Lição 7 De 12 a 17 de Novembro
Sábado à tarde Ano Bíblico: At 16–18
VERSO
PARA MEMORIZAR: “O pecado não terá domínio
sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça” (Rm 6:14).
LEITURAS
DA SEMANA: Rm 6; 1Jo 1:8–2:1
Se as obras não
podem nos salvar, por que se preocupar com elas? Por que não continuar pecando?
O capítulo 6 é a
resposta de Paulo a essa importante pergunta. O apóstolo estava tratando do que
comumente se entende por “santificação”, o processo pelo qual vencemos o pecado
e refletimos cada vez mais o caráter de Cristo. A palavra santificação,
que vem do termo grego hagiasmos, aparece apenas duas vezes no
livro de Romanos (nos versos 19 e 22 do capítulo 6).
Isso significa
que Paulo não tinha nada a dizer sobre o que comumente se entende por
santificação? De maneira nenhuma!
Na Bíblia,
“santificar” significa “dedicar”, geralmente a Deus. Portanto, “ser
santificado” é muitas vezes apresentado como um ato passado e concluído. Por
exemplo, Paulo mencionou “todos os que são santificados” (At 20:32). Os
santificados, nessa definição, são os que foram dedicados a Deus.
No entanto, esse
uso bíblico de “santificar” de maneira nenhuma nega a importante doutrina da
santificação, nem o fato de que a santificação é obra de uma vida. A Bíblia
endossa firmemente essa doutrina, mas geralmente usa outros termos para
descrevê-la.
Nesta semana,
contemplaremos outro aspecto da salvação pela fé, que facilmente pode ser mal
interpretado: as promessas de vitória sobre o pecado na vida de alguém salvo
por Jesus.
Domingo, 12 de novembro Ano Bíblico: At 19–21
Onde o pecado abundou
Em Romanos 5:20,
Paulo fez uma declaração poderosa: “Onde abundou o pecado, superabundou a
graça”. Sua mensagem é que, não importa quanto pecado haja ou quanto seja
terrível seu resultado, a graça de Deus é suficiente para lidar com essa
questão. Que esperança isso traz para cada um de nós, especialmente quando
somos tentados a sentir que nossos pecados são muito grandes para serem
perdoados! Em Romanos 5:21, Paulo mostrou que, embora o pecado tenha levado à
morte, a graça de Deus por intermédio de Jesus venceu a morte e pode nos dar a
vida eterna.
1. Leia
Romanos 6:1. Qual lógica Paulo estava combatendo? Como, em Romanos 6:2-11, ele
respondeu a esse tipo de pensamento?
No capítulo 6,
Paulo seguiu uma linha de argumentação interessante em relação à razão pela
qual uma pessoa justificada não deve pecar. Para começar, ele disse que não
devemos pecar porque morremos para o pecado. Em seguida, explicou o que ele
quis dizer.
A imersão nas
águas do batismo representa sepultamento. O que está sepultado? O “velho homem”
do pecado, isto é, o corpo que comete pecado, a pessoa dominada pelo pecado.
Por isso, o “corpo do pecado” é destruído, de maneira que já não servimos ao
pecado. Em Romanos 6, o pecado é personificado como senhor que governa seus
servos. Uma vez que o “corpo do pecado” é destruído, cessa o domínio do pecado
sobre esse corpo. Aquele que se levanta da sepultura das águas, ressurge como
uma nova pessoa que não serve mais ao pecado. Ele agora anda em novidade de
vida.
Cristo, tendo
morrido, morreu de uma vez por todas, mas Ele agora vive eternamente. Portanto,
o cristão batizado morreu para o pecado de uma vez por todas e nunca mais deve
ser dominado por ele. É claro que, como todo cristão batizado sabe, o pecado
não desaparece automaticamente da nossa vida quando saímos das águas
batismais. Não ser governado pelo pecado não é o mesmo que não ter que
lutar contra ele.
“A partir disso,
entendemos claramente o que significam as palavras do apóstolo. Todas as
declarações, como: (1) ‘mortos para o pecado’, (2) ‘vivos para Deus’, etc.,
significam que não cedemos às nossas paixões pecaminosas e pecados, ainda que o
pecado continue em nós. No entanto, o pecado permanece em nós até o fim da
nossa vida, como lemos em Gálatas 5:17: ‘A carne milita contra o Espírito, e o
Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si’. Portanto, todos os
apóstolos e santos confessam que o pecado e as paixões pecaminosas permanecem
em nós até que o corpo seja transformado em cinzas, e um novo corpo (glorificado)
seja ressuscitado, livre das paixões e do pecado” (Martinho Lutero, Commentary
on Romans [Comentário Sobre Romanos], p. 100).
Segunda-feira, 13 de Novembro Ano Bíblico: At 22, 23
Quando o pecado reina
2. Qual
advertência encontramos em Romanos 6:12? Assinale a alternativa correta:
A.(
) Não devemos cometer mais pecados, pois se o fizermos, pecaremos contra o
Espírito Santo, pois fomos batizados.
B.(
) Precisamos evitar que o pecado reine em nosso corpo mortal, de modo que
obedeçamos às suas paixões.
A palavra
“reine” mostra que o pecado é representado nessa passagem como um rei. O termo
grego aqui traduzido como “reine” significa, literalmente, “ser rei” ou “atuar
como rei”. O pecado está muito disposto a assumir o reinado de nosso corpo
mortal e ditar nosso comportamento.
Quando Paulo
disse “não reine, portanto, o pecado”, ele sugeriu que a pessoa justificada
pode optar por impedir que o pecado se estabeleça como rei em sua vida. É aqui
que entra a ação da vontade.
“O que devem
compreender é a verdadeira força da vontade. Esta é o poder que governa a
natureza do homem, o poder da decisão ou de escolha. Tudo depende da reta ação
da vontade. Deus deu ao homem o poder da escolha; a ele compete exercê-lo.
