Lição 1 30
de setembro a 07 de outubro
Sábado à tarde Ano Bíblico: Zc 5–8
VERSO
PARA MEMORIZAR: “Primeiramente, dou graças a meu Deus, mediante Jesus Cristo, no tocante
a todos vós, porque, em todo o mundo, é proclamada a vossa fé” (Rm 1:8).
LEITURAS DA SEMANA: Rm 15:20-27; At
28:17-31; Fp 1:12; Rm 1:7; Ef 1; Rm 15:14
É importante que o estudante do
livro de Romanos compreenda o contexto histórico do livro. Informações sobre as
condições da época são sempre fundamentais quando buscamos compreender a
Palavra de Deus. Precisamos conhecer e compreender os assuntos que estavam
sendo abordados. Paulo estava escrevendo para um grupo específico de cristãos,
em um momento específico e por uma razão específica. Conhecer essa razão tanto
quanto possível nos beneficiará muito em nosso estudo.
Portanto, voltemos no tempo.
Façamos uma viagem à Roma do primeiro século e nos tornemos membros da
congregação ali. Então, como membros da igreja do primeiro século, ouçamos
Paulo e as palavras que o Espírito Santo lhe deu para comunicar aos cristãos em
Roma.
Porém, por mais que as questões
imediatas abordadas por Paulo fossem relacionadas àquela localidade, são
universais os princípios por trás delas (nesse caso, princípios que ajudam a
responder à pergunta: como uma pessoa é salva?). Paulo estava falando a um
grupo específico de pessoas. Ele tinha um assunto em mente quando escreveu a carta.
Mas, como sabemos, muitos séculos depois, em uma época e contexto totalmente
diferentes, suas palavras foram tão relevantes para Martinho Lutero quanto para
Paulo quando ele as escreveu. E elas também são relevantes para nós hoje!
Domingo, 01 de Outubro Ano Bíblico: Zc 9–11
A carta do apóstolo Paulo
O texto de Romanos 16:1 e 2 indica
que Paulo provavelmente escreveu essa carta na cidade grega de Cencreia,
próxima a Corinto. A menção que Paulo fez de Febe, uma moradora da região de
Corinto, estabelece esse lugar como o cenário provável para a carta aos
Romanos.
Um dos objetivos ao determinar a
cidade de origem das epístolas do Novo Testamento é verificar a data em que
elas foram escritas. Visto que Paulo viajava muito, saber qual era sua localização
em determinado momento nos dá um indício da data.
Paulo fundou a igreja de Corinto em
sua segunda viagem missionária, de 49 a 52 d.C. (At 18:1-18). Em sua terceira
viagem, de 53 a 58 d.C., ele visitou a Grécia novamente (At 20:2, 3) e recebeu
uma oferta para dar aos santos em Jerusalém, perto do fim da sua viagem (Rm
15:25, 26). Portanto, a Epístola aos Romanos foi escrita provavelmente nos
primeiros meses do ano 58 d.C.
1. De acordo com Atos 18:23, quais
outras igrejas importantes Paulo visitou em sua terceira viagem missionária?
Assinale a alternativa correta:
A.(
) Igrejas de Antioquia, Galácia e Frígia.
B.(
) Filadélfia e Laodiceia.
Ao visitar as igrejas da Galácia,
Paulo descobriu que, durante sua ausência, falsos mestres tinham convencido os membros
a se submeter à circuncisão e a guardar outros preceitos da lei de Moisés.
Temendo que seus adversários chegassem a Roma antes dele, Paulo escreveu a
carta aos romanos para evitar que a mesma tragédia acontecesse em Roma.
Acredita-se que a Epístola aos Gálatas também foi escrita em Corinto, durante
os três meses da permanência de Paulo ali em sua terceira viagem missionária,
talvez logo após sua chegada.
“Em sua epístola aos Romanos, Paulo
expôs os grandes princípios do evangelho. Ele afirmava sua posição nas questões
que estavam agitando as igrejas judaicas e gentílicas, e mostrava que as
esperanças e promessas que haviam pertencido antes aos judeus eram, agora,
oferecidas também aos gentios” (Ellen G.
White, Atos dos Apóstolos, p. 373).
Como dissemos, ao estudar qualquer
livro da Bíblia, é importante saber por que ele foi escrito; isto é, de qual
situação ele estava tratando. Por isso, para nossa compreensão da Epístola aos
Romanos, é fundamental entender quais questões estavam inquietando as igrejas
judaicas e gentílicas. A lição da próxima semana abordará essas questões.
Questionário
Quais questões perturbam sua igreja
no momento? As ameaças surgem mais de fora ou de dentro? Qual papel você
desempenha nessas discussões? Você já parou para questionar seu papel, sua
posição e suas atitudes nas lutas que enfrenta? Por que é tão importante esse
tipo de autoavaliação?
Segunda-feira, 02 de Outubro Ano Bíblico: Zc 12–14
O desejo de Paulo de visitar Roma
Não há dúvida de que o toque
pessoal é a melhor maneira de se comunicar na maioria dos casos. Podemos
telefonar, mandar e-mail, mensagem de texto e até mesmo falar por chamada de
vídeo; porém, face a face, corpo a corpo, é a melhor forma de comunicação. Por
isso, Paulo anunciou em sua carta aos romanos que pretendia vê-los
pessoalmente. O apóstolo queria que eles soubessem que ele pretendia ir a Roma,
e a razão de sua visita.
