Lição 6 04 a 11 de novembro
Sábado à tarde Ano Bíblico: Jo 16–18
VERSO
PARA MEMORIZAR: “Justificados, pois,
mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por
intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual
estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus” (Rm 5:1, 2).
LEITURAS
DA SEMANA: Rm 5
Paulo demonstrou
o argumento de que a justificação, ou a aceitação de Deus, só vem pela fé em Jesus
Cristo, pois somente Sua justiça é suficiente para nos dar a aprovação do nosso
Senhor. Com base nessa verdade poderosa, Paulo passou a explanar mais sobre
esse tema. Demonstrando que a salvação tem que ser pela fé e não por obras, nem
mesmo para alguém “justo” como Abraão, Paulo voltou seu olhar para o panorama
completo; isto é, o que causou o pecado, o sofrimento e a morte, e como a
solução se encontra em Cristo e no que Ele fez pela humanidade.
Pela queda de um
homem, Adão, toda a humanidade enfrentou condenação, alienação e morte; pela
vitória de um só homem, Jesus, todo o mundo foi trazido a uma nova condição
diante de Deus. Mediante a fé em Jesus, o registro dos nossos pecados e,
consequentemente, o castigo devido a eles, puderam ser remidos e perdoados para
sempre.
Paulo contrastou
Adão e Jesus, mostrando como Cristo veio desfazer o que Adão tinha feito e que,
pela fé, as vítimas do pecado de Adão poderiam ser resgatadas por Jesus, o
Salvador. O fundamento de tudo isso é a morte substitutiva de Cristo na cruz.
Ela abriu o caminho para que todo ser humano, judeu ou gentio, fosse salvo por
Jesus, que, com Seu sangue, trouxe justificação para todos os que O aceitam.
Certamente, esse
é um tema digno de ser exposto, pois é o fundamento de toda a nossa esperança!
Domingo, 05 de novembro Ano Bíblico: Jo 19–21
Justificado pela fé
1. Leia
Romanos 5:1-5. Resuma a mensagem de Paulo. Qual lição você pode tirar para sua
vida?
“Ser
justificado” é, literalmente, “ter sido justificado”. O verbo grego representa
a ação como se ela estivesse completa. Fomos declarados justos, ou considerados
justos, não por meio de obras da lei, mas porque aceitamos Jesus Cristo. A vida
perfeita que Jesus viveu na Terra e Sua obediência perfeita à lei foram
creditadas a nós.
Ao mesmo tempo,
todos os nossos pecados foram colocados sobre Jesus. Para Deus, Cristo cometeu
esses pecados, não nós, e dessa maneira podemos ser poupados do castigo que
merecemos. Esse castigo recaiu sobre Cristo, em nosso favor, para que nunca
tenhamos que enfrentá-lo. Que notícia mais gloriosa poderia haver para o
pecador?
A palavra grega
traduzida como “gloriamos” em Romanos 5:3 é a mesma traduzida como “nos
alegramos” (NTLH) em Romanos 5:2. Se ela é traduzida como “nos alegramos”
também em Romanos 5:3 (NTLH), a conexão entre Romanos 5:2 e Romanos 5:3 é vista
mais claramente. As pessoas justificadas podem se alegrar na tribulação porque
fixaram sua fé e confiança em Jesus Cristo. Elas confiam que Deus operará todas
as coisas para o bem. Consideram uma honra sofrer por causa de Cristo (Veja 1Pe
4:13).
Observe, também,
a progressão em Romanos 5:3-5.
1. Paciência (ARC).
A palavra grega hupomone, traduzida como “paciência” significa
“perseverança, resistência firme”; perseverança desenvolvida pela tribulação
naquele que mantém a fé e que não perde de vista a esperança que tem em Cristo,
mesmo em meio às provações e sofrimentos que às vezes tornam a vida tão
miserável.
2. Experiência.
A palavra grega dokime, traduzida como “experiência”
significa, literalmente, “a condição de ser aprovado”; portanto, “caráter”, ou
mais especificamente, “caráter aprovado”. Aquele que pacientemente persevera
diante das provações pode desenvolver um caráter aprovado.
3. Esperança.
A perseverança e a aprovação naturalmente dão origem à esperança encontrada em
Jesus e na promessa de salvação nEle. Desde que nos apeguemos a Cristo com fé,
arrependimento e obediência, temos esperança.
Questionário
Qual
é sua maior esperança? Como ela pode ser cumprida em Jesus?
No dia 16 de dezembro
haverá o encerramento do Mutirão de Natal. Até lá, o que sua igreja pode fazer
para tornar sua cidade mais humana?
Segunda-feira, 06 de novembro Ano Bíblico: At 1–3
Enquanto ainda
pecadores
2. Leia
Romanos 5:6-8. O que essa passagem revela sobre o caráter de Deus? Por que ela
nos enche de esperança? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
A.(
) Deus é justo, pois esperou que mudássemos de vida para depois enviar Seu
Filho para morrer por nós.
B.(
) Deus é amoroso. Jesus morreu por nós enquanto éramos pecadores.
Quando Adão e
Eva transgrediram a exigência divina, Deus deu os primeiros passos rumo à
reconciliação. Desde então, Ele tem tomado a iniciativa de providenciar um
caminho de salvação e convidar homens e mulheres a aceitá-lo. “Vindo, porém, a
plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho” (Gl 4:4).
3. Romanos
5:9 diz que podemos ser salvos da ira de Deus por meio de Jesus. O que isso
significa? Assinale a alternativa correta:
A.(
) O pecado traz o castigo e a ira de Deus. Jesus, sendo feito pecado por
nós, recebeu a ira de Deus em sua medida completa.
B.(
) Jesus convenceu o Pai a abolir a lei para que ficássemos livres da ira.
Na véspera de
sua partida do Egito, os israelitas colocaram sangue nos batentes das portas.
