Lição 5 28 de outubro a 04 de novembro
Sábado à tarde Ano Bíblico: Lc 23, 24
VERSO
PARA MEMORIZAR: “Anulamos,
pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei” (Rm
3:31).
LEITURAS
DA SEMANA: Gn 15:6; 2Sm 11; 12;
Rm 3:20, 31; 4:1-17; Gl 3:21-23; 1Jo 3:4
Em
muitos aspectos, Romanos 4 vai ao fundamento da doutrina bíblica da salvação
unicamente pela fé e ao cerne do que foi iniciado pela Reforma Protestante.
Nesta semana, esse movimento que começou com Lutero completa 500 anos, e os
protestantes fiéis nunca olharam para trás.
Ao
usar Abraão, modelo de santidade e virtude, como exemplo de alguém que precisou
ser salvo pela graça, sem as obras da lei, Paulo não deixou espaço para
equívocos. Se as obras e o cumprimento da lei não foram suficientes para
justificar perante Deus aquele que era o “melhor”, que esperança temos? Se a
salvação de Abraão teve que ser pela graça, todos os outros, judeus e gentios,
devem receber a salvação da mesma forma.
Em
Romanos 4, Paulo revelou três etapas principais no plano da salvação: (1)
a promessa da bênção divina (a promessa da graça), (2) a resposta humana a essa
promessa (a resposta da fé) e (3) o pronunciamento divino da justiça creditada
àqueles que creem (justificação). Foi assim com Abraão e é assim conosco.
Para
provar seu argumento sobre a salvação unicamente pela fé, Paulo citou as
seguintes palavras do livro de Gênesis: “Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi
creditado como justiça” (Gn 15:6, NVI). Perceba a justificação pela fé em uma
das primeiras páginas da Bíblia.
Domingo, 29 de outubro Ano Bíblico: Jo 1–3
A lei
1. Qual é o argumento de Paulo em Romanos 3:31? Por
que ele é tão importante? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
A.( ) Embora sejamos salvos pela graça mediante a fé, a
obediência à lei moral continua valendo. A lei mantém sua função ética.
B.( ) A lei é superior à fé. Devemos nos apegar à lei,
pois cumprindo-a, seremos salvos.
Nessa
passagem, Paulo afirmou enfaticamente que a fé não anula a lei de Deus. Porém,
mesmo aqueles que guardavam a lei ou todo o corpo de leis do Antigo Testamento
nunca foram salvos por essa prática. A religião do Antigo Testamento, assim
como a do Novo, sempre teve como base a graça de Deus, concedida aos pecadores
pela fé.
2. Leia Romanos 4:1-8. Por que no Antigo Testamento
a salvação era pela fé e não pelas obras da lei? Assinale a alternativa
correta:
A.( ) Abraão se tornou justo porque creu; Davi afirmou
que é feliz aquele a quem Deus atribui justiça, independentemente da lei.
B.( ) Abraão teve que demonstrar que merecia ser salvo.
Davi recomendou obediência à lei como meio de salvação.
De
acordo com essa narrativa do Antigo Testamento, Abraão foi considerado justo
porque “creu em Deus”. Portanto, o próprio Antigo Testamento ensina a
justificação pela fé. Assim, é falsa a conclusão de que a fé “anula” (do
grego katargeo, que significa “torna inútil” ou “invalida”) a
lei. A salvação pela fé faz parte do Antigo Testamento. A graça é ensinada em
todas as suas páginas. Por exemplo, o que foi o ritual do santuário, senão uma
representação de como os pecadores são salvos, não por suas próprias obras, mas
pela morte de um substituto?
Além
disso, o que mais pode explicar o perdão concedido a Davi após seu caso sórdido
com Bate-Seba? Certamente, não foi a lei que o salvou, pois ele transgrediu
tantos princípios da lei que ela o condenou em inúmeros aspectos. Se Davi
tivesse que ser salvo pela lei, ele jamais teria alcançado a salvação.
Paulo
apresentou a restauração de Davi ao favor divino como um exemplo de
justificação pela fé. O perdão foi um ato da graça de Deus. Aqui, então, está
outro exemplo de justificação pela fé no Antigo Testamento. Na verdade, por
mais legalistas que muitas pessoas fossem no antigo Israel, a religião judaica
sempre foi uma religião da graça. O legalismo foi uma perversão dela, não seu
fundamento.
Questionario
Reflita
sobre o pecado e a restauração de Davi (2Sm 11; 12; Sl 51). Que esperança você
tem a partir dessa história? Como devemos tratar aqueles que caíram?
Segunda-feira, 30 de outubro Ano Bíblico: Jo 4–6
Dívida ou graça?
A
questão com a qual Paulo estava lidando era muito mais do que apenas teologia.
Ela vai à essência da salvação e do nosso relacionamento com Deus.
Se alguém acredita que deve merecer aceitação, que deve chegar a um certo padrão de santidade antes de ser justificado e perdoado, então é muito natural olhar para si mesmo e para as próprias obras. A religião pode se tornar excessivamente egocêntrica, a última coisa de que alguém precisa.
Se alguém acredita que deve merecer aceitação, que deve chegar a um certo padrão de santidade antes de ser justificado e perdoado, então é muito natural olhar para si mesmo e para as próprias obras. A religião pode se tornar excessivamente egocêntrica, a última coisa de que alguém precisa.
Em
contrapartida, se alguém compreende a grande notícia de que a justificação é um
dom de Deus, totalmente imerecido, é muito mais fácil e natural que essa pessoa
dirija seu foco para o amor e a misericórdia de Deus, não para si mesmo.
Afinal,
quem refletirá mais o amor e o caráter de Deus: o egocêntrico ou aquele que
está centrado em Deus?
3. Leia Romanos 4:6-8. Como Paulo expandiu o tema
da justificação pela fé?