Vocês não podem mudar seu coração, não podem por vocês mesmos consagrar a Deus
as suas afeições; mas podem escolher servi-Lo. Podem dar-Lhe sua vontade; Ele
então realizará em vocês o querer e o efetuar, segundo a vontade dEle. Desse
modo toda a sua natureza será levada sob o domínio do Espírito de Cristo; suas
afeições serão centralizadas nEle; seus pensamentos estarão em harmonia com
Ele” (Ellen G. White, Caminho a Cristo, p. 47).
A palavra grega
traduzida como “paixões” em Romanos 6:12 significa “desejos”. Esses desejos
podem ser tanto pelas coisas boas quanto pelas ruins; quando o pecado reina,
ele nos faz desejar o mal. Os desejos são fortes e até irresistíveis se lutamos
contra eles por conta própria. O pecado é um tirano cruel que nunca está
satisfeito, mas que sempre volta para obter mais. Somente por meio da fé,
somente pela reivindicação das promessas de vitória podemos derrubar esse
senhor implacável.
Em Romanos 6:12,
a palavra “portanto” é importante. Ela retoma o que foi dito antes,
especificamente o que foi dito em Romanos 6:10, 11. A pessoa batizada vive
agora “para Deus”. Ou seja, o Senhor é o centro da sua nova vida. Ela serve
ao Criador, fazendo o que agrada a Ele, portanto, não pode servir ao
pecado ao mesmo tempo. Essa pessoa está viva “para Deus, em Cristo Jesus” (Rm
6:11).
Questionário
Na
citação de Ellen G. White acima, o conceito de livre-arbítrio é crucial. Como
criaturas morais, devemos ter livre-arbítrio: o poder de escolher entre o certo
e o errado, o bem e o mal, Cristo e o mundo. Nas suas últimas 24 horas, como
você usou o livre-arbítrio? O que você precisa mudar em sua vida?
Terça-feira, 14 de novembro Ano Bíblico: At 24–26
Não debaixo da lei, mas da graça
3. Leia
Romanos 6:14. Como entender esse texto? Ele significa que os Dez Mandamentos já
não são mais obrigatórios? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
A.(
) Quem anda debaixo da graça é livre da condenação da lei do pecado, pois o
pecado não mais o domina.
B.(
) Quem anda debaixo da graça pode pecar livremente, pois Jesus já pagou o preço
exigido pela lei.
Romanos 6:14 é
uma das principais declarações dessa carta. Além disso, é uma das passagens
frequentemente citadas quando alguém tenta argumentar que o sétimo dia, o
sábado, foi abolido.
No entanto,
obviamente não é isso que o texto significa. Como perguntamos antes, como a lei
moral poderia ser eliminada e o pecado ainda ser uma realidade? A lei moral é o
que define o pecado! Se você ler tudo o que vem antes em Romanos, mesmo no
capítulo 6, será difícil ver como, em meio a toda essa discussão sobre a
realidade do pecado, Paulo diria subitamente: “A lei moral que define o pecado,
isto é, os Dez Mandamentos, foi abolida.” Isso não faz sentido.
Paulo estava
dizendo aos romanos que a pessoa que vivia “debaixo da lei”, ou seja, debaixo
da estrutura judaica posta em prática em seu tempo, com todas as suas regras e
regulamentos feitos por homens, seria governada pelo pecado. Em contrapartida,
uma pessoa que vive debaixo da graça terá vitória sobre o pecado, porque a lei
está escrita em seu coração e essa pessoa permite que o Espírito de Deus guie
seus passos. Aceitar Jesus Cristo como o Messias, ser justificado por Ele, ser
batizado em Sua morte, ter o “velho homem” destruído, andar em novidade de vida
– são essas as coisas que destronarão o pecado de nossa vida. Lembre-se, esse é
o contexto de Romanos 6:14, o contexto da promessa de vitória sobre o pecado.
Não devemos
definir “debaixo da lei” de maneira muito restritiva. A pessoa que supostamente
vive “debaixo da graça”, mas desobedece à lei de Deus, não encontrará graça,
mas condenação. Quando a Bíblia diz que estamos “debaixo da graça” ela quer
dizer que, por meio da graça de Deus revelada em Jesus, foi removida a
condenação que a lei inevitavelmente traz aos pecadores. Portanto, livres agora
dessa condenação da morte trazida pela lei, vivemos em “novidade de vida”, uma
vida caracterizada pelo fato de que, estando mortos para nós mesmos, não somos
mais escravos do pecado.
Questionario
Você
tem experimentado a nova vida em Cristo? Quais são as evidências que revelam o
que Cristo fez em você? Quais coisas você tem se recusado a abandonar? Por que
deve abandoná-las?
Quarta-feira, 15 de Novembro Ano Bíblico: At 27, 28
Pecado ou obediência?
4. Leia Romanos 6:16. Qual conceito Paulo estava apresentando? Por
que não há meio-termo em seu argumento? Qual lição devemos extrair desse
contraste muito claro?
Paulo voltou ao argumento de que a nova vida de fé não concede
liberdade para pecar. A vida de fé torna possível a vitória sobre o pecado. Na
verdade, somente pela fé podemos ter a vitória prometida a nós.
Tendo personificado o pecado como um rei que reina sobre seus súditos,
Paulo retornou à figura do pecado como um senhor que exige a obediência de seus
servos. Ele mostrou que uma pessoa tem que escolher entre dois senhores. Ela
pode servir ao pecado, que leva à morte, ou pode servir à justiça, que leva à
vida eterna. Paulo não deixou nenhum meio-termo nem espaço para concessões. É
um ou outro, pois no final estaremos diante da vida eterna ou da morte eterna.
5. Leia Romanos 6:17. De que maneira Paulo ampliou o que ele havia
dito em Romanos 6:16?