Esse sangue protegeu seus primogênitos da ira que sobreveio aos primogênitos
dos egípcios. Da mesma forma, quando a ira de Deus finalmente destruir o pecado
no fim dos tempos, aquele que foi justificado e mantém esse status tem a
garantia de que o sangue de Jesus Cristo o protegerá.
Alguns lutam com
a ideia da ira de um Deus amoroso. Mas é exatamente por causa do Seu amor que
essa indignação existe. Como o amoroso Criador não ficaria irado contra o
pecado? Se Ele fosse indiferente a nós, não Se importaria com o que nos
acontece. Mas o pecado destruiu a criação divina. O Criador não deveria estar
enfurecido contra todo esse mal?
4. De
acordo com Romanos 5:10, 11, por quais outras razões devemos nos alegrar?
Alguns
comentaristas veem em Romanos 5:10 uma referência à vida de Cristo na Terra,
durante a qual Cristo desenvolveu o caráter perfeito que Ele nos oferece como
crédito. Embora seja isso o que a vida perfeita de Cristo realizou, Paulo
parece ter enfatizando o fato de que, ao passo que Jesus morreu, Ele
ressuscitou e vive para sempre (Hb 7:25). Porque Ele vive, somos salvos. Se
Cristo tivesse permanecido no túmulo, nossas esperanças teriam perecido com
Ele. Em Romanos 5:11, Paulo apresentou razões para nos alegrarmos no Senhor,
por causa do que Jesus realizou.
Terça-feira, 07 de novembro Ano Bíblico:
At 4–6
Morte por meio do
pecado
A morte é o
inimigo absoluto. Quando Deus criou a família humana, Seu plano era que os
membros dela vivessem para sempre. Com poucas exceções, o ser humano não quer
morrer; e aqueles que querem, tem esse desejo somente após passar por grandes
angústias e sofrimentos. A morte vai contra nossa natureza mais fundamental,
pois, desde o início, fomos criados para viver para sempre. A morte devia
ser desconhecida para nós.
5. Leia
Romanos 5:12. O que Paulo descreveu nesse texto? O que isso explica?
Comentaristas
têm discutido e debatido mais sobre essa passagem das Escrituras do que sobre a
maioria das outras. Talvez a razão seja, conforme observado no Comentário
Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 6, p. 580, a “tentativa de usar a
passagem para fins diversos do que Paulo pretendia”.
Um ponto sobre o
qual eles discutem é: De que maneira o pecado de Adão passou para a sua
posteridade? Os descendentes de Adão compartilharam a culpa do pecado de Adão,
ou são culpados diante de Deus por causa de seus próprios pecados? As pessoas
têm tentado obter a resposta para essas perguntas a partir desse texto, mas
essa não é a questão da qual Paulo estava tratando. Ele tinha outro objetivo em
mente. Ele estava ressaltando o que já havia declarado: “todos pecaram” (Rm
3:23). Precisamos reconhecer que somos pecadores porque essa é a única maneira
de perceber que necessitamos de um Salvador. Nesse texto, Paulo estava tentando
fazer com que seus leitores percebessem quanto o pecado é ruim e o que ele
trouxe a este mundo por meio de Adão. Em seguida, ele mostrou o que Deus nos
oferece em Jesus, o único remédio para a tragédia trazida sobre o nosso mundo
mediante o pecado de Adão.
No entanto, esse
texto fala somente do problema, a morte em Adão, não da solução, a vida em
Cristo. Um dos aspectos mais gloriosos do evangelho é que a morte foi tragada
pela vida. Jesus atravessou os portais da sepultura e rompeu seus laços. Ele
disse: “Eu Sou o primeiro e o último e Aquele que vive; estive morto, mas eis
que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno”
(Ap 1:18). Visto que Jesus tem as chaves, o inimigo não pode mais segurar suas
vítimas na sepultura.
Questionário
Qual
tem sido sua experiência com a realidade e a tragédia da morte? Por que, diante
de um inimigo tão implacável, devemos ter esperança em algo maior do que nós
mesmos, maior do que qualquer coisa que este mundo oferece?
Quarta-feira, 08 de novembro Ano Bíblico: At 7–9
De Adão a Moisés
6. Leia
Romanos 5:13, 14. O que Paulo ensinou sobre a lei nessa passagem?
Sobre o que
Paulo estava falando nesse texto? A expressão “até o regime da lei” é paralela
à declaração “de Adão a Moisés”. Ele estava falando sobre o período desde a
criação até o Sinai, antes da introdução formal das regras e leis do sistema
israelita, que incluíam, obviamente, os Dez Mandamentos.
“Até o regime da
lei” significa até que as exigências de Deus fossem detalhadas nas diversas
leis dadas a Israel no Sinai. O pecado já existia antes do Sinai. Como não
poderia existir? Por acaso a mentira, o assassinato, o adultério e a idolatria
não eram pecados antes? Claro que sim!
De fato, antes
do Sinai, os seres humanos, em geral, tinham apenas uma revelação limitada de
Deus. Porém, eles obviamente conheciam o suficiente para serem
responsabilizados. Deus é justo e não vai punir ninguém injustamente. As
pessoas que viveram no mundo antes do Sinai morreram, como Paulo apontou nessa
passagem. A morte passou a todos. Embora não tivessem pecado contra
um mandamento expressamente revelado, ainda assim eles haviam pecado. Eles
tinham as revelações de Deus na natureza, às quais não responderam e, portanto,
foram considerados culpados. “Os atributos invisíveis de Deus […] claramente se
reconhecem, desde o princípio do mundo […]. Tais homens são, por isso,
indesculpáveis” (Rm 1:20).
7. De
acordo com Romanos 5:20, 21, para qual propósito Deus Se revelou mais
plenamente na “lei”? Assinale a alternativa correta:
A.(
) Para que o povo entendesse a lei como meio de salvação.