“O
pecador tem que ir a Cristo, com fé, apropriar-se de Seus méritos, depor seus
pecados sobre o Portador dos pecados e receber Seu perdão. Foi por causa disso
que Cristo veio ao mundo. Assim é imputada a justiça de Cristo ao pecador
arrependido e crente. Torna-se então membro da família real” (Ellen G.
White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 215).
Paulo
continuou explicando que a salvação pela fé não era apenas para os judeus, mas
também para os gentios (Rm 4:9-12). Na verdade, tecnicamente, Abraão não era
judeu; ele veio de uma linhagem pagã (Js 24:2). A distinção entre gentios e
judeus não existia em seu tempo. Quando Abraão foi justificado (Gn 15:6), ele
nem mesmo foi circuncidado. Assim, Abraão se tornou pai de ambos, circuncisos e
incircuncisos, bem como um grande exemplo que Paulo pôde usar para apresentar
seu argumento sobre a universalidade da salvação. A morte de Cristo foi em
favor de todos, independentemente da origem ou nacionalidade (Hb 2:9).
Considerando
a universalidade da cruz e o que ela nos revela sobre o valor de cada ser humano,
por que é tão terrível o preconceito racial, étnico ou nacional? Somos
preconceituosos? Como vencer essa atitude?
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Terça-feira, 31 de outubro Ano Bíblico:
Jo 7–9
A promessa
Hoje
faz 500 anos que Martinho Lutero pendurou suas 95 teses na porta da igreja de
Wittenberg. É maravilhoso o fato de que o assunto de hoje também aborda a
essência da salvação pela fé.
Em
Romanos 4:13, “promessa” e “lei” são contrastadas. Paulo estava buscando
estabelecer um pano de fundo do Antigo Testamento para seu ensino da
justificação pela fé. Ele encontrou um exemplo em Abraão, a quem todos os
judeus aceitavam como antepassado deles. A aceitação ou a justificação havia
ocorrido para Abraão completamente à parte da lei. Deus fez uma promessa a
Abraão de que ele seria “herdeiro do mundo”. Abraão creu nessa promessa; ou
seja, ele aceitou a função que ela envolvia. Como resultado, Deus o aceitou e
trabalhou por meio dele para salvar o mundo. Esse é um exemplo poderoso de como
a graça atuava no Antigo Testamento e, sem dúvida, foi por isso que Paulo o
usou.
4. Leia Romanos 4:14-17. De que maneira Paulo
continuou mostrando como a salvação pela fé era central no Antigo
Testamento? Veja também Gl 3:7-9.
Como
dissemos no início, é importante considerar as pessoas para quem Paulo estava
escrevendo. Esses cristãos judeus estavam imersos na lei do Antigo Testamento,
e muitos deles acreditavam que sua salvação dependia de quão bem eles
guardassem a lei, embora o Antigo Testamento não ensinasse isso.
Na
tentativa de corrigir esse equívoco, Paulo argumentou que Abraão recebeu as
promessas mesmo antes da lei no Sinai, não pelas obras da lei (o que teria sido
difícil, uma vez que a lei – isto é, toda a Torá e o sistema cerimonial – ainda
não estavam em vigor), mas pela fé.
Se
Paulo estivesse se referindo exclusivamente à lei moral ali, a que existia em
princípio mesmo antes do Sinai, o argumento permanece o mesmo. Talvez ainda
mais! Buscar receber as promessas de Deus por meio da lei, ele disse, torna a
fé vazia, até inútil. Essas são palavras fortes, mas seu argumento foi que a fé
salva, e a lei condena. Ele estava tentando ensinar sobre a inutilidade de
buscar a salvação mediante a mesma coisa que nos leva à condenação. Todos nós,
judeus e gentios, transgredimos a lei e, portanto, todos necessitamos da mesma
coisa de que Abraão necessitou: a justiça salvadora de Jesus creditada a nós
pela fé, a verdade que por fim levou à Reforma Protestante.
Quarta-feira, 01 de novembro Ano Bíblico: Jo 10, 11
Lei e fé
Como
vimos ontem, Paulo mostrou que a maneira pela qual Deus tratou Abraão prova que
a salvação vem mediante a promessa da graça e não por meio da lei. Portanto, se
os judeus desejassem ser salvos, teriam que abandonar a confiança em suas obras
e aceitar a promessa abraâmica, agora cumprida na vinda do Messias. Assim
também é para todos, judeus ou gentios, que pensam que suas “boas” obras são
tudo o que é necessário para torná-los justos diante de Deus.
5. “O princípio de que o homem pode se salvar por
suas próprias obras, […] está na base de toda religião pagã […]. Onde quer que
seja mantido, os homens não têm barreira contra o pecado” (Ellen G.
White, O Desejado de Todas as Nações, p. 21). O que isso
significa? Por que a ideia de que podemos nos salvar por meio de nossas obras
nos deixa tão abertos ao pecado?
6. Como Paulo explicou a relação entre a lei e a fé
em Gálatas? (Veja Gl 3:21-23). Complete as lacunas:
A
fé nos _________________ de estar debaixo da _________________,
sob sua _________________.
Se
houvesse uma lei que pudesse dar vida, certamente teria sido a lei de Deus. No
entanto, Paulo disse que nenhuma lei pode dar vida, nem mesmo os mandamentos de
Deus, pois todos transgrediram essa lei e, portanto, todos são condenados por
ela.
Mas
a promessa da fé, mais plenamente revelada por Cristo, liberta todos os crentes
da condição em que estão “debaixo da lei”; isto é, a situação em que são
condenados e oprimidos por tentar ganhar a salvação por meio dela. A lei se
torna um fardo quando é apresentada sem fé, sem graça, pois sem fé, sem graça,
sem a justiça que vem pela fé, estar debaixo da lei significa estar debaixo do
fardo e da condenação do pecado.