Observe como, curiosamente, a obediência está ligada à doutrina
correta. A palavra grega didach?, traduzida como “doutrina”,
significa “ensino”. Os cristãos romanos tinham aprendido os princípios da fé
cristã, que eles passaram a obedecer. Assim, para Paulo, a doutrina correta, os
ensinos corretos, quando obedecidos “de coração”, ajudaram os romanos a se
tornarem “servos da justiça” (Rm 6:18). Às vezes ouvimos que não importa
a doutrina, desde que demonstremos amor. Essa é uma expressão muito simplista
de algo que não é tão simples assim. Como foi dito em uma lição anterior, Paulo
estava muito preocupado com a falsa doutrina à qual a igreja da Galácia havia
sucumbido. Portanto, precisamos ter cuidado com declarações que, de alguma
forma, diminuem a importância do ensino correto.
Questionário
Servos
do pecado, servos da justiça: o contraste é gritante. Se pecamos depois do
batismo, isso significa que não somos verdadeiramente salvos? Leia 1 João 1:8–2:1.
Por que os seguidores de Cristo ainda estão sujeitos a cair em pecado?
Quinta-feira, 16 de Novembro Ano Bíblico: Rm 1–4
Livres do pecado
6. Tendo em mente o que estudamos até aqui em Romanos 6, leia
Romanos 6:19-23. Resuma a essência do que Paulo estava dizendo. Como você pode
tornar real em sua vida essas verdades cruciais? Quais questões estão em jogo
nessa passagem?
As palavras de Paulo nessa passagem mostram que ele compreendia
plenamente a natureza caída da humanidade. Ele falou sobre a “fraqueza da”
nossa “carne” (Rm 6:19). Ele sabia o que a natureza humana caída é capaz de
fazer quando deixada por si só. Por isso, novamente, ele apelou para o poder da
escolha, a capacidade que temos de escolher entregar a nós mesmos e a nossa “carne
fraca” a um novo senhor, Jesus, que nos habilitará a viver em justiça.
Muitas vezes, o texto de Romanos 6:23 é citado para mostrar que a
penalidade para o pecado, isto é, a transgressão da lei, é a morte. Certamente,
a penalidade do pecado é a morte. Mas além de ver a morte como a
penalidade do pecado, devemos ver o pecado como Paulo o descreveu em Romanos 6
– um senhor que domina seus servos, enganando-os ao pagar-lhes com o salário da
morte.
Observe também que, em seu desenvolvimento da ilustração dos dois
senhores, Paulo chamou a atenção para o fato de que o serviço a um mestre
significa liberação do serviço ao outro. Mais uma vez vemos claramente a
escolha: um ou outro. Não há meio-termo. Ao mesmo tempo, como todos sabemos,
estar livre do domínio do pecado não significa estar sem pecado; não significa
que não lutamos e que não ocorram quedas, às vezes. Em vez disso, significa que
não somos mais dominados pelo pecado, por mais que ele
permaneça em nossa vida e por mais que tenhamos que reivindicar diariamente as
promessas de vitória sobre ele.
Essa passagem é um apelo poderoso para quem está servindo ao pecado.
Esse tirano não oferece nada além da morte como pagamento por nossos atos
vergonhosos. Portanto, uma pessoa racional deseja se libertar desse tirano. Em
contrapartida, aqueles que servem à justiça fazem coisas retas e louváveis, não
com o objetivo de ganhar a salvação, mas como fruto de sua nova experiência. Se
eles agem na tentativa de ganhar a redenção, estão perdendo todo o sentido do
evangelho, do que é a salvação, e da razão pela qual eles precisam de Jesus.
Sexta-feira, 17 de Novembro Ano Bíblico: Rm 5–7
Estudo adicional
Leia, de Ellen G. White, “Assumir a Vitória”, p. 105, 106, em Mensagens
aos Jovens; “O Verdadeiro Motivo no Serviço”, p. 93-95, em O Maior
Discurso de Cristo; “Apelo aos Jovens”, p. 365, em Testemunhos Para
Igreja, v. 3; Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v.
6, p. 1196, 1197.
“[Jesus] não consentia com o pecado. Nem por um pensamento cedia à
tentação. O mesmo pode ocorrer conosco. A humanidade de Cristo estava unida à
divindade; Ele estava habilitado para o conflito, mediante a presença interior
do Espírito Santo. E veio para nos tornar participantes da natureza divina.
Enquanto estivermos ligados a Ele pela fé, o pecado não terá domínio sobre nós.
Deus nos toma a mão da fé e a leva a se apoderar firmemente da divindade de
Cristo, a fim de atingirmos a perfeição de caráter” (Ellen G. White, O
Desejado de Todas as Nações, p. 123).
“Quando somos batizados nos comprometemos a romper todas as relações
com Satanás e seus agentes, e entregar coração e espírito à obra de estender o
reino de Deus […]” (Comentários de Ellen G. White, Comentário Bíblico
Adventista do Sétimo Dia, v. 6, p. 1196).
“Os filhos do maligno são servos de seu senhor; de quem se fazem servos
para lhe obedecer, desse são servos (Rm 6:16), e não podem ser servos de Deus
enquanto não renunciarem ao diabo e a todas as suas obras. Não pode ser
inofensivo para os servos do Rei celestial o envolvimento com os prazeres e
diversões em que se empenham os servos de Satanás, embora eles repitam muitas
vezes que tais diversões são inocentes. Deus tem revelado santas e sagradas
verdades para separar Seu povo dos ímpios e purificá-los para Si” (Ellen G. White, Testemunhos
Para a Igreja, v. 1, p. 404).
Perguntas para discussão
1. Mesmo com as promessas de vitória sobre o pecado, todos somos
pecadores e o coração humano é corrupto. Existe contradição nisso? Explique.
2. Testemunhe na classe sobre o que Cristo fez em você, sobre as
mudanças que você experimentou e sobre a nova vida que tem nEle.
3. Nossa salvação está somente no que Cristo fez por nós. No
entanto, quais são os perigos de exagerar essa verdade, minimizando aquilo que
Jesus faz em nós para nos transformar à Sua imagem? Por que precisamos
enfatizar esses dois aspectos da salvação?