B.(
) Para que a transgressão fosse ressaltada.
A instrução dada
no Sinai incluía a lei moral, embora esta tivesse existido antes disso. No
entanto, essa foi a primeira vez, de acordo com a Bíblia, que essa lei foi
escrita e amplamente proclamada.
Quando os
israelitas começaram a se comparar com as exigências divinas, descobriram que
estavam muito aquém desse ideal. Em outras palavras, “a ofensa” abundou. De
repente, eles perceberam a extensão de suas transgressões. O propósito de tal
revelação era ajudá-los a ver sua necessidade de um Salvador e levá-los a
aceitar a graça oferecida por Deus gratuitamente. Como foi enfatizado
anteriormente, a verdadeira versão de fé do Antigo Testamento não era
legalista.
Questionário
Como
as leis do seu país revelam uma concepção humana do certo e errado? Se as leis
da sociedade fazem isso, o que dizer da eterna lei de Deus?
Quinta-feira, 09 de novembro Ano Bíblico: At 10–12
Jesus, o segundo Adão
8. Leia
Romanos 5:18, 19. Qual é o contraste apresentado nessa passagem? Que esperança
nos é oferecida em Cristo?
Como seres
humanos, não recebemos nada de Adão, senão a sentença de morte. Cristo, no
entanto, interveio e venceu onde Adão caiu, suportando todas provas em favor
dos seres humanos. Ele redimiu o vergonhoso fracasso e queda de Adão e,
portanto, como nosso Substituto, colocou-nos em vantagem para com Deus. Por
isso, Jesus é o “segundo Adão”.
“O segundo Adão
era um agente moral livre, considerado responsável por Sua conduta. Cercado por
influências intensamente sutis e enganosas, Ele estava em posição muito menos
favorável do que o primeiro Adão para ter uma vida sem pecado. Contudo, em meio
aos pecadores, resistiu a toda tentação para pecar e conservou Sua inocência.
Sempre foi sem pecado” (Comentários de Ellen G. White, em Comentário
Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 6, p. 1195).
9. De
que maneira as ações de Adão e Cristo foram contrastadas em Romanos 5:15-19?
Observe as
ideias opostas ali: morte, vida; desobediência, obediência; condenação,
justificação; pecado, justiça. Jesus veio e desfez tudo que Adão tinha feito!
É igualmente
impressionante o fato de que a palavra “dom” ocorre cinco vezes em Romanos
5:15-17. Cinco vezes! A ideia é simples: Paulo estava enfatizando que a
justificação não é obtida; ela vem como um presente. É algo que não merecemos.
Como todos os presentes, temos que estender a mão e aceitá-lo. Nesse caso,
reivindicamos o presente pela fé.
Questionário
Qual
foi o melhor presente que você recebeu? Por que ele foi tão especial? O fato de
ter sido um presente, e não algo que você conquistou, fez você apreciá-lo mais?
No entanto, esse presente não se compara ao que temos em Jesus.
Nos pequenos
grupos, nas classes bíblicas, nas classes da Escola Sabatina e em outros
ministérios existem amigos que podem ser convidados para assistir à semana de
evangelismo de colheita, que ocorrerá de 19 a 26 de novembro. Já escolheu um
amigo para convidar?
Sexta-feira, 10 de novembro Ano Bíblico: At 13–15
Estudo adicional
Leia, de Ellen
G. White, “Auxílio na Vida Diária”, p. 470-472, em A Ciência do Bom
Viver; “Cristo, o Centro da Mensagem”, p. 383, 384, em Mensagens
Escolhidas, v. 1; “A Tentação e a Queda”, p. 60-62, em Patriarcas e
Profetas; Evangelismo, p. 577, sobre o estudo das profecias e a
salvação; “Justification”, p. 712-714, em The Seventh-day Adventist
Encyclopedia; “Componentes da Salvação”, p. 313-325, no Tratado de
Teologia Adventista do Sétimo Dia.
“Muitos se
enganam acerca do estado de seu coração. Não entendem que o coração natural é
enganoso mais que todas as coisas, e desesperadamente perverso. Envolvem-se em
sua própria justiça e se satisfazem em alcançar sua norma humana de caráter”
(Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 320).
“Há grande
necessidade de que Cristo seja pregado como única esperança e salvação. Quando
a doutrina da justificação pela fé foi apresentada […], ela foi para muitos
como água ao viajante cansado. O pensamento de que a justiça de Cristo nos é
imputada, não por causa de qualquer mérito de nossa parte, mas como dom
gratuito de Deus, parecia um pensamento precioso” (Ellen G. White, Mensagens
Escolhidas, v. 1, p. 360).
“De que maneira
Adão prefigurava Cristo (Rm 5:14)? Assim como Adão se tornou causa de morte
para seus descendentes, embora eles não tivessem comido da árvore proibida,
também Cristo se tornou um Distribuidor de justiça àqueles que são dEle, embora
eles não tenham merecido nenhuma justiça; porque mediante a cruz Ele assegurou
(justiça) para todos os homens. A figura da transgressão de Adão está em nós,
pois morremos como se tivéssemos pecado como ele. A figura de Cristo está em
nós, pois vivemos como se tivéssemos cumprido toda a justiça como Ele o fez”
(Martinho Lutero, Commentary on Romans [Comentário Sobre
Romanos], p. 96, 97).
Perguntas
para discussão
1. Escritores e
filósofos lamentaram a completa insignificância da vida, porque ela termina na
morte eterna. O que responder a eles? Por que a esperança em Jesus é a única
resposta para a falta de sentido da vida?
2. A queda de
Adão impôs uma natureza caída a todos nós, mas a vitória de Jesus ofereceu a
promessa de vida eterna pela fé. O que impede as pessoas de receber essa bênção
divina? Como podemos ajudar os que buscam entender essa oferta de Cristo?