Questionario
A
justificação pela fé é algo fundamental em sua caminhada com Deus?
De
19 a 26 de novembro, teremos o evangelismo de colheita, em toda a América do
Sul. Para alcançar sucesso, é essencial: (1) realizar o trabalho das classes
bíblicas; (2) acompanhar os resultados da atuação das duplas missionárias; (3)
desafiar cada pessoa a orar por um amigo e convidá-lo a assistir ao
evangelismo; (4) fortalecer os ministérios de visitação e recepção.
Quinta-feira, 02 de novembro Ano Bíblico: Jo 12, 13
A lei e o pecado
Muitas
vezes ouvimos pessoas dizendo que a lei foi abolida na nova aliança, e então
elas citam textos que supostamente provam esse argumento. A lógica por trás
dessa afirmação, no entanto, não é muito sólida, nem a teologia.
7. Leia 1 João 2:3-6; 3:4 e Romanos 3:20. O que
esses textos revelam sobre a relação entre lei e pecado? Complete as lacunas:
“Ninguém
será ___________ diante dEle por obras da ______________, em
razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do ______________” (Rm
3:20).
Há
centenas de anos, o escritor irlandês Jonathan Swift escreveu: “Mas será que
algum homem dirá que, se as palavras ‘beber’, ‘trapacear’, ‘mentir’ e ‘roubar’
fossem expulsas da língua portuguesa e dos dicionários, deveríamos acordar na
manhã seguinte temperantes, honestos, justos e amantes da verdade? Essa seria
uma consequência razoável?” (Jonathan Swift, A Modest Proposal and
Other satires [Uma Proposta Modesta e Outras Sátiras] [Nova York:
Prometheus, 1995] p. 205).
Da
mesma forma, se a lei de Deus foi abolida, então por que mentir, assassinar e
roubar ainda é pecado ou errado? Se a lei de Deus foi mudada, então a definição
de pecado também deve ser mudada. Ou se a lei de Deus foi abolida, então o
pecado também deve ser, e quem crê nisso? (Veja também 1Jo 1:7-10, Tg 1:14,
15).
No
Novo Testamento, aparecem tanto a lei como o evangelho. A lei mostra o que é o
pecado; o evangelho indica o remédio para esse pecado, que é a morte e a
ressurreição de Jesus. Se não há lei, não há pecado, e então, do que somos
salvos? Somente no contexto da lei e em sua validade continuada o evangelho tem
sentido.
Muitas
vezes ouvimos que a cruz anulou a lei. Isso é bastante irônico, pois a cruz
mostra que a lei não pode ser revogada nem alterada. Se Deus não revogou nem
mesmo mudou a lei antes de Cristo morrer na cruz, por que fazê-lo depois? Por
que não se livrar da lei depois que o homem pecou e assim poupá-lo da punição
legal que a transgressão da lei acarreta? Dessa maneira, Jesus nunca precisaria
ter morrido. A morte de Jesus mostra que, se a lei pudesse ter sido alterada ou
abolida, isso deveria ter sido feito antes da cruz, não depois. Portanto, nada
revela mais a validade continuada da lei do que a morte de Jesus, uma morte que
ocorreu precisamente porque a lei não podia ser mudada. Se a lei pudesse ter
sido alterada para satisfazer nossa condição caída, isso não teria sido uma
solução melhor para o problema do pecado do que Jesus ter que morrer?
Questionario
Se
não existisse a lei divina contra o adultério, esse ato causaria menos dor e
mágoa às vítimas da infidelidade? Sua resposta o ajuda a entender por que a lei
de Deus ainda está em vigor? Qual tem sido sua experiência com as consequências
da transgressão da lei de Deus?
Sexta-feira, 03 de novembro Ano Bíblico: Jo 14, 15
Estudo adicional
Leia,
de Ellen G. White, “Cristo, o Centro da Mensagem”, p. 388, em Mensagens
Escolidas, v. 1; “A Vocação de Abraão”, p. 125-127; “A Lei e as Alianças”,
p. 363, 364, em Patriarcas e Profetas; “O Sermão da Montanha”, p.
307, 308; “Conflito”, p. 608; “Está Consumado”, p. 762, 763, em O
Desejado de Todas as Nações.
“Ora,
ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida” (Rm
4:4). O apóstolo explicou nesse verso a passagem citada (Gn 15:4-6) para
concluir e provar que a justificação é pela fé e não pelas obras. Ele fez isso,
em primeiro lugar, ao explicar o significado das palavras ‘e isso lhe foi
imputado para justiça’. Essas palavras explicam que Deus recebe (pecadores)
pela graça e não por causa de suas obras” (Martinho Lutero, Commentary
on Romans [Comentário Sobre Romanos], p. 82).
“Se
Satanás consegue levar o homem a valorizar suas próprias obras como obras de
mérito e justiça, ele sabe que pode vencê-lo mediante suas tentações e fazer
dele sua vítima e presa […]. Passe nos batentes das portas o sangue do Cordeiro
do Calvário, e estarás seguro” (Ellen G. White, Advent Review and
Sabbath Herald, 3 de setembro de 1889).
Sabbath Herald, 3 de setembro de 1889).
Perguntas
para discussão
1. Por que é importante entender a salvação somente
pela fé, sem as obras da lei? De quais erros esse conhecimento nos protege?
Quais perigos aguardam aqueles que perdem de vista esse ensinamento bíblico
crucial?
2. Quais outras razões podemos dar para apoiar a
validade da lei de Deus, mesmo quando entendemos que a obediência a ela não nos
salva?
3. A questão fundamental no cerne da Reforma é:
Como somos salvos? Quais são as diferenças entre protestantes e católicos
quanto a esse assunto importante?
4. Sendo pecadores justificados, recebemos a imerecida
graça de Deus, contra quem pecamos. Como esse fato deve impactar nossa maneira
de lidar com os outros? Somos graciosos para com aqueles que nos prejudicam e
realmente não merecem nossa graça nem favor?