Respostas e actividades da semana: 1. Peça aos alunos que formem duplas. Um aluno
deve ficar responsável por apresentar o raciocínio que Paulo estava combatendo
na passagem bíblica. O outro deve responder como Paulo fez isso. Por fim,
pergunte aos alunos se eles já pensaram em continuar no pecado para que a graça
“superabundasse”. 2. B. 3. V, F. 4.Escolha
um aluno para responder a essa questão. Peça que ele compartilhe sua resposta
com a classe. 5. Divida a classe em dois grupos. Promova uma
discussão sobre a justificação e o processo de santificação abordados na lição.
Ao fim da discussão, peça que um representante escreva um passo a passo de como
somos salvos. 6. Peça a opinião dos alunos.
Resumo da Lição 7
Vencendo o pecado
TEXTO-CHAVE: Romanos 6:1-4
O ALUNO DEVERÁ
Saber: Que o domínio do pecado foi quebrado e que a morte
foi derrotada para todos os crentes que se identificam com a morte e
ressurreição de Cristo.
Sentir: Alegria pelo fato de que Deus não desamparou Seus
filhos quando enfrentaram o poder do pecado e a sua penalidade.
Fazer: Viver como alguém que já foi ressuscitado, com todo
o Céu na expectativa da sua nova vida.
ESBOÇO
I. Saber: A experiência de Cristo pode ser a minha
A. Como os dois fatos históricos paralelos, a morte e a ressurreição
de Cristo, podem se refletir em nossa experiência pessoal?
B. O que as perguntas retóricas de Paulo em Romanos 6:1, 15 nos
dizem a respeito de qualquer possível conclusão errada de seus leitores em
relação a uma vida cheia da graça?
II. Sentir: A liberdade da obediência
A. Que argumentos você usaria para convencer alguém de que ser servo
da justiça (Rm 6:18) é o único caminho para a verdadeira liberdade?
B. Ou somos “servos de Deus” (Rm 6:22) ou “servos do pecado” (Rm
6:20). Por que não há terceira opção?
III. Fazer: Vida nova
A. Qual mensagem é dada acerca do caráter de Deus e Seu plano de
redenção quando os cristãos permitem que o pecado domine a vida deles?
B. Se uma vida de santificação é cheia de alegria, paz e liberdade,
por que há tanta resistência à santificação intencional?
RESUMO: Os cristãos têm o privilégio de se alegrar não
somente no perdão do pecado, mas também na libertação do domínio do pecado na
sua vida.
Ciclo do aprendizado
Motivação
Focalizando as Escrituras: Romanos 6:5-7, 12-14, 22
Conceito-chave para o crescimento espiritual: A crucifixão e a ressurreição de Jesus
trouxeram a nova era esperada por muito tempo, em que os dois inimigos, pecado
e morte, receberam um golpe fatal. Por causa desse golpe mortal, o domínio do
pecado foi quebrado, e nossa obediência pode ser completamente dedicada ao
Cristo ressurreto. Porém, é necessária nossa persistente fé em Cristo, porque a
vida passada e a velha era do pecado ainda persistem, e em nossa luta para
viver a salvação, sentimos a realidade do “já” e do “não ainda”.
Para o professor: Para alguns, o assunto de “vencer o pecado” é
uma ideia empolgante. Para outros, evoca apenas um sentimento de fracasso e
culpa. Algumas vezes, o zelo do primeiro grupo é mal direcionado ou mal
compreendido pelo segundo grupo, e surge uma controvérsia destrutiva. Por isso,
você tem a honrosa responsabilidade de demonstrar cuidadosamente como a vitória
sobre o pecado não é um fardo a ser evitado, mas um abençoado privilégio para
ser abraçado – um dom que faz parte da graça de Deus.
Discussão inicial: A empresa de José havia sido roubada, por isso ele
estava no tribunal, aguardando o julgamento do seu caso. Enquanto esperava,
teve a oportunidade de ouvir outros casos. A súplica de uma mulher o comoveu.
Evidentemente, ela havia tido uma vida difícil e parecia completamente
desarrumada, sentada no banco dos réus. Tratava-se de uma reincidente no
envolvimento com drogas, e estava praticamente implorando ao tribunal que lhe
permitisse entrar em um programa cristão de reabilitação em vez de ser mandada
de volta para a cadeia. Então, ela começou a testemunhar como Deus havia
entrado em sua vida e lhe concedido salvação. No entanto, um ponto que ela
repetiu muitas vezes foi que ela não havia sido salva por suas obras, mas pela
graça de Deus.
José teve um misto de sentimentos enquanto ouvia esse testemunho.
Lógico, somos salvos pela divina graça que não merecemos, e a mensagem do
evangelho deve ter sido confortante para uma pessoa com registro criminoso. No
entanto, em nenhum momento ela mencionou a intenção ou capacidade divina para
ajudá-la na luta contra as drogas, um ponto de vista que poderia ter ajudado no
caso dela, visto que estava buscando um programa cristão de recuperação. O
pedido dela acabou sendo negado.
Perguntas para discussão
1. Em nossa ansiedade para dizer às pessoas que “nada que elas
façam” as levarão ao Céu, temos deixado de enfatizar o outro lado da história,
ou seja, que o Senhor pode ajudá-las a mudar “tudo o que elas fazem” para o
próprio bem delas e para a glória de Deus?
2. Se você tivesse algum tempo com a mulher da história, quais
trechos de Romanos 6 você compartilharia com ela para lhe dar esperança?
Compreensão
Para o professor: As questões relacionadas à vitória sobre o pecado
algumas vezes são usadas em polêmicas acerca da perfeição, que tentam dizer se
um pecado específico ou hipotético pode deixar você fora do reino. Eleve a
discussão a um nível diferente, abordando-as a partir da perspectiva de Paulo
em Romanos 6, e não das nossas brigas internas.
Comentário bíblico
I. Novidade de vida
(Recapitule com a classe Rm 6:5-13.)