2. Leia Romanos 15:20-27. Quais
razões Paulo deu para não ter visitado Roma anteriormente? O que o levou a
tomar a decisão de ir naquele momento? Até que ponto a missão era central em
seu raciocínio? O que aprendemos sobre missão e testemunho a partir dessas
palavras de Paulo? Qual argumento interessante e importante Paulo apresentou em
Romanos 15:27 sobre judeus e gentios?
O grande missionário aos gentios
sentia-se constantemente motivado a levar o evangelho às novas regiões,
deixando outros para trabalhar nos lugares em que o evangelho já tinha sido
estabelecido. Na época em que o cristianismo dava seus primeiros passos e havia
poucos obreiros, teria sido um desperdício de valiosa força missionária se
Paulo tivesse permanecido atuando em áreas já alcançadas pelo evangelho. Ele
disse: “Sempre fiz questão de pregar o evangelho onde Cristo ainda não era
conhecido, de forma que não estivesse edificando sobre alicerce de outro”, para
que entendessem “aqueles que não o haviam escutado” (Rm 15:20, 21).
Paulo não tinha a intenção de se
estabelecer em Roma. Seu objetivo era evangelizar a Espanha. Ele esperava obter
o apoio dos cristãos romanos para esse empreendimento.
3. Paulo buscou ajuda de uma igreja
estabelecida para evangelizar uma nova região. Qual princípio importante
encontramos nesse fato em relação à missão? Assinale a melhor opção:
A.(
) Não devemos buscar ajuda de outras igrejas. Se o fizermos, desfalcaremos a
nossa própria igreja.
B.(
) A missão em lugares novos só acontece por meio de uma rede de apoio. Devemos
ajudar os missionários a alcançar essas pessoas.
Questionário
Leia novamente Romanos 15:20-27.
Observe quanto Paulo desejava servir! O que motiva você e suas ações? Você tem
um coração disposto a servir?
Terça-feira, 03deOutubro Ano Bíblico:Malaquia
Paulo
em Roma
4. “Uma vez em Roma, foi permitido
a Paulo morar por sua conta, tendo em sua companhia o soldado que o guardava”
(At 28:16). Como Paulo finalmente chegou a Roma? O que isso nos ensina sobre as
coisas inesperadas e indesejadas que tantas vezes surgem em nosso caminho?
Paulo finalmente chegou a Roma,
ainda que fosse como prisioneiro. Quantas vezes nossos planos não saem como
prevíamos e esperávamos, mesmo aqueles formulados com as melhores intenções!
Paulo chegou a Jerusalém no final
de sua terceira viagem missionária, levando aos pobres uma oferta que ele havia
recolhido das congregações da Europa e da Ásia Menor. Porém, acontecimentos
inesperados o aguardavam. Ele foi preso e acorrentado. Depois de ficar preso
por dois anos em Cesareia, ele apelou a César. Cerca de três anos após sua
prisão, ele chegou a Roma, provavelmente não da maneira que ele tinha
pretendido quando, alguns anos antes, escreveu aos cristãos romanos sobre sua
intenção de visitar a igreja ali.
5. O que Atos 28:17-31 revela sobre
o tempo que Paulo passou em Roma? Mais importante, qual lição aprendemos com
isso?
“Não pelos sermões de Paulo, mas
pelas suas cadeias, foi a atenção da corte atraída para o cristianismo. Foi
como um cativo que ele rompeu de tantas vidas as cadeias que as mantinham na
escravidão do pecado. E não foi só isso. Ele declarou: ‘E a maioria dos irmãos,
estimulados no Senhor por minhas algemas, ousam falar com mais desassombro a
Palavra de Deus’” (Fp 1:14; Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 464).
Questionário
Você já experimentou reviravoltas
em sua vida que acabaram sendo para o bem? (Veja Fp 1:12). Como você pode e
deve fortalecer sua fé a partir dessas experiências, aprendendo a confiar em
Deus quanto às coisas que aparentemente não trouxeram nenhum bem?
Quarta-feira, 04 de Outubro Ano Bíblico: Vista geral
do Antigo Testamento
Os
“santos” em Roma
6. Veja a saudação de Paulo à
igreja de Roma: “A todos os amados de Deus, que estais em Roma, chamados para
serdes santos, graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor
Jesus Cristo” (Rm 1:7). Que princípios da verdade, teologia e fé podemos
aprender com essas palavras?
Amados de Deus. Embora seja verdade
que Deus ama o mundo, em um sentido especial Deus ama aqueles que O escolheram,
aqueles que correspondem ao Seu amor.
Vemos isso na esfera humana. Amamos
de maneira especial aqueles que nos amam; com eles há uma troca mútua de afeto.
O amor exige resposta. Quando a resposta não é pronta, o amor é limitado em sua
expressão mais plena.
Chamados para serdes santos. Em algumas
traduções, a expressão “para serdes” está em itálico, o que significa que os
tradutores a adicionaram. Mas, se essas palavras forem omitidas o significado
ainda estará intacto. Quando elas são omitidas, obtemos a expressão “chamados
santos”, isto é, “nomeados santos”.
Santos é a tradução do grego
hagioi, que literalmente significa “santos, sagrados”. Santo significa
“dedicado”. Um santo é aquele que foi “separado” por Deus. Ele ainda pode ter
um longo caminho a percorrer na estrada da santificação, mas o fato de ter
escolhido Cristo como Senhor é o que o designa como santo no significado
bíblico do termo.