Respostas
e atividades da semana: 1. V; F. 2. A. 3. Peça
que um dos alunos explique à classe o tema da justificação pela fé. 4. Peça
aos alunos que façam duplas e encontrem novos personagens do Antigo Testamento
a quem a graça alcançou poderosamente. 5. Peça que os alunos
relacionem justificação pelas obras à exposição ao pecado. Pergunte a eles se
desejam compartilhar suas respostas. 6. Liberta – lei –
tutela. 7.Justificado – lei – pecado.
Resumo
da Lição 5
A fé de
Abraão
TEXTO-CHAVE: Romanos 3:31
O
ALUNO DEVERÁ
Saber: Perceber, de modo adequado, o relacionamento entre a
visão de Paulo acerca da justificação pela fé e o contexto do assunto no Antigo
Testamento.
Sentir: Apreciação
profunda e sincera pela unidade do Antigo e Novo Testamentos sobre a questão da
justificação unicamente pela fé.
Fazer: Buscar maneiras de tornar esse assunto uma experiência
que possa ser compartilhada com outros como algo fundamentado na Bíblia.
ESBOÇO
I.
Saber: O ensino de Paulo acerca da justificação não é novo
A. Esse tema está fundamentado em importantes testemunhos
do Antigo Testamento, inclusive a lei de Moisés e os Salmos de Davi. Por que
isso é importante?
B. Qual foi o testemunho fundamental que Moisés e Davi
deram quanto ao significado da justificação?
C. Qual é o contexto de Romanos 4 em relação a Romanos 3
e 5?
II.
Sentir: O ensino de Paulo acerca da justificação não é algo moderno
A. Por que é importante saber que as realizações
morais e cerimoniais não justificam os pecadores?
B. Pode surgir uma melhor consciência da certeza de
salvação pelo conhecimento claro do que envolve a justificação pela fé?
III.
Fazer: Compreender a relação correta entre perdão e obediência em Romanos 4
A. Por que o vínculo entre justificação e santificação é
vital para a prosperidade moral e espiritual?
B. Como nossa compreensão clara acerca do correto
relacionamento entre lei e graça pode nos auxiliar em nosso testemunho aos
cristãos confusos e aos não cristãos que buscam a salvação?
RESUMO: É fundamental compreender que a justificação tem por
base o testemunho da Bíblia como um todo.
Ciclo
do aprendizado
Motivação
Focalizando
as Escrituras: Romanos
3:31
Conceito-chave
para o crescimento espiritual: A
justificação unicamente pela fé pode ser somente uma convicção doutrinária para
muitas pessoas, mas, para Abraão e Davi, foi uma realidade em sua experiência
espiritual. E pode ser assim para todos os crentes.
Para
o professor: Depois que
Paulo introduziu a doutrina da justificação pela fé, ele passou a ilustrar a fé
salvífica do Antigo Testamento na vida de Abraão (em Gênesis) e Davi (nos Salmos).
Desse modo, esse ensino é confirmado por duas pessoas muito importantes no
Antigo Testamento.
Discussão
inicial: Pergunte aos
alunos se eles já foram confrontados por cristãos que alegam estar no tempo do
Novo Testamento e que, por isso, afirmam estar sob a graça, não sob a lei. Com
base na lição desta semana, qual seria a melhor resposta?
Perguntas
para discussão
1. Qual seria a consequência de afirmar que os
santos do Antigo Testamento foram salvos pela lei e pelas obras, ao passo que
os crentes do Novo Testamento são salvos pela fé? Explique.
2. Qual é a vantagem dos crentes do Novo
Testamento, se há alguma, sobre os santos do Antigo Testamento?
Compreensão
Para
o professor: Nas passagens
bíblicas da lição desta semana, precisamos explorar especialmente a maneira
pela qual Paulo utilizou o Antigo Testamento para demonstrar sua doutrina da
justificação. Lembre-se de que sua exposição da justificação começou, de modo
mais claro e completo, em Romanos 3:21 e vai até Romanos 5:20. Nesse contexto,
quais são os argumentos bíblicos principais em Romanos 3 e 4?
Comentário bíblico
I.
A conexão entre a fé em Cristo, a lei de Moisés e personagens importantes do
Antigo Testamento
(Recapitule
com a classe Rm 3:31; 4:1-8.)
Em
Romanos 3:31, Paulo sabiamente expôs a questão da relação entre lei, graça e
fé. A seguir, ele começou imediatamente sua exposição apresentando a vida e o
testemunho do patriarca Abraão e do rei Davi, registrados nas Escrituras. Desse
modo, demonstrou que não somente a lei (os primeiros cinco livros da Bíblia),
mas também os profetas e os escritos (especialmente os salmos de Davi) apoiam
sua tese. Em vista das suposições de seus oponentes judaizantes, essa abordagem
foi uma brilhante jogada interpretativa. Paulo foi bem específico ao citar Gênesis
15:6 (a lei de Moisés): “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para
justiça” (Rm 4:3). Ele também citou o Salmo 32:1, em que Davi (cuja história
está inserida nos profetas do Antigo
Testamento) declarou: “Deus atribui justiça, independentemente de obras” (Rm 4:6) da lei.
Testamento) declarou: “Deus atribui justiça, independentemente de obras” (Rm 4:6) da lei.
Pense
nisto: Por que a lei
não é anulada? Longe de ser anulada, ela foi positivamente confirmada pela
demonstração de que o Antigo Testamento aponta para a justificação pela fé, não
pelas obras da lei, como base para a salvação do pecado. Na verdade, se a
justificação tivesse por base a obediência humana, facilmente ocasionaria
desespero ou presunção. E, na prática, esses dois resultados costumam levar ao
antinomismo (tornando a lei nula – inválida).
II.
