
particípio oiko?sa. Em grego, esse particípio está no tempo
presente, o que poderia ser traduzido pela expressão “que está habitando”,
enfatizando a continuidade do pecado. O destaque de Paulo parece ser a condição
pecaminosa e não simplesmente os atos externos. O apóstolo está descrevendo um
aspecto às vezes negligenciado nas discussões atuais sobre a pecaminosidade
humana. O pecado não é simplesmente um ato, mas uma condição; o pecado
“habita”, “está habitando” em nós.
Embora de maneira imprecisa, poderíamos ilustrar a ênfase do apóstolo
da seguinte maneira: por alguma razão, após fazer um exame de sangue, você é
diagnosticado com AIDS. A partir daí você é um portador do vírus. Se você tomar
o coquetel de remédios fornecido pelo ministério da saúde, sua doença, na
melhor das hipóteses, não se manifestará, mas isso não mudará sua condição:
você ainda é um portador do vírus. Do mesmo modo, somos pecadores; o pecado
habita em nós. O evangelho faz com que essa natureza caída não tome conte de
nós, mas nossa condição pecaminosa permanece. A boa notícia é que ela será
extirpada de nós na volta de Jesus. Então, não só a atuação do Espírito Santo
em nós, mas nossa própria natureza, transformada, terá anseio constante apenas
pela santidade e não mais para o pecado.
Salvo da morte
A imagem culminante em Romanos 7:21-24 é a frase “Quem me livrará do
corpo desta morte”. Alguns intérpretes têm advogado que a imagem usada por
Paulo se refere a um tipo de castigo ou suplício implementado pelos romanos. Um
corpo em estado de putrefação era amarrado a um prisioneiro; assim, à medida
que o cadáver apodrecia ele ia apodrecendo também o corpo do condenado.
No artigo intitulado “Quem me livrará do corpo desta morte? Paulo e a
necroforia em Romanos 7:24”, o Dr. Milton Torres (2010) explica que há três
possíveis fontes para essa ideia. Uma seria um acontecimento ligado à história
dos gregos, no qual piratas etruscos supostamente teriam infligido tal tortura
a prisioneiros gregos. Outra possibilidade seria o uso da palavra grega necroforia,
que basicamente se referia ao transporte de cadáveres e poderia ser usada
figurativamente para referir-se a esse tipo de castigo. Por fim, a fonte dessa
interpretação seria a explicação dada pelos primeiros cristãos.
Contudo, Torres demonstra que não há indícios de que os etruscos tenham
realmente se valido desse expediente e, mesmo que o tivessem, a prática estava
associada a eles e não aos romanos. Depois, o uso da palavra grega necroforia estava
mais associado ao ensino do dualismo grego entre corpo e alma, o que não parece
ser o caso da argumentação apostólica. Por fim, o uso que os primeiros cristãos
fizeram do verso não tem qualquer relação com essa prática.
A explicação mais simples parece ser a seguinte: Paulo está desesperado
ao perceber que, deixado ao seu próprio querer, o seu corpo, por estar
impregnado pelo pecado, inevitavelmente o levará à morte. Contudo, a exclamação
de Romanos 7:25 é a solução para esse problema: graças a Deus por Jesus Cristo.
Por Sua graça, não preciso mais ser escravo da minha tendência pecaminosa.
Posso viver a lei de Deus em minha vida porque ela está gravada em minha mente,
na sede de comando do meu corpo. Pela graça de Jesus, não ando mais como
escravo, mas livre para cumprir Sua vontade em minha vida.
Conclusão
Três coisas parecem claras a partir do estudo de Romanos 7. Primeira, a
graça não anula a lei; o que ela faz é mudar a relação do cristão em relação à
vontade de Deus. Segunda, nós todos passamos pelo conflito entre nossa natureza
pecaminosa caída, nossa tendência para o mal, e o padrão perfeito da lei do
Senhor. Esse é um conflito que só terá seu fim definitivo na volta de Jesus.
Por fim, a grande solução para esse dilema não está em nossos esforços, mas na
pessoa maravilhosa de Cristo. Que exclamemos todos como Paulo: “Graças a Deus
por Jesus Cristo”!
TORRES, Milton L. Quem me livrará do corpo desta morte? Paulo e a
necroforia em Romanos 7:4. Hermenêutica, Cachoeira, v. 10, n. 1. p.
5-22, 2010.
Autor do comentário: Clacir Virmes Junior é graduado em Sistemas de
Informação (2005) pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) e em
Teologia (2010) pelo Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, sede
Bahia (SALT-FADBA). É mestre em Teologia Bíblica (2014) pelo mesmo seminário e
mestre em Ciências das Religiões (2015) pela Universidade Federal da Paraíba
(UFPB). Exerceu as funções de pastor distrital durante 5 anos (2011-2015) na
Missão Nordeste (MN) da União Nordeste Brasileira (UNeB). Desde 2016 é
professor de Novo Testamento e coorderna as atividades de extensão no
SALT-FADBA. É casado com a Drª. Daniella Cláudia Barbosa Ângelo Virmes, médica,
especialista em Medicina de Família e Comunidade (2015) pela UFPB e membro da
Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (2016).

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