7. Paulo disse que eles foram
chamados para ser santos. Isso significa que alguns não são chamados? Como
Efésios 1:4, Hebreus 2:9 e 2 Pedro 3:9 ajudam a entender o que Paulo quis dizer?
A grande notícia do evangelho é que
a morte de Cristo foi universal; foi por todos os seres humanos. Todos foram
chamados para ser salvos nEle, “chamados para serem santos”, mesmo antes da
fundação do mundo. A intenção original de Deus era que toda a humanidade
encontrasse a salvação em Jesus. O fogo do inferno era destinado apenas ao
diabo e seus anjos (Mt 25:41). Assim como alguém que faz greve de fome em um
mercado não diminui o valor dos maravilhosos e abundantes alimentos encontrados
ali, o fato de que algumas pessoas não aproveitam um presente oferecido não
tira as qualidades e benefícios da dádiva apresentada.
Questionário
Mesmo antes da fundação do mundo,
Deus chamou você para ter salvação nEle. Por que você não deve permitir que
nada o impeça de atender a esse chamado?
Quinta-feira, 05deOutubro AnoBíblico: Mt 1–4
Os cristãos em Roma
“Primeiramente, dou graças a meu Deus,
mediante Jesus Cristo, no tocante a todos vós, porque, em todo mundo, é proclamada
a vossa fé” (Rm 1: 8). Não se sabe como a congregação em Roma foi estabelecida.
A tradição de que a igreja foi fundada por Pedro ou Paulo não tem fundamentação
histórica. É possível que leigos a tenham fundado, pessoas que tinham se
convertido no Dia de Pentecostes em Jerusalém (At 2), e que então visitaram ou
se mudaram para Roma. Ou talvez, em algum período posterior, os conversos que
se mudaram para Roma testemunharam de sua fé naquela capital mundial.
É surpreendente o fato de que, em
poucas décadas desde o Pentecostes, uma congregação que aparentemente não tinha
recebido nenhuma visita apostólica fosse tão amplamente conhecida. “Apesar da
oposição, vinte anos após a crucifixão de Cristo havia uma igreja viva e
fervorosa em Roma. Essa igreja era forte e zelosa, e o Senhor atuava em favor
dela” (Comentário de Ellen G. White,
Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 6, p. 1187).
Nesse contexto, “fé” provavelmente
inclua o sentido mais amplo de fidelidade, isto é, fidelidade ao novo estilo de
vida que tinham descoberto em Cristo.
8. Leia Romanos 15:14. Como Paulo
descreveu a igreja de Roma? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
A.(
) Uma igreja desvirtuada, que promovia heresias.
B.(
) Uma igreja bondosa, cheia de conhecimento e apta para admoestar os fiéis.
Paulo listou três coisas notáveis
na experiência dos cristãos romanos. Eles eram:
1. “Possuídos de bondade”. Será que
as pessoas dizem isso a nosso respeito? Ao se relacionarem conosco, nossa
bondade abundante é o que atrai a atenção delas?
2. “Cheios de todo o conhecimento”.
A Bíblia enfatiza repetidamente a importância do esclarecimento, informação e
conhecimento. Os cristãos são estimulados a estudar a Bíblia e a se tornarem
bem informados quanto aos seus ensinamentos. “As palavras ‘um coração novo
também te darei’ significam ‘uma nova mente te darei’. Uma transformação de
coração é sempre acompanhada por uma convicção clara do dever cristão, uma
compreensão da verdade” (Ellen G. White,
Minha Consagração Hoje [MM 1953/1989], p. 24).
3. “Aptos para [se admoestarem] uns
aos outros”. Ninguém pode prosperar espiritualmente isolando-se de outros
cristãos. Precisamos encorajar os outros e, ao mesmo tempo, ser encorajados por
eles.
Questionário
Qual é a reputação da sua igreja?
Será que ela tem alguma reputação? O que sua resposta revela sobre sua igreja?
Como você pode ajudar a melhorar a situação?
Sexta-feira, 06deOutubro Ano Bíblico: Mt 5–7
Estudo
adicional
Leia, de Ellen G. White, “Os
Mistérios da Bíblia”, p. 706, em Testemunhos Para a Igreja, v. 5; “A Salvação
Para os Judeus”, p. 372-374, em Atos dos Apóstolos. Leia também Comentário
Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 6, p. 509, 510.
“A salvação da humanidade não é
resultado de uma reflexão tardia ou de um improviso que se tornou necessário
devido a uma inesperada reviravolta nos acontecimentos depois do surgimento do
pecado. Em vez disso, ela tem sua origem em um plano divino para a redenção do
homem, formulado antes da fundação do mundo (1Co 2:7; Ef 1:3, 14; 2Ts 2:13, 14)
e arraigado no eterno amor de Deus pela humanidade (Jr 31: 3).
“Esse plano abrange a eternidade
passada, o presente histórico e a eternidade futura. Inclui realidades e
bênçãos como a eleição e a predestinação para que fôssemos o povo santo de Deus
e semelhantes a Cristo, a redenção e o perdão, a unidade de todas as coisas em
Cristo, o selamento com o Espírito Santo, o recebimento da herança eterna e a
glorificação (Ef 1:3-14). Fundamentais para esse plano são o sofrimento e a
morte de Jesus, que não foi um acidente da história nem o produto de mera
decisão humana, mas estava fundamentada no divino propósito redentor (At 4:27,
28). Jesus foi, na realidade, “o Cordeiro que foi morto desde a fundação do
mundo” (Ap 13:8; Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p. 310).