“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal” (Rm 6:12). É mais
fácil falar do que cumprir essa ordem? Pode parecer que Paulo estivesse
despreocupadamente dizendo aos leitores para simplesmente evitar o pecado e
servir a Deus (Rm 6:13). Para os que levam a sério os conselhos do apóstolo, ao
refletir sobre nossas falhas, podemos ter a impressão de que não estamos à
altura da tarefa. A boa notícia nesse difícil problema do pecado é que as
francas exortações de Paulo são expressas num contexto estupendo.
Qual é esse contexto? Com a morte e ressurreição de Cristo, a
continuidade da história sofreu uma mudança escatológica muito importante.
Jesus Se referiu a isso quando disse: “É chegado o reino de Deus sobre vós” (Mt
12:28). Paulo falou acerca disso ao escrever sobre provar “os poderes do mundo
vindouro” (Hb 6:5).
Essa nova era em que vivemos viu o derramamento do Espírito de Deus de
uma forma nunca vista antes (At 2) e a cura e restauração espiritual dos que
anteriormente estavam dominados pelas forças demoníacas/opressoras (Mt 4:23;
12:22, 28; Lc 4:18; At 5:17). Essa nova era sob
o domínio do poder de Deus é o contexto no qual Paulo falou sobre nosso “velho homem” sendo crucificado com Cristo para quebrar a escravidão do pecado (Rm 6:6). Nossa união com Cristo em Sua ressurreição nos impulsiona à “novidade de vida” (Rm 6:4), que não é nada menos que “a vida escatológica da era vindoura. Os cristãos foram alcançados por essa vida e o estilo de vida deles é transformado por ela” (Ivan Blazen, Tratato de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p. 333).
o domínio do poder de Deus é o contexto no qual Paulo falou sobre nosso “velho homem” sendo crucificado com Cristo para quebrar a escravidão do pecado (Rm 6:6). Nossa união com Cristo em Sua ressurreição nos impulsiona à “novidade de vida” (Rm 6:4), que não é nada menos que “a vida escatológica da era vindoura. Os cristãos foram alcançados por essa vida e o estilo de vida deles é transformado por ela” (Ivan Blazen, Tratato de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p. 333).
É sob essa percepção que todos nós vivemos dentro do poder do reino de
Deus. Desse modo, o chamado para nos considerarmos “mortos para o pecado” (Rm
6:11) e não permitir que o pecado “reine” ou tenha “domínio sobre [nós]” (Rm
6:12, 14) não é saudoso idealismo. Esses são imperativos arraigados na vinda
salvadora e histórica de nosso Senhor; portanto, há um potencial real para
vivermos como “servos da justiça”, em vez de ser “escravos do pecado” (Rm 6:17,
18).
Pense nisto: Como o conhecimento de que vivemos em uma nova era
escatológica nos motiva a recusar o pecado e a viver para Deus? Como essa
perspectiva nos protege de (1) dar desculpas para o pecado em nossa vida e (2)
de esquecer que a salvação é um presente?
II. Lei versus graça
(Recapitule com a classe Rm 6:14.)
Por razões óbvias, o contraste de não estar “debaixo da lei, e sim da
graça” tem sido um ponto de divergência entre o adventismo e outras
denominações cristãs. Sabemos pelo menos o que Romanos 6:14 não ensina, com
base na pergunta retórica de Paulo: “Havemos de pecar porque não estamos
debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum!” (Rm 6:15). Esse verso não quer
dizer que devemos seguir pecando indiscriminadamente. Mas o que ele significa?
Recorrer ao conceito das “duas eras”, mencionado anteriormente, pode ser útil
nesse contexto.
Relacionar a experiência do “velho homem” (Rm 6:6) à lei e a
experiência do “novo homem” à graça gera algumas ideias. Em Romanos, Paulo menciona
várias vezes o triunvirato lei–pecado–morte (Rm 5:12, 13, 20, 21; 7:5, 9-11,
13, 23, 24; 8:2). É provável que, ao utilizar qualquer um dos três, ele
estivesse se referindo à dinâmica entre todos eles. Por exemplo, Paulo falou
acerca de estar “morto para o pecado” por meio da morte de Cristo tão
facilmente como falou de estar “morto para a lei” por intermédio da morte de
Cristo (Rm 6:2; 7:4). O relacionamento natural entre lei–pecado–morte é tão
íntimo que em um momento Paulo enfatizou que a lei não é pecado
(Rm 7:7). O trio foi repetido no clímax de seu argumento, quando ele declarou
que em Cristo Jesus estamos livres “da lei do pecado e da morte” (Rm 8:2).
Assim, na experiência do velho homem o pecado se aproveita da lei para
produzir a morte (Rm 7:5, 8). Essa experiência é dominada pela carne, de modo
que, ainda que possua o código escrito, predomina a transgressão (Rm 7:5, 6;
2:27). A experiência da graça se tornou possível por meio da morte e
ressurreição de Cristo; ela é preenchida com o Espírito, sincera obediência à
lei e justiça (Rm 2:27-29; 6:4, 17-23; 7:6; 8:1-4). Essa perspectiva pode nos
ajudar a compreender a razão pela qual Paulo declarou que “o pecado não terá
domínio sobre [nós]; pois não [estamos] debaixo da lei, e sim da graça” (Rm 6:14).
Perguntas para discussão
1. Podemos ter certeza de que o fato de não estarmos mais “debaixo da lei”
não resultará em desobediência?
2. Como você explicaria, com base em Romanos, que estar “debaixo da graça”
significa que o domínio do pecado foi interrompido?
Aplicação
Para o professor: Embora a terminologia velho versus novo
seja comum no meio acadêmico, ela não tem sido usada amplamente na literatura
leiga. Para evitar equívoco e desânimo, reforce a ideia de que, embora vivamos
debaixo da “graça”, o “velho homem” ainda nos tenta e incomoda por meio do
nosso corpo “mortal”.
Perguntas para aplicação
1. Quais verbos em Romanos 6 demonstram que ainda temos a
responsabilidade de ficar dentro da realidade do “novo homem”, na qual a graça
reina por meio da justiça? (Rm 5:21)
2. Segundo Romanos 6, ser um servo da justiça é um fardo ou um
privilégio? Explique.