A justificação unicamente pela fé é especialmente poderosa no caso do rei Davi
(Recapitule
com a classe 2Sm 11; 12; Sl 51.)
Em
2 Samuel 11, encontramos um dos mais sórdidos casos de pecado no Antigo
Testamento. Ali estão registrados o adultério de Davi e os subsequentes atos de
engano. Esses pecados ocasionaram o assassinato de Urias, o heteu, a perda do
respeito por Davi, por seu governo real e por sua autoridade.
Pergunta
para discussão: Como o elevado
custo e prejuízos dos pecados de Davi inevitavelmente indicam o gracioso e elevado
preço do perdão de Deus – a substitutiva e satisfatória morte de Cristo?
III.
Paulo argumenta que a salvação não é somente para judeus, mas também para os
gentios
(Recapitule
com a classe Rm 4:9-12.)
O
ponto central desses versos é que, no momento em que foi declarado justo diante
de Deus, Abraão não era tecnicamente um judeu. E isso aconteceu antes da sua
experiência da circuncisão. Assim, Abraão se tornou uma importante testemunha
da justificação pela fé (sem as obras da lei) e da universalidade da salvação –
para crentes judeus e gentios (Hb 2:9).
Pense
nisto: Como um cristão
pode se atrever a se envolver em discriminação racial (étnica), de classe e
nacional, visto que a salvação está disponível a todos os seres humanos, e que
eles receberam valor infinito? A morte de Cristo por todos os seres humanos foi
planejada para dar um golpe mortal na intolerância. Quais versões dessa
variedade de preconceito podem estar espreitando em nossa alma?
IV.
Lutero, a Reforma e a salvação pela fé
(Recapitule
com a classe Rm 4:13-17.)
De
que maneira Paulo foi direto ao âmago dos temas contrastantes da “promessa” e
da “lei” em Romanos 4:13, e como esses temas foram desenvolvidos no caso de
Abraão? Para Paulo, a fé salva e a lei (inclusive a lei moral) condena o pecado.
Assim, ele estava tentando demonstrar a inutilidade de buscar a salvação por
meio do que causa a condenação (a lei). Portanto, porque todos pecaram, todos
os seres humanos precisam do que Abraão descobriu: justiça salvadora. Essa
justiça é creditada a todos os pecadores (judeus e gentios) unicamente pela fé
– verdade fundamental que levou à Reforma Protestante.
Pense
nisto: Precisamos nos
lembrar de que exatamente 500 anos atrás, em 31 de outubro de 1517, Martinho
Lutero pregou as famosas “95 teses” na porta da igreja do castelo de Wittenberg,
Alemanha. De modo muito oportuno, o assunto da Lição da Escola Sabatina desta
semana vai direto à essência da salvação pela fé.
Esta
seção foi iniciada com uma pergunta: De que maneira Paulo foi direto ao âmago
dos temas contrastantes da “promessa” e da “lei” em Romanos 4:13, e como esses
temas foram desenvolvidos no caso de Abraão? Qual é a resposta?
V.
A questão da “fé somente” inspirou a explicação de Paulo não apenas em Romanos,
mas também em Gálatas 3:21-24
(Recapitule
com a classe Gálatas 3:21-24.)
Paulo
perguntou: “É, porventura, a lei contrária às promessas de Deus?”. Então, ele
imediatamente respondeu de modo enfático: “De modo nenhum!” (Gl 3:21). Na
verdade, de maneira ousada ele continuou a sugerir que a lei mantém os crentes
“sob tutela”, claramente indicando e preservando-os para a fé que “haveria de
revelar-se”. Portanto, em Cristo e Sua justiça, a lei se transforma em “tutor”
para levar os filhos de Deus a Cristo – o grande Justificador por meio da fé somente
(Gl 3:23, 24).
Pense
nisto: Por que podemos
concluir que Gálatas é “cortado do mesmo tecido redentivo” de Romanos?
VI.
A justificação somente pela fé esclarece as funções da lei na salvação
(Recapitule
com a classe Rm 3:31.)
Muitos
afirmam que Romanos 3:31 ensina que a graça elimina a lei. Mas efetivamente
eliminar a lei seria negar o pecado. Então, a graça se tornaria desnecessária.
Qual
seria uma resposta adequada aos que afirmam que Romanos 3:31 elimina a lei?
Para responder essa questão, reflita sobre o incidente a seguir. Um evangelista
experiente certa vez compartilhou a seguinte abordagem em resposta a pessoas
que dizem que “a graça elimina a lei”: “Perguntei: ‘Vocês podem cantar ‘Graça
Excelsa’ [Hinário Adventista, 208] com alguma lógica convincente?’
Então lhes disse que eles não podem cantar esse hino com convicção! Por quê?
Porque, se você elimina a lei, você não tem pecado e por isso não precisa da
graça! Tenho a lei como minha ‘tutora’ para me convencer do pecado, e isso me
inspira a cantar ‘Graça Excelsa’”!
Pense
nisto: Como o
evangelista observou, sem a lei é impossível cantar “Graça Excelsa” com
convicção. Por que a teologia que elimina a lei é hostil ao evangelho da graça?
Aplicação
Para
o professor: Chegamos a um
momento importante no estudo de Romanos. Paulo dedicou atenção adicional às
implicações da graça justificadora em Romanos 5. O professor deve aproveitar a
oportunidade para fazer as seguintes perguntas aos alunos:
Perguntas
para reflexão
1. Você compreende bem a correta relação entre lei,
pecado e graça perdoadora ou justificadora? Formule seu próprio testemunho para
expressar sua compreensão acerca da dinâmica entre lei e graça.
2. Como distinguir entre legalismo e verdadeira
obediência gerada pela graça?
3. Quais são algumas marcas de uma experiência genuína
com a justiça imputada de Deus?
4. Como podemos tornar a experiência da graça
justificadora mais relevante em nossa apresentação do tema do “grande
conflito”?