Perguntas
para discussão:
1. Qual é o significado da Reforma
Protestante? O mundo seria muito diferente sem ela?
2. Reflita sobre o fato de que
fomos chamados para a salvação mesmo antes da fundação do mundo (Tt 1:1, 2; 2Tm
1:8, 9). Por que isso é tão encorajador? O que isso nos revela sobre o amor de
Deus por todos os seres humanos? Por que é tão trágico quando as pessoas dão as
costas ao que lhes foi tão graciosamente oferecido?
3. Como sua classe pode ajudar a
melhorar a reputação da sua igreja?
Respostas
e atividades da semana: 1. A; 2. Incentive a
participação dos alunos, perguntando o que eles aprenderam com o texto de
Romanos 15:20-27. 3. B. 4. Divida a classe em duplas. Peça que os alunos compartilhem
com seus parceiros uma experiência inesperada que tiveram, mas que acabou
cumprindo o propósito de Deus em sua vida. 5. Escolha um aluno para responder
essa pergunta. 6. Divida a classe em dois grupos. Promova uma discussão em cada
grupo a respeito dos princípios da verdade, teologia e fé destacados em Rm 1:7.
Escolha um representante de cada grupo para compartilhar sua resposta. Caso não
seja possível dividir a classe em grupos, promova uma discussão geral. 7. Peça
a opinião dos alunos. 8. F; V.
Resumo
da Lição 1
O
apóstolo Paulo em Roma
TEXTO-CHAVE:
Romanos 1:8
O
ALUNO DEVERÁ
Conhecer:
O contexto e a história de Paulo em conexão com a igreja em Roma.
Sentir:
A grande responsabilidade que Paulo tinha pela salvação de judeus e gentios unicamente
por meio da graça e da fé, e desejar trabalhar em favor dos perdidos.
Fazer:
Compartilhar a responsabilidade missionária de Paulo e seus métodos para
evangelizar o mundo ao discutir sobre as estratégias para alcançar nossa
comunidade.
ESBOÇO
I.
Conhecer: As estratégias de Paulo
para alcançar a Espanha com o evangelho eterno
A.
De que modo a estratégia missionária de Paulo era não apenas teórica, mas
também objetiva e prática?
B.
Quais são as “Espanhas” que fazem parte do nosso campo missionário quanto ao
testemunho pessoal prático?
II.
Sentir: A responsabilidade de Paulo pela
missão e a salvação de judeus e gentios (o que incluía toda a humanidade)
A.
Como posso desenvolver compaixão pelos incrédulos que fazem parte do meu
círculo pessoal e que podem ser mais receptivos ao meu testemunho?
B.
Quais preconceitos étnicos, culturais ou nacionais podem afetar meus
sentimentos em relação às pessoas em minha comunidade ou local de trabalho?
III.
Fazer: Assumir a responsabilidade
que Paulo demonstrou pela missão de proclamar a salvação a toda a humanidade
A.
Dê exemplos práticos de como podemos alcançar pessoas e dar um testemunho
cristão por meio de amorosa interação.
B.
Por que nosso objetivo deve ser alcançar todas as pessoas com o testemunho do
evangelho?
RESUMO:
Esta lição deve nos inspirar a pensar e orar, com mais devoção e
intencionalidade, sobre nosso contexto para o testemunho.
Ciclo
do aprendizado
Motivação
Focalizando
as Escrituras: Romanos 1:8
Conceito-chave para o crescimento
espiritual: Paulo elogiou e apreciou a fé dos cristãos romanos. Essa atitude do
apóstolo deve inspirar e motivar os cristãos a se empenharem para fazer das
coisas espirituais a prioridade máxima em sua vida e em seu testemunho.
Discussão
inicial: Desafie os alunos a questionar
honestamente sua compreensão pessoal da verdade bíblica (especialmente em
relação à salvação pessoal e às implicações práticas).
Conduza-os a avaliar os esforços
atuais e meios de compartilhar o evangelho no contexto em que vivem. De igual
maneira, Paulo declarou e compartilhou seu plano de evangelizar cada canto do
mundo conhecido naquele tempo.
Perguntas
para discussão:
1. O que significa o evangelho de
Paulo e como ele se relaciona com outras importantes doutrinas cristãs?
2. Quais dons espirituais são
manifestados em nossa igreja local? Como esses dons tornam mais clara a missão
da igreja local no contexto cultural? Como os dons clarificam a missão mundial
da igreja, ou seja, nossa missão em relação aos cristãos e não cristãos?
Compreensão
Para o professor: É preciso
enfatizar aos alunos diversos pontos importantes desenvolvidos em Lucas 5:1-11.
Em primeiro lugar, Jesus prepara quem Ele chama; o poder é dEle. Os homens
chamados por Cristo eram pescadores profissionais, mas Ele os chamou para
aprender a pescar pessoas, uma tarefa para a qual não estavam preparados. Jesus
apresentou evidências de que Ele era profissional nessa área. Se aqueles a quem
Ele chama confiarem nEle e não em seus próprios métodos, Ele lhes proporcionará
uma pesca bem-sucedida. Precisamos reconhecer Sua divindade e nossa própria
indignidade. Precisamos também abandonar nossas ferramentas e métodos, a fim de
segui-Lo em humilde obediência ao Seu chamado e preparo.
Comentário
bíblico
I.