Criatividade e atividades práticas
Para o professor: O segredo para ler Paulo é pensar como ele o máximo
possível. Para conseguir isso, motive os alunos a abandonar ideias
preconcebidas durante a próxima atividade.
Atividade: Em geral, Paulo escreve usando contrastes. Em um
quadro ou folha de papel, trace duas colunas. Em uma delas, escreva o título
Velho Homem, e na outra, Novo Homem. Com base em Romanos 2–8, adicione eventos,
experiências ou qualidades que caracterizam cada experiência. (Como
alternativa, esse exercício pode ser conduzido como uma discussão, sem o
auxílio dos materiais).
Planejando atividades: O que sua classe pode fazer na próxima semana
como resposta ao estudo da lição?
Carta Missionaria
Uma caminhada pelo cemitério
Quando era adolescente, Surayo frequentou a Igreja Adventista do Sétimo
Dia durante dois anos, a convite de um vizinho no Tajiquistão. Mas aos 18 anos,
parou de frequentar e se esqueceu de Deus, enquanto investia em sua carreira
como enfermeira. Então, ela se casou, mas o casamento não trouxe a felicidade
que Surayo esperava. Seu esposo era um jogador compulsivo, usava drogas e
frequentemente a agredia.
Durante um momento de tristeza, Surayo encontrou a Bíblia que tinha
ganhado de um adventista havia alguns anos. Ela abriu a Bíblia aleatoriamente,
e seus olhos se depararam com o texto de Isaías 5:4. Ela leu o verso inúmeras
vezes: “Que mais se poderia fazer por ela que eu não tenha feito? Então, por
que só produziu uvas azedas, quando eu esperava uvas boas?” (NVI).
Lágrimas encheram seus olhos, pois percebeu que ela era a “vinha”
preparada por Deus, mas havia falhado com o Senhor. Ela orou: “Deus, se eu devo
continuar com meu esposo, por favor, faça com que ele pare de me bater. E
permita que adoremos juntos ao Senhor. Mas se Tu desejas que eu o deixe,
prepare uma forma pacífica para que eu faça isso. Eu O seguirei, Senhor.”
Logo após a oração, Surayo disse ao marido: “Amo outra pessoa mais do
que a você. Ele é mais que uma pessoa para mim.”
O esposo a interrompeu triunfantemente: “Eu sabia que havia outra
pessoa!”
“Não, não é isso que você está pensando”, Surayo disse. “Eu amo a
Jesus, e quero que você também O ame.”
“Você deve amar Maomé”, o marido respondeu. “Ele é o nosso profeta, não
Jesus.”
“A questão não é sobre quem é um profeta”, Surayo disse. “Jesus é mais
que um profeta. Ele é o nosso caminho para a salvação.”
Decisão perigosa
Alguns dias depois, o marido, drogado, perdeu muito dinheiro em um jogo
de apostas. Ele achou que seria melhor ir para a cadeia do que enfrentar a
vergonha de não conseguir pagar a dívida. Então, decidiu matar Surayo. Ele a
convidou para uma caminhada tarde da noite. A lua estava tão bonita que ela não
percebeu para onde estavam caminhando. Surayo ficou surpresa ao perceber que
estavam dentro de um cemitério. Ela sentiu algo cortante e frio em seu pescoço
– uma faca! Seu esposo tentou cortar o pescoço dela com uma faca!
Surayo agarrou seu braço e disse: “Por que você quer me matar? Não vale
a pena ir para a prisão por minha causa.”
O casal lutou, e vários dedos de Surayo foram cortados até o osso.
“Jesus, salve-me!”, ela gritou. “Impeça-o!” Então, ela perdeu a consciência.
Quando acordou, algumas horas depois, estava em sua cama. Seu esposo a havia
trazido para casa.
Imediatamente, ela disse que não continuaria a viver com ele. O marido
não resistiu, e o casal se separou. Fazia uma semana que Surayo tinha prometido
seguir a Jesus se Ele a ajudasse a ter um divórcio pacífico. Mas ela havia se
esquecido da promessa que tinha feito.
Surayo alugou um apartamento e encontrou um emprego para trabalhar como
enfermeira no turno da noite em um hospital. Então se lembrou da promessa que
tinha feito a Deus. Ela começou a orar: “Senhor, se queres que eu Te siga,
mostra-me a igreja à qual devo me unir para Te adorar. Qual é a verdadeira,
onde Tu estás?”
Ônibus errado
Certa manhã de sábado, após o trabalho, sem perceber, Surayo entrou no
ônibus errado. Ela não notou seu engano até que o ônibus chegasse ao ponto
final. Olhou ao redor, tentando encontrar o rumo. Então, deparou-se com uma
igreja adventista à sua frente. Ela percebeu que não havia entrado no ônibus
errado por acidente. Deus a conduzira ao lugar em que estava acontecendo um
culto da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Era sábado de manhã, e o culto estava apenas começando. Surayo entrou e
percebeu que esse era exatamente o lugar no qual Deus queria que ela estivesse.
Nunca mais ela saiu da igreja.
Parte da oferta deste trimestre será destinada a programas de
evangelização no Tajiquistão,
um país com 8 milhões de pessoas, mas apenas 204 adventistas. Obrigado por se lembrarem do Tajiquistão em suas orações e por meio das ofertas missionárias da Escola Sabatina.
um país com 8 milhões de pessoas, mas apenas 204 adventistas. Obrigado por se lembrarem do Tajiquistão em suas orações e por meio das ofertas missionárias da Escola Sabatina.
Leia mais sobre Surayo no site da Missão Adventista
(bit.ly/Jesus-in-Tajikistan) e na história infantil sobre ela na página 22 do
Informativo dos Menores.
Resumo missionário
• O Tajiquistão é um país montanhoso e sem litoral na Ásia Central. A
maioria das pessoas que moram lá é da etnia tajique e falam tajique, um dialeto
persa.
• Por terem feito parte da União Soviética por 70 anos, muitos tajiques
também falam russo.