Respostas
e atividades da semana: 1. Peça que um dos
alunos faça um resumo para a classe. 2. F, V. 3. A. 4. Pergunte
a opinião da classe. 5. Peça que os alunos formem duplas e
respondam: 1. Se Adão e Eva originaram o pecado na Terra, por que temos que
pagar pelas escolhas deles? 2. Como isso revela a injustiça que o pecado
traz? 6. Escolha um aluno para responder a essa
pergunta. 7. B. 8. Comente sobre a vitória de
Jesus onde Adão falhou. Pergunte a opinião dos alunos sobre a relação entre a
morte e o primeiro Adão, e entre a vida e o segundo Adão. 9. Dê
uma folha de papel para cada aluno. Peça que eles dividam a folha em duas
colunas. Na primeira, eles devem escrever “Adão”, e na outra “Jesus”. Em
seguida, tracem juntos um paralelo entre as ações de Adão e as de Jesus, e suas
consequências.
Resumo da Lição 6
Adão e Jesus
TEXTO-CHAVE: Romanos
5:1, 2
O
ALUNO DEVERÁ
Conhecer: Mais
implicações espirituais e teológicas da justificação unicamente pela fé.
Sentir: Mais
alegria e gratidão pelas bênçãos da salvação.
Fazer: Pensar
claramente acerca da queda de Adão e dos privilégios da salvação que temos por
meio da fé em Cristo.
ESBOÇO
I.
Conhecer: O que ocasionou o pecado e o sofrimento? Qual é a divina solução
redentora para a humanidade perdida?
A. O
que Satanás e Adão fizeram para que a humanidade caísse em pecado, sofrimento e
morte?
B. Por
que a vida, morte e ressurreição de Cristo concedeu aos pecadores um novo
status diante de Deus?
C. De
que modo os contrastes entre Adão e Cristo têm ajudado a explicar a salvação?
II.
Sentir: A agonia de Cristo ao ser exposto ao desprezível pecado e ao horror da
separação do Pai
A. Como
podemos ilustrar a exposição de Cristo ao repugnante pecado?
B. Como
podemos sentir o completo abandono de Cristo no Getsêmani e na cruz?
III.
Fazer: Refletir sobre o sentimento de Adão ao perceber a magnitude de sua falta
A. O
que sentimos quando causamos dor a um amigo?
B. Motive
os alunos a compartilhar uma situação em que foram abençoados por perdoar e
oferecer graça diante de um doloroso erro de alguém.
RESUMO: Em
espírito de oração, analise como o pecado, a expiação de Cristo e a
justificação pela fé estão racionalmente inter-relacionados.
Ciclo
do aprendizado
Motivação
Focalizando
as Escrituras: Romanos 5:1, 2
Conceito-chave
para o crescimento espiritual: A justificação
pela fé na obra expiatória de Cristo aponta para poderosas implicações para a
visão que os crentes devem ter sobre seu relacionamento com Adão e Cristo. Em
Adão há apenas culpa, condenação e morte, mas pela fé em Cristo há libertação
da culpa e do poder do pecado.
Para
o professor: Chegamos a um ponto importante
entre o significado dos ensinos bíblicos acerca do pecado, da justificação pela
fé em Cristo e da nova vida do crente no Espírito. Portanto, precisamos
compreender claramente como devemos nos relacionar com a herança comum que
temos em Adão e como, pela fé, podemos compartilhar da herança com Cristo. As
bênçãos das quais compartilhamos com Cristo certamente excedem as recompensas
que os crentes poderiam conseguir vivendo o legado de Adão. Em Cristo, a vida é
tipificada pelas bênçãos “muito mais” transcendentes de estar “reconciliado”
com Deus por meio do “sangue” de Cristo e ser “salvo” pela eficácia de Sua
“vida” (Rm 5:9, 10).
Discussão
inicial: Recapitule com a classe o
significado de nossa herança pecaminosa de Adão e do perdão por meio da fé na
obra expiatória de Cristo. Motive os alunos a examinar a pergunta: Por que a
salvação do poder do pecado por meio da fé em Cristo é fundamental para a
subsequente caminhada no Espírito?
Pense
nisto: Lembre-se das passagens bíblicas que
influenciaram sua caminhada com Deus e que despertaram sua consciência para a
necessidade de aceitação diante de Deus e do poder do Espírito no seu
discipulado. Ao preparar esta lição, separe um “horário para meditar” sobre o
impacto que o pecado teve em Adão e no segundo Adão, especialmente quando nosso
Senhor entrou no Getsêmani, o agonizante prelúdio de Sua cruel experiência no
Calvário.
Compreensão
Para
o professor: Lembre-se de que (1) a realidade
doutrinária da justificação pela fé foi claramente estabelecida em Romanos
3:21–4:25, e que (2) Paulo, no capítulo 5, passou a conduzir os leitores a uma
reflexão mais ampla acerca das bênçãos éticas, espirituais e teológicas (ou
implicações) que a justificação pela fé proporciona ao sincero crente em
Cristo.
Comentário bíblico
I.
A justificação traz a percepção de bênçãos maravilhosas
(Recapitule com
a classe Rm 5:1-5.)
Ser aceito por
Deus é como entrar numa sala de jantar e, de repente, perceber que um agradável
banquete de iguarias espirituais, “digno de rei”, foi planejado para a nutrição
dos filhos de Deus. Além disso, esse generoso banquete desperta um profundo
sentimento de gratidão pelo dom da “paz” (Rm 5:1), que concede novo status
jurídico diante de Deus e capacita os cristãos a se gloriarem “na esperança da
glória de Deus” (Rm 5:2). Essa alegria na “esperança” (Rm 5:4) ainda conduz os
cristãos a se gloriarem “nas tribulações” (Rm 5:3). Paulo continuou a
explicação com uma irônica afirmação de que as “tribulações” têm um modo de
produzir uma maravilhosa reação em cadeia, porque a “tribulação” também “produz
perseverança; e a perseverança, experiência; e experiência, esperança” (Rm 5:3,
4). Com a introdução do fator “esperança”, Paulo foi inspirado a proclamar que
essa esperança, longe de causar decepção ou confusão, conduz a uma experiência
do “amor de Deus” que “é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que
nos foi outorgado” (Rm 5:5).