O contexto mais amplo da estratégia de missão de Paulo
A história das viagens missionárias
de Paulo e os objetivos que ele estabeleceu para o futuro ajudam a clarificar
nossa compreensão dos conselhos práticos e do conteúdo teológico de Romanos.
Conhecer a história de Paulo é útil para esclarecer seu ensino acerca da
salvação pessoal somente pela fé em Cristo. Com esse contexto mais amplo em
mente, o que se segue é um breve panorama dos quatro grandes temas de Romanos,
destacados na lição desta semana.
Atividade:
Para valorizar ainda mais o alcance e os objetivos da obra missionária de
Paulo, imagine-se em uma das antigas localidades para onde ele viajou como
missionário. Se possível, use um atlas bíblico para despertar sua imaginação e
reflita: quais imagens, sons, alimentos e pessoas seriam predominantes nesse
local? Meditar sobre esse cenário ajuda você a compreender melhor os desafios
culturais que Paulo enfrentou como missionário? Quais percepções extraídas
desse exercício podem ser aplicadas ao desafio que enfrentamos hoje para
evangelizar e testemunhar?
II.
O contexto do ministério de Paulo
(Recapitule com a classe Rm 16:1,
2; At 18:1-18; 20:2, 3; 28:17-31; Rm 15:22, 25.)
A igreja de Corinto foi
estabelecida durante a segunda viagem missionária de Paulo (49-52 d.C.). Na
terceira viagem missionária (53-58 d.C.), ele visitou Corinto e recebeu uma
oferta para os santos que sofriam em Jerusalém. No entanto, antes de viajar de
Corinto para Jerusalém, ele escreveu a Epístola aos Romanos (possivelmente em
58 d.C.), na tentativa de esclarecer seu ensino acerca do evangelho da graça,
ou salvação pela fé somente em Cristo.
As explicações de Paulo foram
resultado dos debates acerca da seguinte questão: os gentios precisavam se
tornar judeus (nos aspectos rituais e legais) antes de se tornarem cristãos?
Antes de ir a Corinto, Paulo visitou as igrejas da Galácia, onde essas questões
(que surgiram em Israel
e Antioquia) causaram muita divisão
(como é confirmado por Paulo na Epístola aos Gálatas e nas discussões
registradas em Atos). Dessa forma, parece que o propósito de Paulo em escrever
aos romanos é duplo. Ele escreveu para despertá-los para suas estratégias e
objetivos missionários, e tentou explicar o que é o seu evangelho,
especialmente em relação ao judaísmo, ao Antigo Testamento e à conversão dos
gentios.
Pense
nisto: À luz dos ensinos de Jesus e dos
apóstolos do Novo Testamento, como o evangelho explica os ensinos teológicos e
éticos da lei e dos profetas do Antigo Testamento?
III.
As providências de Deus na missão e no ministério cristão
(Recapitule com a classe Rm 15:22,
25.)
Paulo pretendia ir a Roma para
ministrar aos romanos e lançar as bases para sua missão na bacia ocidental
mediterrânea (Espanha). No entanto, antes de chegar lá, ele precisava entregar
a coleta para os necessitados em Jerusalém. Essa visita possivelmente tenha
sido planejada para unir de maneira mais profunda os corações de gentios e
judeus. Não atenderia apenas às necessidades físicas dos judeus, mas serviria
também como bálsamo curador para as feridas ocasionadas pelos debates sobre o
papel da lei na salvação. Contudo, as “providências” de Deus atrasaram a
intenção de Paulo em viajar para Roma, e isso o afligiu muito. Em vez de
realizar seus planos, o apóstolo foi aprisionado e enviado a Roma para ser
julgado.
Pense
nisto: Naturalmente, muitos podem questionar
quais foram as “providências” de Deus em meio ao atraso nos planos de Paulo e
ao seu sofrimento. Como responder a essa pergunta difícil?
IV.
Definição de santo
(Recapitule com a classe Romanos
1:7.)
O dicionário define “santo” como
“alguém com excepcional santidade de vida, formalmente reconhecido como tal
pela igreja cristã, especialmente por meio da canonização”. A palavra
excepcional pode sugerir que os santos sejam favorecidos com um dom especial de
santidade que os torna espiritualmente superiores ao crente comum. Como a
Bíblia define a palavra santo?
A palavra santo, utilizada por
Paulo em Romanos 1:7, deriva do grego hagios e significa “aquele que é separado
ou dedicado para uma vocação ou propósito específicos”. O termo hagios é usado
especificamente para se referir aos membros das primeiras comunidades cristãs,
para denotar os que são puros, justos e santos. Paulo escreveu: “A todos os
amados de Deus, que estais em Roma, chamados para serdes santos, graça a vós
outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (Rm 1:7,
8). Nesse verso, ele usou a palavra santo em referência à igreja em geral e não
a poucas pessoas excepcionais. Traduções modernas do verso ajudam a esclarecer
mais nossa compreensão da abrangência dessa palavra e de todos a quem ela
inclui. Na Almeida Revista e Corrigida, a palavra hagios é traduzida como
“santos”;
a NTLH a traduz como “o Seu próprio
povo”, enquanto a Almeida Revista e Atualizada e a Nova Versão Internacional
interpretam como “chamados para” serem “santos”. Fica evidente em cada uma das
versões que os santos são escolhidos por Deus e separados como santos para Seu
propósito especial.
Desse modo, um “santo” é qualquer
pessoa que crê em Cristo e Seu evangelho, e que aceitou os méritos de Sua morte
salvífica, uma morte que abrange todos os crentes, homens e mulheres, judeus e
gentios.