• Cerca de 70% da população é composta de jovens com menos de 30 anos
de idade.
• O esporte nacional é o gushtigiri, uma forma da luta livre
tradicional.
Comentário da Lição da Escola Sabatina – 4º
trimestre de 2017
Tema geral: Salvação somente pela fé: o livro de
Romanos
Lição 7: 11 a 18 de novembro
Vencendo o pecado
Autor: Pr. Clacir Virmes Junior, professor de
Teologia na FADBA – Cachoeira, Bahia.
Revisora: Rosemara Santos
Introdução
Em essência, toda a explicação de Paulo em Romanos 4 e 5 mostram que a
única solução para o pecador é ser justificado. E essa justificação é gratuita,
dada pela graça, mediante a fé, independentemente das obras da lei. Tendo
explicado sua tese de forma tão extensa, o apóstolo entendeu que alguns poderiam
distorcer suas palavras, chegando a uma conclusão completamente diferente
daquela que ele pretendia. Por um lado, poderia haver um desprezo pelo papel da
lei na vida do cristão; por outro lado, as pessoas poderiam pensar que as
promessas da graça seriam, na verdade, prenúncio de uma impecabilidade que só
poderá se manifestar na glorificação. Os dois extremos são perigosos. No
capítulo 6 de Romanos, Paulo tentou colocar esses temas na sua devida proporção
e lugar.
Onde o pecado abundou
Paulo começou justamente com a pergunta que provavelmente rondava a
mente de seus leitores diante do capítulo 5 de Romanos: “Permaneceremos no
pecado para que a graça seja mais abundante?” (Rm 6:1). O próprio apóstolo
respondeu: “De modo nenhum!” (Rm 6:2). Essa expressão é a tradução da locução
grega me genoito, que aparece com muita frequência em Romanos (3:6,
31; 6:2, 15; 7:7, 13; 9:14; 11:1, 11) e em outras cartas de Paulo (1Co 6:15; Gl
2:17; 3:21). Embora seja traduzida por diferentes expressões, a ideia por trás
dessas palavras é uma negação categórica, um repúdio absoluto do pensamento
colocado pela pergunta que antecede a expressão. Aqui, em resposta à pergunta
“continuaremos pecando para receber mais graça?”, Paulo respondeu
enfaticamente: “Não”, “de jeito nenhum”, “absolutamente não”.
Em outras palavras, o apóstolo disse que sua teologia não endossa a
ideia de que não se espera mudança de vida na experiência dos salvos. Pelo
contrário, é esperada uma transformação radical. Isso pode levar alguns a se
perguntarem: o que muda em nossa relação para com o pecado uma vez que, embora
o poder de Cristo nos liberte do domínio do pecado, a natureza pecaminosa ainda
habita em nós? Uma ilustração talvez ilumine nosso entendimento. Conta-se que
uma jovem estava se preparando para seu batismo e estava sendo entrevistada por
um dos líderes de sua igreja. “Você tinha uma vida de pecado antes de conhecer
Jesus?”, perguntou ele. “Sim”, respondeu a moça, cabisbaixa. “Depois de
conhecer Jesus, você cometeu algum pecado?”, insistiu o líder. “Alguns”, ela
respondeu, ainda sem levantar os olhos. “O que mudou, então?”, disse ele,
tentando discernir a fisionomia da candidata. Ao ouvir a pergunta, a moça levantou
o olhar e pensou por alguns instantes. Finalmente, disse: “Antes de conhecer
Jesus eu corria atrás do pecado. Agora, eu corro para
longe do pecado; mas, de vez em quando, ele ainda me alcança”. Paulo
desenvolveu ainda mais esse ponto através da metáfora do reino.
Quando o pecado reina
Em Romanos 6:12, o apóstolo admoestou: “Não reine, portanto, o pecado
em vosso corpo mortal”. Essas palavras sugerem, em primeiro lugar, que é
possível ser dominados pelo pecado. Ele não afirma que o pecado não pode reinar,
tomar o controle de nossa vida. Ao contrário, ele incita seus leitores a não
permitir que isso aconteça. Esse convite é um antídoto para a ideia de que não
é preciso perseverar na salvação e santificação. Paulo está dizendo que, por
mais que a graça nos tenha perdoado, se não houver, dia a dia, companheirismo
com o Senhor, podemos permitir que o pecado, que foi expulso da nossa vida,
ganhe, pouco a pouco, o território de onde foi banido.
Em Romanos 6:13, o apóstolo retomou o tema da ressurreição, que ele havia
discutido nos primeiros versos do capítulo. Ele exortou seus leitores a que não
retrocedessem em sua vida cristã, uma vez que foram ressuscitados dentre os
mortos, isto é, receberam uma nova vida em Cristo. Seu corpo, agora, pertence
ao Senhor. A vida deles é a vida de Cristo.
Não debaixo da lei, mas da graça
Em Romanos 6:14, encontramos a famosa declaração paulina: “não estais
debaixo da lei, e sim da graça”. Significaria isso que a lei moral foi abolida?
Pense por um instante no contexto em que essas palavras foram escritas. Nos
versos imediatamente anteriores o apóstolo conclamou seus leitores a não
permitir que o pecado dominasse sua vida. Como eles poderão saber se isso está
acontecendo? Obviamente, através da lei, como Paulo argumentou em Romanos 3:20,
ao dizer que a lei revela plenamente o que é o pecado, e em 3:31, ao afirmar
que a graça não anula a lei, mas a confirma.
Então, o que significa a expressão “não estais debaixo da lei”? Há pelo
menos duas possibilidades que parecem mutuamente excludentes, mas se
complementam. Em primeiro lugar, a expressão “debaixo da lei” pode significar
estar sob sua maldição. Uma vez que fomos justificados pela fé (esse é o ponto
no contexto de Romanos 6), a lei não nos condena mais; estamos sob a graça de
Deus. Isso, como temos visto repetidas vezes, não significa que a função
prescritiva da lei, a lei como estilo de vida dos filhos de Deus, tenha deixado
de existir.