Criatividade
e atividades práticas
Para
o professor: Para alcançar
cristãos não adventistas, religiosos não cristãos e pessoas conhecidas
secularizadas, convide os alunos a considerar e planejar as atividades abaixo.
Atividades
1. Em relação à saúde pública, quais ministérios
podem ser úteis em seu bairro ou município? (Por exemplo, projetos de saúde,
assistência social, etc.)
2. Reflita como nossos conceitos bíblicos acerca do
livre-arbítrio dado por Deus poderiam ser apresentados para promover atividades
relacionadas à liberdade religiosa em seu contexto político ou comunitário.
Planejando
atividades: O que sua
classe pode fazer na próxima semana como resposta ao estudo da lição?
Carta Missionaria
Três milagres no hospital
Natalya
foi batizada aos 19 anos na Igreja Adventista do Sétimo Dia porque desejava ser
integrada entre os fiéis, mas abandonou a igreja seis meses depois. Ela
permaneceu afastada durante 33 anos. Mas três milagres, todos envolvendo
familiares no hospital, trouxeram-na de volta a Jesus.
O
primeiro milagre
O
primeiro milagre aconteceu quando uma de suas irmãs, Olga, adoeceu. Ela é uma
adventista fiel e vive em outra cidade. Ela havia sido submetida a três
cirurgias complicadas. Quando o médico disse que ela precisaria de uma quarta
cirurgia, Olga pediu que Natalya orasse.
“Estou
com medo”, Olga disse. Ela explicou que a radiografia identificara uma massa
estranha crescendo dentro do seu corpo e parecia câncer.
Natalya
se ajoelhou e começou a orar. Ela prometeu que abandonaria a bebida alcóolica,
o cigarro e a carne de porco se Deus curasse sua irmã. Durante as duas semanas
em que orou, antes da cirurgia, ela parou de beber, fumar e comer alimentos
imundos.
No
dia da cirurgia, Olga enviou uma mensagem do hospital. Ela escreveu: “Eles não
fizeram a cirurgia. Estou voltando para casa.”
Aparentemente,
seus piores medos haviam se tornado realidade. Olga teria um câncer inoperável?
Natalya telefonou para Olga e perguntou: “O que aconteceu? Por que os médicos
não operaram?”
Olga
disse: “Antes de entrar na sala de cirurgia, os médicos tiraram outra radiografia.
Dessa vez, eles não encontraram nada errado. Estou curada!”
Que
alívio! Natália agradeceu a Deus todos os dias daquela semana. Na manhã de
sábado, entretanto, ela foi normalmente ao trabalho. Um conflito surgiu dentro
do seu coração. Ela se sentiu muito mal por quebrar a lei de Deus trabalhando
no sábado logo depois que Ele havia salvado a vida de sua irmã.
Finalmente,
Natalya parou o que estava fazendo e foi à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ela
chegou a tempo para a Escola Sabatina. Imediatamente sua mente ficou em paz.
Percebeu que estava em casa novamente. Naquele dia, entregou o coração a Jesus.
O
segundo milagre
Quatro
anos se passaram. Em 2015, sua idosa mãe sofreu um derrame. Natalya e as irmãs
correram ao hospital e a encontraram deitada e olhando fixamente para as
filhas. Essa mulher forte, uma adventista que havia criado quatro mulheres, não
conseguia fazer nada a não ser encará-las sem expressão.
A
família orou pela mãe durante duas semanas. Ela se recuperou lentamente, mas
permaneceu paralisada. Finalmente, levaram-na para casa.
Uma
semana após receber alta, a mãe se levantou repentinamente e começou a
caminhar. Sua bisneta de nove anos de idade gritou de alegria quando viu o que
havia acontecido. “Vamos agradecer a Deus!”, ela disse. E foi o que a família
fez.
O
terceiro milagre
Então,
em 2016, seu idoso pai, com 79 anos de idade, ficou gravemente ferido ao sofrer
um acidente de trânsito em outra cidade. Um ônibus o atingiu enquanto andava em
sua bicicleta. Ele foi levado às pressas ao hospital em condições críticas.
O
pai era um ateu declarado. Quando Natalya tinha 13 anos, seus pais se
divorciaram. Posteriormente, ele se casou novamente. Ao descobrir que a filha
havia retornado à igreja, o pai parou de conversar com ela e jogou fora todos
os DVDs de sermões e filmes cristãos que ela enviara para ele pelo correio.
Duas semanas antes do acidente, ele rasgou uma Bíblia que a filha lhe dera.
Agora
ele estava hospitalizado e em coma. A família morava longe e não podia ir
visitá-lo.
Quando
Olga, irmã de Natalya, e a mãe estavam no hospital, todos oraram para que Deus
as curasse. Mas no caso do pai, a mãe e o restante dos familiares suplicaram a
Deus para que o acordasse, e tivesse tempo suficiente para se arrepender. Elas
oraram para que ele aceitasse a Jesus.
No
terceiro dia, o pai acordou lúcido e perguntou aos parentes o que havia
acontecido. Ele queria saber por que estava no hospital. Três horas depois, ele
faleceu. Somente Deus sabe o que se passou em sua mente durante esses momentos
finais. Mas Natalya é grata a Deus porque o pai teve uma última oportunidade de
arrependimento.
Depois
da terceira resposta à sua oração, o coração de Natalya havia sido realmente
atraído para Deus. Ela compreendeu que Deus realmente ouve e responde às orações.
Todos
devem orar por sua família, por seus filhos, pais e vizinhos. Deus ouve e
responde às orações fervorosas de Seus filhos.
Parte
da oferta do trimestre ajudará na construção de um centro comunitário na cidade
de Natalya, Rostov do Don, Rússia. Junte-se a ela nas orações por esse projeto
e nas ofertas missionárias para a Escola Sabatina, que ajudarão a espalhar a
Palavra de Deus por todo o mundo.