Pense
nisto: Como a definição de “santo” pode ser
atualizada para ir além da compreensão tradicional da palavra, muitas vezes
carregada de noções de exclusividade espiritual e elitismo?
V.
Quem eram os crentes que formavam a igreja em Roma?
(Recapitule com a classe Rm 1:8.)
A igreja em Roma era composta de um
misto de judeus e gentios, tidos em alta estima “em todo o mundo”. Na menção
subsequente aos crentes judeus e gregos, Paulo parece sugerir que todos eles
deveriam estar unidos na esperança evangélica e na sua proclamação para toda a
humanidade, “porque [o evangelho] é o poder de Deus para a salvação de todo
aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1:16).
Pense
nisto: Reflita sobre o amplo contexto
missionário, prático e teológico em que a mensagem de Romanos se desenvolve. À
luz desse contexto, como os membros da sua classe da Escola Sabatina podem
alcançar unidade prática e teológica mais perfeita, o que proporcionaria melhor
ambiente para a proclamação da tríplice mensagem angélica?
Aplicação
Para
o professor: À luz do contexto histórico
relacionado com Martinho Lutero no século 16 e o apóstolo Paulo e seus
companheiros cristãos no primeiro século da era cristã, parece justificável
refletir cuidadosamente sobre o que cada uma dessas eras tem em comum. Precisamos
especialmente pensar em como os contextos culturais e os desafios morais de
cada era têm sido ou podem ser “redimidos” pelo evangelho de Paulo.
Perguntas
para reflexão
1. Você se lembra de outros
exemplos na história em que culturas específicas experimentaram os efeitos
redentivos do reavivamento da compreensão bíblica da salvação somente pela
graça, por meio da fé?
2. Como a oferta de salvação do
evangelho (inclusive o destaque da salvação para todos os pecadores, sem
distinção étnica, social ou educacional) pode ajudar a aliviar a luta racial e
a desigualdade econômica em nossa cultura?
3. Como o evangelho de Paulo e sua
ética se relacionam com as culturas modernas extremamente secularizadas?
4. Por que parece haver maior
abertura ao evangelho bíblico entre as culturas menos industrializadas do
mundo?
Criatividade
e atividades práticas
Para
o professor: Solicite que os membros da classe
reflitam sobre diferentes maneiras pelas quais eles podem, de modo pessoal e à
luz do contexto religioso e cultural em que estão inseridos, ser mais
eficientes para abordar pessoas com o testemunho do evangelho. Como seu exemplo
ético e moral (talvez apenas sendo bondosos, corteses e atenciosos) pode criar
uma atmosfera em que uma conversa sobre as bênçãos do evangelho seja mais
apelativa a essas pessoas no ambiente recreativo, no local de trabalho ou em
outras atividades sociais?
Atividade:
Discuta com sua classe sobre ideias aleatórias para a organização de doações
aos necessitados em sua comunidade, de modo individual ou coletivo. Avalie as
habilidades e os dons que os membros da Escola Sabatina possuem e que poderiam
aperfeiçoar esse testemunho.
Planejando atividades: O que sua
classe pode fazer na próxima semana como resposta ao estudo da lição?
Deus disse “Espere!”
Quirguistão
Christian Müller e sua família são
voluntários adventistas na antiga República Soviética do Quirguistão.
Todo ano a família tem um período
de férias. Certa vez, Christian reclamou com Deus ao saber que a família
viajaria para a Argentina em junho, período de inverno naquele país. Ele queria
ir em dezembro, época de verão, e passar o Natal com a mãe.
Porém, a esposa de Christian estava
doente e precisava de um tratamento. Então, fizeram as malas e deixaram a
Escola Cristã Heritage, uma escola adventista em Tokmok, uma das principais
cidades do Quirguistão, onde trabalhava como diretor de desenvolvimento havia quatro
anos.
Além da doença da esposa, Deus
tinha um motivo para enviar a família à Argentina: Ele queria ensinar a
Christian sobre o Seu tempo.
O
desafio de Deus, a nossa bênção
Enquanto estava na Argentina,
Christian recebeu um telefonema. Era de uma senhora adventista, até então
desconhecida. Ela soube que ele estava arrecadando fundos para a escola
adventista do Quirguistão e queria conhecer o projeto. Por isso, o convidou
para ir à sua casa.
Ao chegar, a senhora disse: “Serei
direta com você. Há dois anos coloquei minha casa à venda, mas não obtive
sucesso. Precisei diminuir o valor da venda pela metade, mas não consegui
vendê-la. Por isso, disse a Deus: ‘Se conseguir vender esta casa, darei 100 mil
dólares para algum projeto da igreja.’”
Surpreso, Christian arregalou os
olhos enquanto ouvia. “Tentei entrar em contato com várias instituições da
igreja, mas nenhuma retornou meus telefonemas. Até que soube que o senhor
estava aqui”, disse.
Ele contou a ela que o objetivo da
Escola Cristã Heritage era arrecadar 400 mil dólares para construir um prédio
de salas de aula com três andares e assim poder matricular o dobro dos atuais
330 alunos. Ele explicou que a escola havia sido obrigada a recusar 40 alunos
no ano anterior.
“Muito bem, ajudarei nesse
projeto”, ela disse. “Mas preciso de sua oração. Estou há dois anos tentando
vender a casa e não consigo.”