Outra possibilidade é que a expressão “debaixo da lei” significa não
ter mais a lei como meio de justificação. Paulo estaria dizendo que, uma vez
que é a graça que nos salva, não a lei, o pecado não mais terá domínio sobre
nós. Uma vez que a função da lei é mostrar o pecado e pintá-lo em suas
verdadeiras cores, aqueles que estão “debaixo da lei” têm sua vida dominada
pelo pecado, uma vez que a lei não pode salvá-lo. Mas para aqueles que estão
“debaixo da graça”, é Deus quem os salva pela graça, deixando-os livres do
domínio do pecado para viver em obediência a Deus.
Pecado ou obediência?
O apóstolo inicia o verso 15 com a pergunta que devia estar rondando a
cabeça de seus leitores e, ainda mais, de seus opositores: se não estamos
debaixo da lei (ou seja, se a lei não é a maneira pela qual nos salvamos, e se
já estamos livres de sua maldição), e sim da graça, podemos viver da maneira
que quisermos, sem levar em conta a vontade de Deus? Em resposta a essa
questão, mais uma vez Paulo usou a expressão me genoito – de
maneira nenhuma!
A primeira implicação do que o apóstolo disse nesses versos é que estar
“debaixo da graça” não significa abandonar a lei. Ao contrário, os que estão
debaixo da graça, obedecem à lei. Tanto o contexto anterior quanto o contexto
posterior das expressões “debaixo da lei” e “debaixo da graça” mostram que,
seja o que for que Paulo tivesse em mente com elas, elas não significam
desprezo pela lei moral. Para o apóstolo, o escravo libertado, o cristão salvo
pela graça, apenas muda de senhor. O pecado, que antes era seu dono, o
escravizava e, por fim, o matava, perdeu o seu domínio, pois o Senhor o
libertou, abençoou e ensinou a viver. Nas palavras de Hendriksen (2002, p.
204), “o oposto de pecado é obediência”.
Livres do pecado
O apóstolo contrasta a vida de escravidão no pecado com a nova vida sob
o senhorio de Cristo. Se antes a mente e o corpo eram usados para transgredir a
lei de Deus e para rebelar-se contra a vontade do Senhor, agora eles deveriam
ser usados para a glória e honra de Deus. É interessante notar que Paulo diz
que os membros, ou seja, nosso corpo, deve ser usado para o serviço. Nossas
ações são feitas a outros, não mais para nós mesmos, porque o pecado, cujo
traço mais básico é o egoísmo, foi perdoado e abandonado; agora, somos livres
para servir as pessoas e a Deus.
O resultado final de estar debaixo da lei ou debaixo da graça é dado no
verso 23. No fim, quando o pecado se apodera de nossa vida, apenas nos
escraviza, machuca e, por fim, mata. Paulo está dizendo que o pecado também tem
uma recompensa e ela é merecida, é nosso salário. O problema é que essa
recompensa é a morte. E nenhum de nós quer isso.
Contudo, o “dom gratuito de Deus”, diz o apóstolo, “é a vida eterna”. A
expressão “dom gratuito” vem do grego charisma, cuja ideia
principal é a de um presente dado a alguém. Ninguém trabalha por um presente.
Ele não é algo merecido. O presente é uma dádiva. Não precisamos nos esforçar
para recebê-lo, necessitamos apenas aceitá-lo. Assim é a graça de Deus. Não há
nada em nós para merecê-la, ela é um presente, uma dádiva. Só podemos, se
quisermos, aceitá-la.
Conclusão
John Stott (2001, p. 185) resume a ideia principal de Paulo no
encerramento do capítulo 6 de Romanos: “Eis o paradoxo – escravidão é
liberdade, liberdade é escravidão. Quando queremos liberdade sem um
relacionamento com Deus acabamos nos tornando escravos do pecado. Porém, quando
escolhemos servir ao Senhor e nos submetemos aos Seus reclamos, tornamo-nos
verdadeiramente livres. Pense na seguinte ilustração: o que é mais libertador,
o que realmente garante seu direito de ir e vir – andar com seu carro, numa
rodovia, do lado direito ou do lado esquerdo? Optar pelo lado esquerdo da pista
pode dar uma falsa sensação de liberdade; contudo, mais cedo ou mais tarde, o
resultado será inevitável: um veículo vindo em sentido oposto provavelmente
tirará de você e de quem estiver ao seu lado a capacidade não apenas de ir e
viver, mas também de viver. Contudo, se você optar por submeter-se à regra e
andar sempre na faixa da direita, aparentemente você perde sua liberdade; mas,
na verdade, você garante seu bem-estar e o seu direito de ir aonde desejar.
Viver sob os reclamos da perfeita lei de Deus é ter a verdadeira liberdade.
Referências:
HENDRIKSEN, William. Exposition of Paul's Epistle to the Romans.
Grand Rapids: Baker Book House, 2002. 533 p. (New Testament Commentary).
STOTT, John. The Message of Romans: God's Good News for the
World. Leicester; Downers Grove: InterVarsity Press, 2001, p. 432. (The Bible
Speaks Today). [STOTT, John. A Mensagem de Romanos. São Paulo: ABU,
2000, p. 528. (A Bíblia Fala Hoje)].
Autor do comentário: Clacir Virmes Junior é graduado em Sistemas de
Informação (2005) pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) e em
Teologia (2010) pelo Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, sede
Bahia (SALT-FADBA). É mestre em Teologia Bíblica (2014) pelo mesmo seminário e
mestre em Ciências das Religiões (2015) pela Universidade Federal da Paraíba
(UFPB). Exerceu as funções de pastor distrital durante 5 anos (2011-2015) na
Missão Nordeste (MN) da União Nordeste Brasileira (UNeB). Desde 2016 é professor
de Novo Testamento e coorderna as atividades de extensão no SALT-FADBA. É
casado com a Drª. Daniella Cláudia Barbosa Ângelo Virmes, médica, especialista
em Medicina de Família e Comunidade (2015) pela UFPB e membro da Sociedade
Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (2016).

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