Resumo
missionário
•
Rostov do Don é uma grande cidade portuária no rio Don. No século 19, o porto
foi um importante centro comercial no sul da Rússia, especialmente para a
exportação de trigo, madeira e minério de ferro.
•
Devido à sua localização e ao seu papel como importante centro de transportes,
alguns se referem a Rostov do Don como a “porta de entrada para o Cáucaso”.
•
A região ao redor de Rostov do Don produz um terço do óleo vegetal de girassol
da Rússia.
Comentário da Lição da Escola Sabatina – 4º trimestre
de 2017
Tema geral: Salvação somente pela fé: o livro de
Romanos
Lição 5: 28 de outubro a 4 de novembro
A fé de Abraão
Autor:
Pr. Clacir Virmes Junior, professor de Teologia na FADBA – Cachoeira, Bahia.
Revisora:
Josiéli Nóbrega
Introdução
Há
um padrão na argumentação de Paulo em todas as suas epístolas. O apóstolo
recebeu visões de Deus e teve um encontro pessoal com Jesus. Contudo, para
estabelecer seu ensino, ele sempre recorreu às Escrituras para fundamentar sua
fé. Por mais que sua experiência fosse importante, ela não era o padrão de sua
crença. A base de seu relacionamento com Deus estava na Palavra, a Bíblia. Por
isso, nesta semana estudaremos o texto bíblico sobre a vida de Abraão para
compreendermos que o ensino da justificação pela fé não foi algo revelado de
maneira tardia a Paulo, mas se encontra em todas as Sagradas Escrituras.
Comecemos recapitulando a conclusão de Paulo em Romanos 3:31.
A
lei
Em
Romanos 3:31, o apóstolo se antecipou a uma conclusão errônea a qual tanto seus
leitores como seus opositores poderiam chegar, por conta da linguagem forte com
que ele falava sobre a lei. Ele foi categórico ao afirmar que, diante de Deus,
ninguém seria justificado por obras da lei (Rm 3:20). A justiça de Deus se
manifestou sem lei (Rm 3:21) e a justificação é obtida independentemente das
obras da lei (Rm 3:28). A fé, então, anula a lei? Paulo respondeu com um forte
“não!”. A razão é simples: a lei mostra minha condição pecaminosa e a
justificação me salva dessa condição. Cada uma opera dentro de sua própria
esfera para a redenção dos que creem.
Abraão
era e ainda é considerado o pai da fé judaica. Ele é o grande patriarca, aquele
que deu início a tudo. O apóstolo sabia que se pudesse demonstrar como o pai da
nação havia sido salvo, isso seria um forte argumento para os cristãos judeus
de Roma e para seus opositores. Por isso, ele citou Gênesis 15:6, em que a
experiência de Abraão é descrita nestes termos: “Abraão creu em Deus, e isso
lhe foi imputado para justiça” (Rm 4:3). Como a justiça foi creditada na conta
de Abraão (esse é o significado da expressão “imputado”)? Por meio da sua
crença. Abraão demonstrou que desde os seus dias a justificação era pela fé,
independentemente das obras.
Em
seguida, Paulo mencionou Davi, o grande rei de Israel, que uniu as tribos sob
um só governo, que trouxe a arca para Jerusalém, aquele com quem Deus fez uma
aliança prometendo que não faltaria descendente seu que se assentasse no trono.
Contudo, dada a sua grandeza, a queda de Davi foi estrondosa. Ele não poderia
permanecer diante de Deus por nada que tivesse feito. Afinal, como lembra Paulo
ao citar o Salmo 32, Davi não apresentava a Deus seus feitos para ser aceito,
mas confiava na misericórdia do Senhor a quem servia.
A
conclusão implícita é simples: o plano da salvação baseado na justificação pela
fé não foi desenvolvido posteriormente, nem foi uma mudança da maneira pela
qual Deus salvava no Antigo Testamento, em comparação com a maneira descrita no
Novo Testamento. O legalismo, a tentativa de obter a salvação pelos próprios
feitos, ainda que pautados na lei divina, é uma distorção da redenção. Não
existem várias maneiras de ser salvo, mas apenas uma: a justificação pela fé.
Dívida
ou graça?
Em
Romanos 4:4, 5, Paulo trabalhou com a conclusão lógica do legalismo. Nesses
versos, ele continuou traçando a analogia a partir das relações de trabalho. Se
uma pessoa é contratada para trabalhar em qualquer empresa e recebe o salário
no final de 30 dias, isso não é graça. Isso é o pagamento de uma dívida que a
empresa contraiu com o trabalhador uma vez que ele prestou a ela os seus
serviços. Nada o impede de cobrar dela os valores combinados antes do trabalho.
E feito isso, não há nenhuma obrigação do trabalhador para com a empresa. Mas
se ele recebe o valor de um mês de salário sem ter trabalhado, isso já não é
uma dívida. É um ato de graça. O sentimento natural que brota nele é gratidão e
assombro: como pode uma empresa dar um mês de salário a uma pessoa que não
trabalhou?
Se
a justificação fosse pelas obras, teríamos todo o direito de chegar a Deus e
dizer: “Senhor, eu fui fiel durante todo esse mês. Não matei, não roubei, não
traí minha esposa, não menti. Fui todos os sábados à igreja, devolvi fielmente
meus dízimos e ofertas, e não me curvei diante de nenhuma estátua. O Senhor,
portanto, tem que me salvar. Essa é Sua dívida para comigo”. Mas esse não é o
caso. Nossas obras não têm poder de barganha diante de Deus. Contudo, segue a
argumentação paulina, se eu creio, por causa da minha fé que lança mão da graça
de Deus, Sua justiça me é imputada e eu estou salvo. Posso agora servir a Deus
e cumprir Sua lei, não para ser salvo, mas porque fui salvo.