Uma
oração e um telefonema
Eles oraram, e Christian voltou
para sua casa. Naquela noite, contou a história para a esposa e seus filhos, de
seis e sete anos de idade. A família orou com fervor naquela noite e na manhã
seguinte.
No outro dia, um comprador
concordou em ficar com a casa.
Embora tivessem orado por um
comprador para a casa da senhora, Christian ficou impressionado pela resposta
tão rápida. Ele estava triste por estar na Argentina durante o inverno e não no
verão, mas Deus tinha outros planos. A venda da casa foi como se Deus dissesse:
“Parem de lutar! Saibam que Eu sou Deus” (Sl 46:10, NVI).
Deus sabia que o desespero da
senhora para vender a casa ajudaria a prover 25% do custo para a construção do
novo prédio de aulas no Quirguistão. Graças a essa doação, e muitas outras, a escola
agora tem 75% do valor necessário para a realização do projeto e o edifício
está programado para ser inaugurado neste ano.
Durante outras férias anuais,
Christian também fez uma viagem planejada havia muito tempo para arrecadar mais
fundos nos Estados Unidos. Ele trabalhou arduamente durante todo o mês em que
esteve lá, mas não conseguiu sequer um quarto da quantia doada pela irmã
argentina.
Angariar fundos envolve muita fé e
oração. Christian aprendeu a deixar que Deus o conduza aonde Ele quiser.
Parte da oferta especial do
trimestre ajudará a finalizar a construção de um novo centro multifuncional com
auditório e outras instalações na Escola Cristã Heritage, em Tokmok,
Quirguistão. Obrigado por suas orações e ofertas missionárias para esse projeto
especial da Escola Sabatina.
Resumo
missionário
• O Quirguistão se encontra no
cruzamento de várias grandes civilizações. A Rota da Seda e outras rotas
comerciais e culturais passam pelo país ou perto dele. Devido ao alto custo do
combustível, grande parte da agricultura no Quirguistão ainda é feita
manualmente e a cavalo, como tem sido durante séculos.
• Historicamente, os quirguizes têm
sido pastores seminômades, vivendo em tendas redondas chamadas yurts e cuidando
de ovelhas, cavalos e iaques (bois selvagens).
• Cerca de 80% da população do
Quirguistão é composta de muçulmanos; aproximadamente 17% seguem a religião
ortodoxa russa e 3% seguem outras religiões.
• A Igreja Adventista tem 757
membros no Quirguistão, ou seja, existe um adventista para cada grupo de 7.530
habitantes.
Comentário
da Lição da Escola Sabatina – 4º trimestre de 2017
Tema
geral: Salvação somente pela fé: o livro de
Romanos
Lição
1: 30 de setembro a 7 de outubro
O
apóstolo Paulo em Roma
Autor:
Pr. Clacir Virmes Junior, professor de Teologia do SALT - Faculdade Adventista
da Bahia.
Editor:
André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br
Revisora:
Josiéli Nóbrega
Introdução
Um dos princípios de interpretação
mais elementares é levar em conta o momento histórico e as circunstâncias que
originaram determinado texto. Com o estudo da Bíblia não é diferente. Podemos
ter certeza da relevância das mensagens divinas ao entendermos como elas foram
relevantes no momento em que foram dadas pela primeira vez. Sendo que o
problema do pecado e da maldade permanecem, mesmo após muito tempo, podemos ter
a segurança de que a resposta divina para as inquietações humanas ainda não
perdeu sua importância e vigor.
A
carta do apóstolo Paulo
Cencreia era o porto marítimo que
servia à cidade de Corinto. Situada a leste, a cerca de 11 quilômetros de
Corinto, era a porta para o Mar Mediterrâneo. O que acontecia com Corinto
afetava diretamente sua existência. Há poucas informações sobre ela na
literatura grega ou mesmo através da arqueologia. Sabe-se que, na época em que
Corinto foi destruída, em 146 a.C., Cencreia sofreu o mesmo destino; mas quando
Júlio César restaurou a metrópole coríntia em 44 a.C., o porto e seus arredores
também foram beneficiados.
As referências a Cencreia em Atos
18:18 e Romanos 16:1 (as únicas no texto bíblico) parecem indicar que havia uma
comunidade cristã bem estabelecida ali. Achados arqueológicos descobriram uma
igreja cristã datada do século 4 d.C., o que demonstra a influência do
cristianismo ali. É possível que Febe, mencionada em Romanos 16:1, tenha sido
encarregada por Paulo de levar a epístola até Roma.
O
desejo de Paulo de visitar Roma
Alguns vêem uma contradição entre
as razões apresentadas por Paulo para ir a Roma em Romanos 15:20 e sua
declaração no início da carta, em Romanos 1:3. Aparentemente, Paulo queria
pregar o evangelho em Roma, mas no final da epístola parece ter mudado de
ideia, querendo “passar” apenas pela cidade em caminho para a Espanha. Será que
Paulo se recusava a pregar o evangelho nos lugares em que já existiam
comunidades cristãs?
Precisamos entender a concepção que
Paulo tinha do seu ministério. A chave parece estar na declaração que
encontramos em 1 Coríntios 3:5-9. O texto deixa claro que várias pessoas tinham
trabalhado com a igreja de Corinto. Com o passar do tempo, as pessoas
alcançadas por determinados ministros (Paulo, Apolo e outros) começaram a
pensar que eram superiores a outros cristãos. O apóstolo foi duramente contra
esse pensamento egocêntrico e, na sua explicação, deixou transparecer que via
seu próprio ministério em termos de plantio de igrejas. Assim, no contexto de
Romanos, Paulo estava apenas reforçando a ideia de que, depois de passar algum
tempo com os irmãos de Roma, seu desejo era ir adiante e dar continuidade ao seu
ministério de fundar igrejas.