Pense
nisto: As bênçãos listadas são quase
inacreditáveis. De que modo a última delas – o dom do Espírito Santo – capacita
o cristão a tomar posse de todas as outras que subsequentemente serão
concedidas?
II.
A fonte de todas as nossas esperanças
(Recapitule com
a classe Rm 5:6-11.)
As passagens
inspiradas de Romanos 5:6-11 incluem os atos reconciliatórios de Deus por meio
da vida e morte de Cristo. Elas iluminam a maneira pela qual os crentes,
conduzidos pelo Espírito, podem “receber” esses poderosos atos de
“reconciliação” (Rm 5:11). O Espírito aponta para a morte substitutiva de
Cristo como a fonte de todas as “esperanças” dos cristãos.
Perguntas
para discussão
1. Provavelmente,
as palavras mais profundas nessa passagem sejam as seguintes expressões: “sendo
justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira” (Rm 5:9). Como
devemos interpretar as palavras “sangue” e “ira” quando se trata da amorosa
provisão de Deus para nossa “reconciliação” com Ele (Rm 5:10, 11)? O texto
de Romanos 5:10, 11 fala da “morte” de Cristo e também de “Sua vida”. Em que
sentido podemos dizer que a vida de Cristo reconcilia os crentes?
2. A
“vida [de Cristo]” também é imputada aos crentes, assim como a Sua “morte”? Ou
a “vida” de Cristo é dada mais como um exemplo de serviço sacrifical e
orientação moral? Explique as razões de suas respostas.
III.
O primeiro e o segundo Adão
(Recapitule com
a classe Rm 5:12-14.)
Estes são os
fatos históricos: em Adão toda a humanidade foi incluída no pecado e na culpa.
Como tal, Adão se tornou a fonte do pecado, e Cristo (o segundo Adão), a fonte
da libertação do pecado – tanto da sua culpa quanto do seu poder. Não
conseguimos explicar o pecado (o “mistério da iniquidade” ou “ilegalidade” [2Ts
2:7], mas Paulo declarou que em Cristo há esperança para a vitória sobre ele.
Pense
nisto: Não conseguimos explicar a origem do
pecado nem nossa herança de Adão. Mas Deus fez provisão em Cristo para a
salvação eterna de todos. O que essa provisão tem a dizer acerca da justiça de
Deus em permitir que o pecado entrasse no Universo?
IV.
Convicção do pecado e libertação dele
(Recapitule com
a classe Rm 5:15-21.)
Há outras duas
questões que clamam por explicação: (1) Que diferença a lei faz no processo de
convencer as pessoas do pecado?; (2) Quão “abundante” é a divina libertação do
pecado? O principal propósito da lei, embora conhecida somente de modo geral
antes do Sinai, era convencer o pecador do pecado e da necessidade de salvação.
Mas com a revelação da lei no Sinai, as pessoas descobriram que estavam com
sérios problemas morais, isto é, “a ofensa” do pecado superabundava (Rm 5:20).
No entanto, a abundância do pecado tem apontado para uma superabundância de
“graça” para salvação do pecado (Rm 5:20, 21).
Pense
nisto: É impressionante que a abundante graça
de Deus seja “muito mais” transbordante que o pecado e o egoísmo (Rm 5:17). A
abundância de otimismo na “abundante” graça de Cristo tem a palavra final
quando se refere a qualquer questão acerca da justiça e bondade de Deus em
lidar com os muitos desafios relacionados ao nosso pecado. E é somente nessa
visão que Romanos 5:15-19 tem sentido redentivo. Qual seria a resposta humana
adequada para a promessa de Romanos 5:21, em que lemos: “como o pecado reinou
pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna,
mediante Jesus Cristo, nosso Senhor”?
Aplicação
Para
o professor: É notável que a palavra dom ocorre
cinco vezes em Romanos 5:15-17. Portanto, a justificação “não é conquistada”,
mas é um dom concedido estritamente pela graça de Deus. “Dom” é a palavra
definitiva de Paulo acerca da justificação. Com base nessa argumentação, ele
passou para as questões relacionadas à nova vida no Espírito a partir do
capítulo 6.
Perguntas
para reflexão
1. Como
essa vasta descrição do conflito humano entre a herança de morte “em Adão” e a
de vida “em Cristo” permite que os crentes enfrentem suas tentações mais
difíceis e desafiadoras?
2. Quando
discutimos sobre o sentido da vida, podemos pensar em uma questão mais prática
ou filosoficamente essencial do que a seguinte: Qual é o foco da nossa vida?
Estamos vivendo em Adão (uma vida de pecado, isto é, uma vida sem fé em Cristo)
ou estamos vivendo em Cristo (por meio da fé nEle)? Em outras palavras: Estamos
no “Espírito” ou na “carne”? Dê razões para sua resposta.
Criatividade
e atividades práticas
Para
o professor: De que modo podemos tornar prática
a lição desta semana, com sua ampla visão da morte em Adão e da vida em Cristo?
Incentive os alunos a compartilhar momentos em que estiveram “em Adão” e outros
em que estiveram “em Cristo”. Oriente-os a não entrar em detalhes embaraçosos ou
sombrios, concentrando-se na questão essencial envolvida em sua vida com Deus e
em como a libertação por meio de Cristo e Seu Espírito se tornou uma realidade
para eles.