A
promessa
Em
Romanos 4:13, 14, Paulo contrastou a promessa e a lei. Ele argumentou a partir
da história, como fez em Gálatas 3:17. A lei, especialmente a do Sinai, foi
promulgada mais de 400 anos depois da promessa. Assim, ela não poderia anular a
promessa que havia sido dada anteriormente.
A
explicação do apóstolo segue assim: se somos herdeiros pela lei, não há lugar
para a fé; na verdade, ela se torna nula e a promessa não tem valor algum.
Tanto a lei como a promessa nos dão certas coisas; afinal, Deus é o autor de
ambas. Mas elas não podem operar ao mesmo tempo. A lei demanda obediência, mas
a promessa demanda fé. Em resumo, Romanos 4:15, 16 diz o seguinte: a lei de
Deus exige certas coisas que não conseguimos cumprir, pois transgredimos. Por
isso, ela traz ira; a graça de Deus faz promessas nas quais cremos. Por isso,
recebemos bênçãos.
Lei
e fé
Em
Gálatas 3:21-29, o apóstolo explicou a relação entre lei e fé. O primeiro ponto
é que a lei não pode dar vida. E a razão é simples: esse não é o propósito da
lei. Nem mesmo a lei moral, os Dez Mandamentos, foram dados com esse propósito.
Por isso, não há incompatibilidade entre a promessa e a lei de Deus, porque a
lei foi dada para mostrar nosso estado e despertar em nós o desejo de mudar de
situação. Assim, a lei nos deixa num estado de total desamparo para que a
promessa possa cumprir sua função: salvar.
Paulo
usou, então, a analogia do aio, do tutor, o paidagogos (Gl
3:24, 25). No sistema de ensino romano, o tutor era um escravo encarregado de
educar formalmente uma criança em vários aspectos de sua vida. Ele era
responsável por garantir que o menino fosse à escola, cumprisse as tarefas e se
portasse de acordo com a etiqueta da época. Frequentemente o paidagogos,
o tutor, era retratado como alguém com uma vara na mão, pronto para punir o mau
comportamento. O apóstolo usou essa figura para mostrar que um dos propósitos
da lei é mostrar nosso mau comportamento para que sintamos a necessidade de
Cristo para resolver nosso problema.
A
lei e o pecado
Em
Romanos e Gálatas, podemos distinguir pelo menos três funções importantes da
lei de Deus. Sua função mais básica é condenar o pecador. A lei mostra que o
problema do pecado na vida de uma pessoa é muito grave (Rm 3:20). Ela suscita a
ira de Deus, uma vez que o nosso comportamento seja comparado com suas
exigências (Rm 4:15). Uma vez que existe lei, existe transgressão (Rm 5:13). A
lei mostra, como numa radiografia, a verdadeira condição do ser humano. Ao
expor o seu estado, a lei o condena.
O
segundo propósito da lei, como já vimos, é conduzir a Cristo. A lei é como um
espelho, mostrando em nosso rosto e em nosso corpo onde está a sujeira do
pecado. O espelho, a lei, dirá que você precisa de água, da graça de Cristo,
para lavar a sujeira que está em você. O espelho, intuitivamente, leva você à
torneira ou ao chuveiro para que você, sob a ação da água, possa se ver livre da
sujeira.
Nesse
ponto surge a terceira função da lei. Uma vez que esteja limpa, a reação normal
de uma pessoa é tomar o espelho, quebrá-lo e jogá-lo fora? Claro que não! Como
saberei que permaneço limpo? Como poderei verificar as áreas do rosto e do
corpo que ainda precisam de purificação? E se eu me sujar de novo, como saberei
que preciso de um novo banho? Assim também é com a lei. Uma vez perdoados e
justificados, a lei deixa de me condenar e passa ser um padrão de vida. De
acordo com Hebreus 8:10, citando Jeremias 31:33, a lei, agora, não está fora de
mim para me condenar, mas dentro da minha mente para guiar a minha vida.
Conclusão
Um
dos textos mais alentadores do Novo Testamento é a declaração de 1 João 2:1. O
discípulo amado falou aos que já tinham um relacionamento vivo com Jesus.
Apesar de Seu constante amparo e proteção, inevitavelmente, falhamos em nosso
compromisso com o Senhor e transgredimos Sua lei. João escreveu aos irmãos para
reforçar sua fé e compromisso com Deus: “Filhinhos meus, estas coisas vos
escrevo para que não pequeis”. Mas o discípulo amado sabia da condição dos
cristãos, sabia que ainda lutamos contra uma natureza caída. Então, sem
titubear, o discípulo do amor apontou para Jesus: “Se, todavia alguém pecar”,
não se desespere, não perca a esperança; “temos Advogado junto ao Pai, Jesus
Cristo, o Justo.” Quando formos confrontados com nossas falhas, que o Espírito
Santo nos leve, por meio de Sua palavra, a olhar mais uma vez para Jesus e Seu
ministério intercessório no santuário celestial.
Autor
do comentário: Clacir Virmes
Junior é graduado em Sistemas de Informação (2005) pela Universidade do Oeste
de Santa Catarina (UNOESC) e em Teologia (2010) pelo Seminário Adventista
Latino-Americano de Teologia, sede Bahia (SALT-FADBA). É mestre em Teologia
Bíblica (2014) pelo mesmo seminário e mestre em Ciências das Religiões (2015)
pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Exerceu as funções de pastor
distrital durante 5 anos (2011-2015) na Missão Nordeste (MN) da União Nordeste
Brasileira (UNeB). Desde 2016 é professor de Novo Testamento e coorderna as
atividades de extensão no SALT-FADBA. É casado com a Drª. Daniella Cláudia
Barbosa Ângelo Virmes, médica, especialista em Medicina de Família e Comunidade
(2015) pela UFPB e membro da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e
Comunidade (2016).

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