Paulo
em Roma
É muito provável que a menção aos
líderes judeus em Atos 28:17 seja uma referência às lideranças de diferentes
sinagogas situadas na cidade. Em Roma não havia um corpo organizado que tivesse
autoridade sobre todas as congregações judaicas. Isso deve ter sido um fator
facilitador para a pregação do evangelho entre os judeus romanos, uma vez que
cada sinagoga era autônoma e poderia receber os pregadores cristãos livres do
olhar perscrutador de algum órgão fiscalizador, como era o caso do Sinédrio na
Palestina.
É importante notar que o
aprisionamento de Paulo não era sua sentença. Na Antiguidade, ser acorrentado e
preso não era considerado pena por crime. Isso apenas assegurava que o acusado
estivesse detido até o julgamento. Vemos assim o apóstolo aproveitando todas as
oportunidades que tinha para falar sobre Jesus. Ele não sabia qual seria o
resultado do seu julgamento; por isso cada minuto era precioso.
Os
“santos” em Roma
É comum Paulo referir-se aos
crentes em todos os lugares como santos (Rm 8:27; 1Co 6:1, 2). O povo de Deus
no Antigo Testamento também é comumente chamado de “santos” (Sl 16:3; 34:9; Is
4:3; Dn 7:18; 8:24). O apóstolo se referiu à igreja composta por gentios e
judeus como “santos que estão em Roma”. Enquanto os judeus de seus dias tomavam
para si a alcunha de “santos” porque pensavam ser mais zelosos pela lei do que
os gentios, ao chamar uma igreja mista de “santos”, Paulo começou a enfatizar
que a santidade está além da mera observância externa de códigos de conduta.
Como demonstrou em outros momentos, o apóstolo tinha em mente aquela santidade
que nasce do relacionamento com Cristo, que é a resposta ao que Jesus fez, não
uma exterioridade sem valor.
Os
cristãos em Roma
A fé dos cristãos em Roma era
notável. Paulo nem mesmo tinha visitado a igreja naquela cidade, mas já ouvia
as notícias sobre a sua fé (ou fidelidade). Refletida nas palavras do apóstolo
em Romanos 1:8 está a ideia de que a vida dos cristãos em Roma era tão viva e
tinha um impacto tão grande na sociedade que, mesmo a quilômetros de distância,
por todas as partes, as pessoas conheciam a diferença que Cristo fazia na vida
deles. Infelizmente, é muito provável que Paulo não poderia dizer a mesma coisa
de todas as igrejas, mesmo em nossos dias. Embora tenham prometido fidelidade a
Jesus e se comprometido a viver sob Sua lei de amor, muitas comunidades cristãs
são mais disfuncionais, às vezes, do que a própria sociedade que as cerca.
O apóstolo reconheceu que os
cristãos em Roma eram aptos para admoestar uns aos outros. A capacidade de
admoestar é o resultado da união entre a bondade e o conhecimento. Se
admoestarmos apenas com bondade, podemos tender para um sentimentalismo barato
que, no fundo, não se importa com a pessoa; apenas coloca “pano quentes” numa
situação incômoda. Por outro lado, uma admoestação apenas com conhecimento pode
ser dura, fria e, novamente, demonstrar desinteresse pelas pessoas. É
necessário que tenhamos bondade e conhecimento para que nossa admoestação seja
fiel aos princípios bíblicos na mesma medida em que é cuidadosa e amável para
com as pessoas.
Conclusão
Ainda que os primeiros planos de
Paulo para sua visita aos cristãos romanos tenham sido modificados pelas
circunstâncias, a correspondência apostólica com essa importante igreja do
primeiro século permanece até nossos dias. A igreja localizada em Roma,
provavelmente a maior cidade do império naqueles dias, apesar dos desafios
urbanos que enfrentava, estava madura para receber a instrução de Paulo e se
tornar a base para o avanço do evangelho naqueles dias. Ao iniciarmos nosso
estudo sobre este tratado apostólico acerca das bênçãos da salvação, que possamos
refletir a respeito da situação de nossa igreja local e orar para que Deus a
torne, por nosso intermédio, mais parecida com a igreja que foi alvo da carta
que estudaremos neste trimestre, para que também hoje nossa fé e fidelidade
possam impactar o mundo que nos cerca!
Autor do comentário: Clacir Virmes
Junior é graduado em Sistemas de Informação (2005) pela Universidade do Oeste
de Santa Catarina (UNOESC) e em Teologia (2010) pelo Seminário Adventista
Latino-Americano de Teologia, sede Bahia (SALT-FADBA). É mestre em Teologia
Bíblica (2014) pelo mesmo seminário e mestre em Ciências das Religiões (2015)
pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Exerceu as funções de pastor
distrital durante 5 anos (2011-2015) na Missão Nordeste (MN) da União Nordeste
Brasileira (UNeB). Desde 2016 é professor de Novo Testamento e coorderna as
atividades de extensão no SALT-FADBA. É casado com a Drª. Daniella Cláudia
Barbosa Ângelo Virmes, médica, especialista em Medicina de Família e Comunidade
(2015) pela UFPB e membro da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e
Comunidade (2016).

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