Atividades
1. Desafie
os alunos a escrever uma breve autobiografia espiritual, com ênfase nos
momentos decisivos que desenvolveram sua convicção quanto à necessidade de
salvação. Talvez eles queiram relatar como aceitaram a Cristo e como
reconheceram a vontade de Deus para eles de modo concreto.
2. Separe
um tempo com a classe para que os alunos mencionem pessoas que, na prática,
foram as mais decisivas e influentes em sua caminhada cristã. Motive alguns
deles a relatar como o exemplo desses cristãos os capacitou a exercitar seus
dons espirituais.
Planejando
atividades: O que sua classe pode fazer na
próxima semana como resposta ao estudo da lição?
Carta Missionaria
Problemas com o sábado
A mãe de Nikita
Kirkachev era adventista e lhe ensinou sobre Deus desde a infância, mas o pai
não permitia que ele fosse à igreja. O pai disse que ele poderia fazer o que
desejasse depois dos 18 anos. Antes disso, deveria obedecê-lo.
Após completar
18 anos, Nikita se mudou para estudar arquitetura na cidade de Rostov do Don,
no sul da Rússia. A primeira coisa que fez depois de desfazer as malas foi
procurar a Igreja Adventista do Sétimo Dia mais próxima. Ele começou a estudar
profundamente a Bíblia e a guardar o sábado.
Questões
quanto ao sábado
Logo, Nikita
começou a enfrentar problemas na universidade. Os professores começaram a lhe
enviar notificações. Toda vez que faltava a uma aula no sábado, recebia uma
mensagem. Como ele faltou a todas as aulas dos sábados, recebeu muitas
advertências e corria o risco de ser expulso.
O pai ficou
furioso ao descobrir que ele estava frequentando a igreja em vez das aulas. Ele
o repreendeu em um longo telefonema. Ele o acusou de se envolver com uma seita
religiosa. Nikita percebeu que o pai esperava que, aos 18 anos, seu interesse
nas coisas divinas diminuísse. Ele disse ao pai que o amava, mas amava muito
mais a Deus e desejava obedecê-Lo.
A mãe ficou
feliz porque o filho colocou Deus em primeiro lugar. Ela leu para ele Isaías
41:10, que diz: “Não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois Sou o seu
Deus.
Eu o
fortalecerei e o ajudarei; Eu o segurarei com a Minha mão direita vitoriosa”
(NVI). Juntos, oraram por esse problema.
Nikita pediu
permissão ao reitor da universidade para não frequentar as aulas aos sábados.
Mas o reitor disse que não podia abrir exceção. Ele disse que os outros
estudantes o acusariam de favorecê-lo.
Sem outras
opções, ele decidiu pedir permissão a cada professor para frequentar as aulas
em outros dias. Essa abordagem funcionou por dois anos. Muitos exames também
eram feitos aos sábados, e os professores permitiram que Nikita os realizasse
em outros dias da semana.
A princípio,
seus colegas não o entenderam. Mas começaram a apoiá-lo e defendê-lo diante dos
professores.
Entretanto,
vários professores não simpatizavam com Nikita. Eles não compreendiam por que
Nikita colocava a igreja acima dos estudos. Cada vez mais, ele ficava
preocupado com a possibilidade da expulsão, pois sabia que a educação era
importante para seu pai, e Nikita não queria decepcioná-lo.
Ultimatos
Um dia, o reitor
chamou Nikita ao seu escritório e deu o ultimato que ele tanto temia: “Se você
faltar mais uma aula no sábado, vou expulsá-lo”, disse.
Na igreja, os
irmãos oraram sobre a situação. Dois pastores visitaram o reitor para explicar
por que ele faltava às aulas. Deus interveio. O reitor disse que Nikita poderia
ficar se concordasse em fazer um trabalho extracurricular para a universidade.
Ele pediu que Nikita ajudasse a organizar várias exposições sobre saúde.
As coisas se acalmaram
por um tempo, até que o reitor saiu da universidade, e os problemas começaram
novamente.
O maior problema
surgiu quando uma professora se recusou a aplicar o exame final em outro dia.
Durante todo o semestre, Nikita não havia assistido a nenhuma aula dessa
professora porque elas aconteciam aos sábados. Os colegas passavam para ele os
exercícios feitos em sala de aula e as tarefas de casa. Quando Nikita explicou
à professora por que não podia fazer o exame final no sábado, ela disse: “Venha
no sábado ou será reprovado nessa matéria.”
Nikita pensou
que esse seria o fim dos seus estudos. O reitor não o apoiou, e a professora
continuou irredutível. Ela até agendou o exame final para um sábado.
Nikita clamou
pela intervenção divina.
Mudança
de coração
Pouco depois
dessa oração, uma professora passou por Nikita pelo campus da faculdade, parou
ao seu lado e falou. “Venha ao meu escritório”, disse. “E me mostre suas
tarefas de casa”.
Era a professora
que havia se recusado a ajudar Nikita durante o semestre. De repente, ela
queria examinar suas tarefas de casa. Deus tocou o coração da professora, e ele
foi aprovado na matéria.
“Ao longo dos
desafios por causa do sábado, aprendi a obedecer e a me submeter a Deus. Sou
grato porque Ele me deu confiança e esperança para o futuro.
“Logo chegará
minha formatura, e começarei minha vida profissional. Não estou preocupado com
o futuro por dois motivos: Deus tem sido fiel em cumprir Sua promessa de me
sustentar com a destra da Sua justiça, e meu último exame, antes da graduação,
não será realizado no sábado”, diz Nikita.
Parte da oferta
deste trimestre ajudará a construir um Centro Comunitário Adventista do Sétimo
dia em Rostov do Don, onde os estudantes poderão se reunir e compartilhar Jesus
com os outros. Obrigado por apoiar a proclamação do evangelho com as ofertas
missionárias da Escola Sabatina!
Resumo
missionário
• Atualmente,
Rostov do Don está construída na região de Tanais, uma antiga colônia grega que
mais tarde se tornou Fort Tana sob os genoveses e Fort Azak na época do Império
Otomano.
• A cidade e
suas regiões vizinhas possuem uma variedade de crenças religiosas. A Igreja
Ortodoxa Russa é a predominante, mas há um número significativo de católicos,
alguns judeus, budistas e cristãos armênios, bem como protestantes.
• Alguns autores
famosos associados com Rostov do Don incluem Anton Chekhov, Mikhail Sholokhov,
Alexander Pushkin, Maxim Gorky e Alksandr Solzhenitsyn.
Comentário da Lição da Escola Sabatina – 4º
trimestre de 2017
Tema geral: Salvação somente pela fé: o livro de
Romanos
Lição 6: 4 a 11 de novembro
Adão e Jesus
Autor:
Pr. Clacir Virmes Junior, professor de Teologia na FADBA – Cachoeira, Bahia.
Revisora:
Josiéli Nóbrega
Introdução
Tendo mostrado
que a justificação pela fé está fundamentada nas Escrituras, Paulo se voltou
para uma discussão sobre a origem do nosso problema com o pecado e a solução
oferecida por Cristo. Como pode o sacrifício de uma só pessoa salvar todos os
seres humanos? O que aconteceu no Éden e como Jesus reverteu o processo que se
iniciou ali?
Justificado
pela fé
Depois de
declarar sua tese e defendê-la por meio da Bíblia, o apóstolo se concentrou nos
efeitos imediatos da justificação. Romanos 5:1 declara que, uma vez que
aceitamos pela fé a justiça de Cristo, temos paz com Deus. A ênfase não é a
sensação nem o sentimento de paz, mas a realidade objetiva da justificação,
embora o sentimento não seja descartado. Uma vez que fomos perdoados, nossa
condição de rebeldia diante do Senhor é completamente esquecida e apagada.
Estamos reconciliados. Pela obra da graça provida por Jesus, não há mais
hostilidade entre nós e Deus.
Romanos 5:2 e 3
tem como pano de fundo a tensão neotestamentária conhecida como já/não ainda.
Por um lado, tendo sido justificados, podemos nos alegrar na esperança da
glória de Deus. Pela fé, podemos nos enxergar traspassando os portais eternos,
vivendo como cidadãos do reino eterno. Ao mesmo tempo, alegramo-nos mesmo nas
tribulações. A justificação pela fé não é garantia de uma vida sem problemas
enquanto estivermos neste mundo. É a certeza de que, mesmo em meio às
perseguições, circunstâncias adversas e todo o mal que possa nos sobrevir,
podemos saber que Deus está em meio a todos esses eventos moldando-nos e
transformando-nos.
Enquanto
ainda pecadores
Sob outra
perspectiva agora, o apóstolo voltou a falar sobre a justificação, com foco
especialmente na obra de Cristo na cruz. Ele iniciou dizendo que quando Jesus
morreu éramos ainda fracos, isto é, ímpios. Aqui há uma retomada da ideia de
que todos estão sob a maldição do pecado. Quando Cristo entregou Sua vida no
madeiro, toda a humanidade ainda era inimiga de Deus. Paulo, então, reforçou
seu argumento mostrando que, mesmo num mundo mal, as pessoas têm o senso de que
seria nobre morrer por uma pessoa boa. Mas no caso do sacrifício de Cristo,
essa lógica foi completamente subvertida. Jesus morreu por pecadores, por
ímpios, por inimigos, e nas mãos deles. E aí está demonstrado Seu grande amor:
Ele morreu mesmo que não merecêssemos Seu sacrifício.
Em Romanos 5:9,
Paulo declarou que, por causa da justificação que vem do sangue derramado por
Jesus, somos salvos da ira. Uma vez que éramos pecadores, por definição, éramos
inimigos de Deus. A justa reação divina contra nosso caráter pecaminoso e
nossas ações pecaminosas seria a ira. Mas no Calvário, essa ira, em vez de
recair sobre nós, foi colocada sobre Jesus, para que nós, que não merecíamos,
pudéssemos receber a vida eterna.
O apóstolo,
então, prosseguiu explicando que não somente a morte de Jesus, mas Sua vida
está a nosso favor. Numa leitura superficial, a expressão “seremos salvos pela
Sua vida”, de Romanos 5:10, parece estar falando da vida santa e pura que Jesus
viveu durante Seu ministério terrestre. Contudo, o contexto parece indicar que
Paulo se referiu à vida de Jesus depois da ressurreição, como que retomando o
tema com o qual finalizou o capítulo 4. Isso faz pleno sentido quando unimos
esse verso à teologia do santuário encontrada no livro de Hebreus. Após Sua
ascensão, Cristo foi entronizado no santuário celestial e vive “sempre para
interceder por eles” (Hb 7:25). A obra de Jesus na cruz o habilitou, desde Sua
ressurreição, a apresentar os méritos de Seu sangue diante de Deus para que nós
constantemente possamos ser justificados e aceitos diante do Senhor.
Morte
por meio do pecado
Romanos 5:12 a
19 é uma grande comparação entre Adão e Cristo, o segundo Adão. Na Idade Média,
um problema de tradução em Romanos 5:12 trouxe a oportunidade para o surgimento
da doutrina do pecado original. No fim do verso, onde lemos “porque todos
pecaram”, a Vulgata Latina, a principal versão usada pela igreja de então,
traduziu o texto como “in quo omnes peccaverunt”, literalmente “no
qual todos pecaram”. Agostinho, partindo daí, desenvolveu a ideia de
que todos participavam do pecado original de Adão. Hoje, contudo, a maioria
esmagadora dos teólogos entende que a melhor tradução é a que encontramos na
Almeida Revista e Atualizada.
Apesar das
grandes discussões em torno do texto, o principal argumento paulino aqui é que
Adão foi o iniciador do pecado em nosso mundo. A preocupação de Paulo não era
tanto explicar como isso aconteceu, mas atestar o fato de que, uma vez iniciado
com Adão, o processo de pecar e a consequente morte a que isso leva foi
inevitável. Além disso, o apóstolo quer demonstrar que, uma vez que a morte
reinou mesmo antes da entrega da lei no Sinai, a graça de Cristo é mais do que
suficiente para resolver o problema do pecado. Um problema tão sério que, mesmo
antes que a lei fosse formalizada no Sinai, ele já ceifava suas vítimas.
De
Adão a Moisés
Por que Paulo se
concentra no período entre Adão e Moisés? Norman Gulley (2012, p. 160) fez o
seguinte comentário sobre esse ponto:
O fato de Paulo
destacar um período da história humana, de Adão a Moisés, indica que ele não
estava preocupado com o pecado hereditário, um problema central em muitas
teorias de imputação. Seu foco está na superabundante graça de Cristo apesar do
reino do pecado. Adão iniciou a situação do pecado da qual depravação e morte
resultaram. Apesar de a morte não ser uma punição pelo pecado de Adão, é uma
consequência de seu pecado. O pecado de Adão deu aos seres humanos uma
tendência para pecar, uma propensão para o pecado, que está na natureza dos
seres humanos no nascimento. A natureza humana tem certas propensões como
resultado do relacionamento partido de Adão com Deus.
A conclusão é
que, apesar de não estar declarada nos termos do Decálogo, a lei já existia
antes. Seus grandes princípios já eram conhecidos, contudo não na forma como
foram declarados no Sinai. A essência da lei é o amor, o fundamento mais básico
do caráter de Deus. Assim, mesmo que não em termos formais, a lei foi
desobedecida e quebrada desde que o pecado entrou no mundo. Por isso, João é
claro em definir o pecado: ele é a transgressão da lei (1Jo 3:4), a grande lei
do amor.
Jesus,
o segundo Adão
A partir de
Romanos 5:15, Paulo traçou uma série de paralelos entre Adão e Jesus. O que um
trouxe por causa do seu pecado, o outro desfez por Sua graça. Por causa do
pecado de Adão, muitos morreram; por causa da morte de Jesus, muitos podem
receber vida. A ofensa única de Adão colocou o mundo sob maldição; mas o ato
único da cruz, apesar de levar em conta “muitas ofensas”, ou seja, o pecado de
todos os seres humanos, trouxe bênção sobre a humanidade inteira. O primeiro
pecado trouxe o reino da morte; a morte de Jesus, trouxe o reino da vida. Por
causa do nosso primeiro patriarca, todos se tornaram pecadores, mas por causa
de Cristo, muitos podem se tornar justos. O pecado trouxe seus efeitos, porém a
graça anulou esses efeitos muito além do que possamos imaginar.
Aqui cabe uma
nota de cautela. Ao mesmo tempo em que a graça se tornou disponível para todos,
assim como o pecado passou a todos os seres humanos, isso não significa que
todos se salvarão. No fim de Romanos 5:21, Paulo deixou claro que a vida eterna
é dada mediante Jesus Cristo. Apesar de estar franqueada a todos, a salvação é
obtida por meio da fé no Redentor. Os efeitos salvíficos da morte substitutiva
de Jesus não estão automaticamente “na conta” de todos, a não ser que decidam
aceitar a obra do Cordeiro de Deus em seu favor. A teologia que ensina que
todos serão salvos, independentemente de suas decisões neste mundo, conhecida
como universalismo, não é bíblica. Ela deixa de levar em conta a resposta que
cada ser humano deve dar ao grande sacrifício feito por Jesus na cruz.
Conclusão
Há uma
implicação importante da discussão de Paulo em Romanos 5 que vai além da
mensagem apostólica. Toda a argumentação do apóstolo nesse capítulo depende da
historicidade de Adão. Em nossos dias, muitos teólogos negam a realidade
histórica do primeiro par, conforme descrita nos primeiros capítulos de Gênesis.
Isso acontece especialmente por causa da tentativa de unir uma perspectiva
evolucionista com os dados bíblicos. Para isso, ao ler Romanos 5, muitos
entendem que Paulo está fazendo referência ao “mito” de Adão, e não a uma
realidade histórica. Contudo, não há, em nenhum momento da discussão apostólica
qualquer indicativo disso; muito pelo contrário, o apóstolo contrasta duas
realidades históricas: a queda no jardim, diante da árvore do conhecimento do
bem e do mal, e o reerguimento do ser humano depois do jardim do Getsêmani, no
madeiro do Calvário. Qualquer tentativa de diminuir a força do relato da
criação conforme descrita em Gênesis colocaria por terra toda a teologia
paulina, não só aqui, como em grande parte de sua explanação em outros lugares.
GULLEY,
Norman. Systematic theology: creation, Christ, salvation. Berrien
Springs: Andrews University Press, 2012. v. 3. 817 p.
Autor
do comentário: Clacir Virmes Junior é
graduado em Sistemas de Informação (2005) pela Universidade do Oeste de Santa
Catarina (UNOESC) e em Teologia (2010) pelo Seminário Adventista
Latino-Americano de Teologia, sede Bahia (SALT-FADBA). É mestre em Teologia
Bíblica (2014) pelo mesmo seminário e mestre em Ciências das Religiões (2015)
pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Exerceu as funções de pastor
distrital durante 5 anos (2011-2015) na Missão Nordeste (MN) da União Nordeste
Brasileira (UNeB). Desde 2016 é professor de Novo Testamento e coorderna as
atividades de extensão no SALT-FADBA. É casado com a Drª. Daniella Cláudia
Barbosa Ângelo Virmes, médica, especialista em Medicina de Família e Comunidade
(2015) pela UFPB e membro da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e
Comunidade (2016).

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